sexta-feira, 29 de março de 2013

Crise dos 22

Eu não sei se é mais uma crise de existência me assombrando. Eu não sei se são os anúncios infinitos de cremes com colágenos que aparecem nas revistas, nos jornais, na televisão. Eu não sei se é simplesmente o medo ressurgindo mais forte das cinzas da minha alma. Eu não sei se é mais um dos reflexos do meu complexo de inferioridade. Eu não sei se é a lua do meu signo que está em uma posição desconfortável diante do meu ascendente. Ou se é o condicionamento dessa sociedade medíocre que está me atormentando. Eu não sei. Eu só sei que eu entrei em paranoia depois de fazer 22 anos, há pouco mais de um mês. 
Sério. Eu penso nisso muito mais do que eu deveria pensar. Mando meu cérebro desligar esse pensamento, mas ele volta. E então eu penso de novo, e de novo e de novo. Penso que eu já estou com 22 anos. O número é bonito, mas não passa disso. Eu sei. Sei que é tão ridículo que eu chego a ter vergonha de contar. E de sentir isso. Eu queria poder contar só para a minha psicóloga. Ela me ouviria e eu não precisaria me expor. Só que as circunstâncias não me deixam. O jeito é recorrer às palavras, ao alívio de jorrar letras e fonemas e hiatos e vírgulas e reticências para me sentir melhor. Ou para me sentir menos estranha, menos sozinha, menos incompreensível. Escrever também é para isso.
Eu tenho a sensação de que a minha vida está escorrendo pelas mãos e eu não estou aproveitando. Eu sinto um aperto no peito e parece que eu deixei o tempo passar e agora ele está correndo contra mim. Olho para o relógio e ele parece exclamar que o meu tempo está diminuindo. Ele está findando, vagarosamente, mas está. Uma voz grita dentro de mim, forte e alta, ecoando que eu fiz pouco, muito pouco, quase nada e agora já estou na casa dos 22 anos. Mais oito e eu chego aos trinta anos. Meu deus, meu deus, meu deus. Por que diabos essa sensação está se apoderando de mim? Go away, now, please!
Fico não querendo acreditar que o tempo está passando e que eu ainda tenho muito que fazer. Eu tenho medo que não dê tempo de viver e eu alcançar tudo o que está na minha lista imaginária de metas. Parece que eu não quero aceitar o fato de que estou crescendo. A verdade é que eu não quero virar adulta, não quero deixar de ser jovem. Parece que com 21 eu era mais moleca, mais criança, mais adolescente. Não quero deixar toda a adolescência e a minha rebeldia tardia para trás. Desconfio que esse seja o ponto principal: minha rebeldia tardia. Eu demorei a ver que eu precisava gritar para ser ouvida, agora tenho medo de não poder mais fazer isso. Tenho medo de parecer ridícula ou de não ter mais forças. Não quero sair da roda da galera. Não quero o formal, prefiro o informal. 
O louco é que eu sei. Eu sei que eu recém comecei a viver e já estou pensando que se passou muito tempo. Guria, calma na alma: mal e mal passou 20 anos da tua história. Eu tenho uns 60 anos pela frente ainda (não é, anjinho da guarda?). Também sei e tenho plena consciência que fiz coisas e aprendi muito mais nessa minha pequena vida do que muita gente com 40 ou 50 anos de idade aprendeu ou fez. Várias vezes me pego pensando que se eu morresse amanhã a minha vida teria valido a pena ou não. A resposta que me vem à cabeça é que sim, ela teria valido à pena. Com certeza. Só que eu quero que ela valha muito mais à pena, que me deixe sem fôlego quando eu pensar por tudo o que eu passei.

Eu caio na contradição de que tenho pressa, mas gosto da calma. Quem me dera encontrar o equilíbrio.

