Delação Premiada (ou Pequenos Delitos)


Inspirada pelos delatores da Operação Lava Jato (no bom sentido, se é que há bom sentido) e pela Tati Bernardi, resolvi fazer uma delação premiada por minha conta. Isso mesmo. Tornar público alguns delitos que cometi ao longo da minha longa e curta vida. As vantagens e o que eu ganho em troca? Quem sabe eu me livro de ter que pagar uns pecados? De qualquer forma, durmo com a consciência mais tranquila. Adianto que não matei (visualizar uma morte sangrenta não conta, né?). Na minha "autodelação", só tem coisa light. Eu acho.

Para começar, uma mentirinha básica. Confesso que enganei algumas professoras e colegas no alto dos meus 10 anos, na 4ª ou 5ª série do fundamental. Eu era representante da turma e, por isso, era responsável por trancar a porta na ida ao recreio e destrancar na volta. Seria desnecessário esse "procedimento de segurança" em um país no qual não fosse necessária essa tal delação premiada, ainda mais se tratando de um colégio particular, mas voltemos ao fato. Certo dia, perdi a chave! Não achava a bendita em lugar algum. Não tive escolha: fingi que trancava e fingi que abria a porta por dias. Foi horrível. Até que, para minha felicidade, encontrei a maldita. Rezei até o Sequeri. Funcionou!

Também, quando criança (ok, um pouco mais crescida também), eu não me aguentei e fuxiquei até me apropriar de algumas balas e chicletes da bolsa da minha mãe. Ninguém manda não comer os doces que ganha na hora que ganha. Eu estava com muita vontade e não me arrependo. Quando, por acaso, encontrava algumas moedas perdidas, também as surrupiava. Uma pena que ultimamente ela não deixa mais balas na bolsa... Quando o meu avô deitava na rede, lá na casa dele, eu só ficava esperando a hora que ele ia levantar, para ver se não tinham caído moedas dos bolsos dele. Às vezes, minhas irmãs e eu achávamos algumas.

Vamos à vida profissional. Confesso que me apossei de algumas canetas que ficavam em um armário na sala onde fazia um estágio, ainda na fase que eu tentava ser arquiteta. Uma preta, uma verde e uma vermelha. O salário era tão baixo que ficava difícil até comprar caneta. Foram muito úteis! Não lembro se peguei também grafite, régua, borracha... Talvez. E quem nunca imprimiu arquivos pessoais no trabalho que atire a primeira pedra! Porém, sempre tive bom senso. E agilidade para imprimir naqueles momentos que eu ficava sozinha na sala. Mereço um desconto porque sempre eram coisas importantes, como boletos e trabalhos de aula. Poxa, fazer cópia sempre foi caro. E tinha fila.

Mais recentemente, houve o episódio do vale-refeição da firma. Em minha defesa, digo que fiz tantas horas extras naquele estágio que eu me achei merecedora daqueles dinheiros a mais. Foram tão tão tão bem gastos. Afinal, comida é sempre bom investimento. Teve também aquela noite em que minha irmã e eu fomos a um restaurante de comida japonesa e veio uma porção de sushi a mais que nós não pedimos - e nem pagamos. Sushi é tão caro, não podíamos desperdiçar... E recusar comida não é de bom tom. Para encerrar o assunto comida, se bem me lembro, devo ter levado docinhos de festas para casa por uma ou duas vezes. Não levei mais pela vergonha do que por peso na consciência, que fique claro.

Em relação à área emocional, deixando de lado as infrações materiais, confesso que pratiquei falsos testemunhos. Alguns. Muitos. Enfim, várias e várias vezes. Na maior parte das vezes, havia um bom motivo. Era por amor. Se eu não mentisse para alguns, acabaria tendo que mentir para mim mesma. Seria muito pior. Deu certo até o dia que não deu mais certo, claro. Não me arrependo, mas hoje faria diferente. Também posso ter fingido que não vi mensagens no Whatsapp sobre sair para não precisar dar explicações e dizer com todas as letras que não estava a fim de sair. Só de vez em quando. Ou nem tanto...

Vamos ao que interessa: estou perdoada?

*Toda sexta-feira, às 10h, tem crônica nova aqui no blog. Gostou? Deixe seu comentário! E volte sempre!

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