segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Desculpe o transtorno, preciso falar de manter o nível

Não é fácil. Gen-te-do-céu. É dificílimo. Quem diz que não se importa em baixar o nível, está blefando. E, se tem algo que não suporto, é hipocrisia. Baixar o nível não deixa ninguém feliz. Ponto. Não dá frio na barriga em baixar o nível. Não surge um sorriso involuntário ao baixar o nível. Não.
Se eu não gosto nem de baixar o nível quando vou comprar um chiclete, imagina no resto. Se eu tiver que escolher um Topline em vez de um Trident, não será a mesma coisa. Vai ser bom, no máximo bem bom. Ótimo? Incrível? Ótimo e incrível? Não... Tudo bem. Vão falar que ninguém morre por não comprar o melhor chiclete da face da Terra.
Mas e se baixar o nível sair do plano "material" e for para o plano "espiritual"? E se baixar o nível pode nos condenar a ter uma vida mais ou menos? Com um emprego mais ou menos. Com um salário mais ou menos. Com desafios mais ou menos. Com conquistas mais ou menos. Com amigos mais ou menos. Com amores mais ou menos. Com o risco sempre presente do mais perder para o menos.
Por favor, não me condenem. Apenas reflitam comigo. Como eu posso querer baixar o nível se um dia experimentei, vivi e beijei um cara que lia bons livros, escutava boas músicas, assistia bons filmes, dançava, cozinhava, bebia vinho, mandava cartas, surfava, viajava, velejava, meditava, flertava... Conhecido numa noite de verão.
Por favor, não me condenem. Apenas reflitam comigo. Como eu posso querer baixar o nível se um dia experimentei, vivi e beijei um cara de 1,80 m, olhos azuis, cabelo legal, barriga de tanquinho, bronzeado, com uma tatuagem do Buda, perfumado, estiloso... Conhecido numa noite de verão.
Eu não consigo. E tenho ótimas (ou quase ótimas) justificativas. Se eu baixar o nível, será que a comparação não será imediata e, com o tempo, potencialmente atroz? Se eu aumentar o nível, não será mais fácil realmente acreditar e desejar uma nova relação? Aumentar o nível não é a lei da vida? Sim. Tem que ser.
Não é sobre voltar atrás. De jeito nenhum. Cada um com a sua vida. É para frente que se anda. Nem sobre apenas lembrar do lado bom e fingir que o lado ruim não existiu. Eles existem em qualquer relacionamento. Eu só não quero escolher qualquer caminho para, enfim, dizer que "a fila andou". Não quero mesmo. Só que, às vezes, tenho medo de perder oportunidades e chances de ser feliz.
Por outro lado, se eu conheci quando menos esperava um homem que mudou a minha vida e que, de quebra, ainda era lindo, por que isso não pode acontecer de novo? Por que não posso conhecer um homem que, então, em vez de surfar ande de skate, em vez de vinho entenda de cerveja, em vez do budismo se interesse por astrologia? Sei lá... Eu tenho medo da vida ser menos interessante do que um dia já foi. Eu tenho medo da vida nunca mais ser interessante do jeito que já foi um dia.
Digam que é um medo bobo. Por favor.

sábado, 30 de julho de 2016

Solidão X Solitude

Solidão é o mundo inteiro fora de ti.
Solitude é o mundo inteiro dentro de ti. E basta.