Aquela voz

Imagem: Pintura de Dimitra Milan

Deveria ser algo natural. Ou, pelo menos, um pouco menos difícil. Não sei se é a sociedade materialista em que vivemos, a educação dada pelos pais ou o próprio medo de se conhecer. Talvez todos juntos. Uns mais, outros menos. O fato é que ouvir a minha própria voz me parece uma tarefa tão árdua. Essa, conhecida como intuição, parece fugir ao meu alcance. Como se um botãozinho da alma tivesse dado tilt. Ou está em manutenção. Não devo ser a única.

Não tem como falar desse tema sem lembrar de uma das mais intensas referências da minha monografia, finalizada em junho passado. Definitivamente, o livro Mulheres que correm com os lobos, da Clarissa Pinkola Estés, não é um livro que se esquece fácil. Aliás, não é um livro que se lê fácil. Nas mais de 500 páginas de histórias, lágrimas e aconchego, fica mais do que claro que a intuição é a essência das mulheres. Não se trata daquela intuição feminina machista e superficial. Não. Trata-se da ligação inexorável entre a mulher e a sua verdadeira natureza - e toda a força inerente a esse elo.

Lembro-me da primeira vez que senti que tomava uma decisão única e exclusivamente pela minha própria vontade. Foi uma sensação diferente. Eu não tive dúvida de que era aquilo que eu queria. Dane-se o que outros pensavam! De fato, não me arrependo da decisão que tomei. Também me lembro de quando não ouvi a minha intuição, deixei para lá. Tive medo de falar. Até hoje, não passa um dia sem que eu não me lembre dessa falha. Aprendi que o intragável "se eu tivesse..." não combina com a intuição.  Com ela, não tem dessas coisas.

Hoje, sinto como se eu estivesse em uma espécie de limbo. A sensação é de me afastar do que sou, enquanto tento me aproximar do que sou. Uma confusão que desgasta, uma estranheza que cansa. Os pensamentos se embaralharam e as batidas do coração se descompassam. Talvez seja uma urgência desnecessária querer "exercitar" a minha intuição. Quem sabe ela vem com o tempo. Não sei. Tenho pressa. Por ora, fecho os olhos e respiro. E espero meu encontro comigo mesma.

*A partir de hoje, toda sexta-feira, às 10h, tem crônica nova aqui no blog. Gostou? Deixe seu comentário. E volte sempre!

Comentários

  1. Sim! Sempre! Mas faz como quando ele está apertado, apertado? Hehe
    Obrigada pelas visitas de sempre, Gugu! :)

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