sábado, 29 de junho de 2013

Por uma legião de amor

     Cinco minutos antes da sessão começar, comprei os dois ingressos para assistir o filme brasileiro do momento. Depois de comprar uma pipoca média e me assustar com o preço pago por ela, minha irmã e eu rumamos à escuridão luminosa da sala de cinema. Sentamo-nos nos nosso lugares; só nos restaram poltronas baixas por conta de nosso quase atraso. Passadas a expectativa e a impaciência dos trailers, o longa Somos Tão Jovens enfim “tomava conta” do cinema quase lotado. 
O astral de Renato Russo começou a ser sentido já na abertura do longa. Cada nota da música Tempo Perdido parecia nos convidar a entrar no clima de paz, amor e muita revolta que o filme retraria a seguir. Arrepiar-me foi inevitável. Quando a trilha cessou, apareceu o adolescente (in)comum de Brasília no comando de sua bicicleta. Parecia não só pedalar, mas inspirar toda a vida que existia ao seu redor, desejando levá-la consigo. De repente, o garoto CDF cai. Meses na cama seriam necessários para ele se levantar novamente. Era mais um dos tantos desafios impelidos a ele por essa doce – e também amarga – vida. 
Intensidade talvez seja a palavra-chave da trajetória de Renato Russo; revelou-se portador de uma alma inquieta, mas não menos meiga. Esse jovem de espírito não se contentava com pouco, não vivia pouco. Repelia toda e qualquer forma de falsa segurança, afinal, na vida sempre vale a pena arriscar. O eterno ídolo dos anos 80 tinha a ânsia de mudar o mundo, tocando o coração das pessoas com as suas melodias. Ele possuía aquilo que hoje nos falta de uma maneira quase assustadora: ele exalava esperança. 
O vocalista da lendária e insubstituível Legião Urbana acreditava que nem tudo está perdido. Ele sabia que despertar o amor que existe em cada um de nós é a chave para dar um jeito nessa sociedade doentia que há tempos existe – e persiste. O música serve de inspiração tanto para mim, uma jovem universitária, como para meus pais e meus futuros filhos. Sua crença não tem idade, uma vez que ele acreditava no sonho, o qual é, por muitas vezes, tristemente desprezado. Mais do que isso, ele acreditava na realização daquilo que faz o nosso coração bater mais forte. Esta coragem é um dos segredos do seu sucesso, enormemente merecido. 
Renato Russo despertava o lado bom do ser humano, o filho da ditadura acreditava no futuro da nação. Suas canções ainda vivem entre nós pelo simples fato de que todos nós portamos essa mesma essência amorosa. Basta deixá-la florescer e mostrar o seu belo poder transformador. Sem dúvidas, será um belo espetáculo
Fonte: Googele

*Esta crônica foi realizada como uma atividade acadêmica na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A Verdadeira Idade do Problema

      Gostaria que meu filho, ao completar 18 anos, tivesse raspado os cabelos por ter entrado em uma faculdade e não por ter entrado no presídio. Isso, infelizmente, está se tornando uma realidade brasileira, onde se está perdendo o controle sobre a criminalidade juvenil e se distanciando das perspectivas de uma possível mudança. Entre prós e contras, está a busca de uma melhor solução.
A prisão é uma medida muito cômoda para quem está no comando, onde todo o problema se resolve atrás das grades. A longo prazo, isso não surte efeito algum. Pelo contrário, as consequências podem ser prejudiciais para o futuro de quem ainda está descobrindo suas próprias possibilidades. A exemplo da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA), que não demonstra resultados de reeducação, mas sim, de um condicionamento punitivo aos internos, fica claro que esse não é o melhor caminho a ser seguidos.
No entanto, os defensores da redução da maioridade penal asseguram que encarcerar garotos de 16 anos acarretará na queda do número se infratores dessa faixa etária. Acreditam também que, no momento, a solução mais rápida e eficaz para a diminuição da criminalidade seja, realmente, mandá-los para prisão como forma desesperada para excluí-los do meio social. Uma vez, essa solução surtindo efeito, ou seja, não diminuindo os índices da delinquência juvenil, será preciso levar a maioridade penal a idades mais baixas. É inconcebível, logo, que uma criança de 14 anos, se seguida a proporção, seja incriminada da mesma forma que um adulto.
Sabe-se que em países mais desenvolvidos a maioridade penal é inferior à do Brasil, porém além de as leis serem aplicadas corretamente, há um forte investimento na educação básica. Isso demonstra que eles evitam problemas posteriores, garantindo uma formação sólida desde a primeira infância. Por conseguinte, o Brasil deveria se espelhar nessas nações que compartilham a ideia de Pitágoras: “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”

Fonte: Google

*Este artigo de opinião foi realizado juntamente com Henrique Bettiato Zattera, como uma atividade acadêmica na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Abre parênteses...

