domingo, 27 de outubro de 2013

Dói

Dói tudo em mim. Tudo. Desde as minhas lágrimas até os meus fios de cabelo molhados por ela. Doem os meus olhos embaçados. Dói a respiração, que sai forte, fraca, desorientada. Dói também os meus lábios, que não sabem o que dizer. Dói tudo, porque dói muito. E eu me contorço, sem tentar me controlar. Dói as minhas mãos, os meus dedos, que se envolvem nas gotas de água salgada. Dói os pés, desgovernados. Dói a vida, sempre na gangorra. Dói o que eu já sabia que ia doer. Dói o que já doeu de cor e salteado. Dói o que ainda vai doer. Dói porque o coração manda e a mente obedece. Dói porque eu me emociono, eu não raciocino. Dói justamente porque eu sinto, em doses extravagantes. Dói. E eu aceito, de braços abertos. Dói a chuva lá fora. Dói porque foi bom. Muito bom. Deliciosamente bom. Dolorosamente bom. Dói. 

Fim.