A partir de hoje, o Multicromática vai deixar de lado a função de só ser a minha válvula de escape ou o meu bode expiatório. Como bem diz o título, hoje eu abro um espaço especial por aqui e deixo penetrar um pouco da minha - contente - vida acadêmica por entre o clima romanesco dos meus textos. 
A criação de um blog faz parte da avaliação da disciplina de Língua Portuguesa CS - II, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz, que eu estou cursando no período 2013/02. A matéria faz parte do currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul. Portanto, sabem o clichê bacanérrimo de unir o útil ao agradável? É bem por aí.
As produções acadêmicas que aqui serão postadas estão divididas em três gêneros: artigo de opinião, crônica e relato de fatos. Elas foram produzidas de acordo com as normas gramaticais e contemplam a linguagem formal. Os textos têm um perfil mais sério, digamos assim, se comparado aos meus posts costumeiros. Estou livre para postar imagens, vídeos e o que a minha imaginação deixar fluir, desde que tudo faça sentido.
Passadas as participações universitárias, o blog volta a sua "programação normal". Cheio de cores, espero. Ah, e amores também.

domingo, 2 de junho de 2013

Abraça-me


Ontem eu vi que me faltam abraços. Percebi que a minha vida é pobre quando se trata de abraços. Culpa minha, dos outros, do mundo. O fato é que eu abraço pouco. De vez em quando. Lembro deles bem menos do que gostaria nas minhas memórias. Poucos abraços, poucas pessoas. Nesse quesito, estou mais do que abaixo da linha da pobreza. E o estranho é que um abraço não custa nada. É de graça, totalmente de graça. E ainda reverbera em sorrisos, espalhando coisa boa. Como só fui perceber ontem que me dói muito não abraçar e não ser abraçada? Triste, mas antes tarde do que nunca. Isso de abraçar pouco e abraçar mal acontece desde sempre, mas uma hora a ficha cai. Cedo ou tarde, a luz pisca e nos alerta que estamos perdendo preciosidades e que o tempo para recuperá-las é agora. Hoje.
Ontem eu vi que falta me abraçar mais. Sim, estou falando desse tal encontro entre eu e eu. E mais meus outros infinitos 'eus' que me compõe. Tudo tão complicado e tão lindo ao mesmo tempo. Eu mesma não me abraço, não me aninho em torno de meu corpo e da minha alma. Eu própria esqueço de me acarinhar do jeito mais quente e sincero que existe. Eu inconscientemente mascaro minha beleza e não a deixo me envolver. Abraçar-me é deixar ser como sou, do jeito que sou, do jeito que gosto de ser. Eu me enlaço em meus medos em vez de me enlaçar em meus sonhos. Dou força para quem deveria desaparecer, enquanto quem tem de crescer permanece pequeno. Vi que está passando da hora de abraçar forte a parte linda de mim e da minha vida.
Ontem eu vi que às vezes eu me esqueço de abraçar a vida. De tratá-la da forma como ela deve ser tratada. De ter calma, de não pensar que tudo está errado, que a maré não vai abaixar, que a flor não vai se abrir e que o sol não vou voltar a sorrir. Em meio a minha instabilidade, eu esqueço que um abraço também cura. Sara a alma dolorida, ajuda a cicatrizar a angústia insistente, faz sorrir o coração. Um abraço é tão bom e faz tão bem que chega a ser crime não (o)usar de seus belíssimos efeitos colaterais. Abraço é carinho. O meu, o teu, o nosso, o do mundo todo. E eu estou precisando dele, não tenho vergonha de pedir. Feio seria dizer que eu me viro sozinha, só com o meu abraço. Não, eu quero mais. Meu ser pede mais.

Vem e me abraça. Vem e me deixa abraçar. Vem e me deixa viver no nosso abraço.