quinta-feira, 14 de março de 2013

On Fire

Eu não quero para mim essa coisa de "mais ou menos". Definitivamente, não nasci para viver assim.    Se antes eu duvidava, hoje sei isso de cor. Se for para ser bom, que seja muito bom. Se for para acontecer, que seja inesquecível. Se for para saborear, que seja gostoso. Muito gostoso. Se for para viver, que seja para valer à pena. Eu experimentei assim, eu conheci assim, agora eu não aceito menos. Meu corpo não aceita, meu coração reclama, minha mente não sossega. 
Quero tremer de nervosismo. Quero suar de timidez. Quero atropelar as palavras de inquietação. Quero sentir a vodca queimar a garganta e se perder entre as minhas veias. Eu quero um toque como um choque, quero sentir me arrepiar o corpo inteiro. De frio, de calor, de expectativa. Eu quero um beijo que me faça esquecer que há vida além das nossas bocas dançando juntas. Eu quero beijar e fechar os olhos, só enxergando as nossas respirações nervosas, aflitas, quase afoitas, eu diria. Quero um olhar, que de tão intenso, me obrigue a virar o rosto para não desmaiar. Quero sentir as pernas bambas e saber que esse alguém não vai me deixar cair. Quero contrações involuntárias, quero sons involuntários, quero perder o fôlego. Quero ficar com o cheiro no corpo, com o sorriso no rosto. Com o brilho nos olhos. Quero fogo, paixão, e pode falar que é ilusão, eu não ligo. I don't care. Quero química, combustão, explosão. Eu quero uma dose extra de tesão.  
Eu quero responder, quando me perguntarem o porquê: "Eu não sei e nem quero saber, só sei que é assim que é e é desse jeito que eu gosto". Quero numa noite, toda a luz do dia. Quero aquele clima intenso e leve, misterioso e conhecido. Com a confiança quase palpável. Quero abraço quente, macio, acolchoado. Quero papo fácil, com direito a revelações que jurei nunca contar a ninguém. Coisa de pele, coisa de alma. Eu quero mesmo é pecar pelo excesso.
Utopia? Invenção? Insanidade? Não mesmo, meu bem. Coloco a minha mão no fogo por cada letra escrita aqui.

Aliás, o meu corpo inteiro já está em chamas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Ser mulher...

Eu adoro ser mulher. Eu adoro descobrir a cada dia o que é ser mulher. Eu adoro me tornar mais mulher a cada dia que passa. Eu adoro reclamar de ser mulher e depois de um segundo me arrepender de ter dito isso. A verdade é que eu gosto das complicações de ser mulher. Ser mulher é difícil, mas o fácil logo perde a graça. Ser mulher é tão bom, mas tão bom que eu nem sei direito como explicar.
Eu gosto de ser mulher e ficar uma hora dentro de uma loja provando dez vestidos para depois não gostar de nenhum e sair de lá levando mais uma calça jeans para a coleção. Ser mulher é navegar pelas vitrines virtuais e ter que se controlar muitíssimo para não clicar em "comprar". E eu adoro ficar como uma boba olhando para as araras de lingeries e me imaginar vestindo-as. Mais ainda, gosto de imaginar ele as tirando de mim. Eu adoro perder tempo escolhendo o esmalte na hora da manicure. Porque um vermelho tomate é muito diferente de um vermelho sangue. Eu amo ser mulher e usar aquele salto 15 li-ndo-de-mor-rer e depois de meia hora de festa me arrepender de ter ido com ele. Ser mulher é depilar a virilha com cera quente pensando naquele pedaço de torta de chocolate, para ver se a dor é psicológica. 
É uma delícia ser mulher e poder rir como uma louca e chorar como uma louca em questão de cinco minutos e dizer que a culpa é da TPM, mesmo que falte muito ainda para a gente menstruar. Ser mulher é não querer admitir para si mesma que está se apaixonando ao mesmo tempo em que quer gritar para o mundo todo ouvir que o corpo inteiro se encheu de borboletas. Ser mulher é querer ser direta com indiretas. Não pensem que é fácil, requer muito jogo de cintura. Sei que sou mulher porque até eu mesma me confundo com o que eu quero dizer nas entrelinhas. Imaginem, então, a dificuldade deles... Dá gosto ser mulher e perceber que se é uma princesa independentemente de tudo e não precisar de príncipe, sapatinho de cristal ou fada madrinha para ser feliz. Porque a nossa história é a gente quem faz, do jeito que a gente quiser.
Eu adoro ser mulher para deitar no peito dele, me encaixar e adormecer. Não tem preço abraçá-lo e sentir que vai dar tudo certo, não importa o que aconteça. Adoro ser mulher e perceber que eles já não nos acham tão frágeis assim, mas nunca deixam de oferecer um abraço para nos proteger do frio. Ser mulher é ser sensível para mostrar para ele que ele também é sensível, e não há nenhum problema nisso. Ser mulher é bradar para as amigas que homem é tudo cafajeste, para depois de um minuto receber um SMS do carinha e dizer que ele nem é tão imprestável assim... Ser mulher é amar e odiar e amar de novo, tudo ao mesmo tempo, tudo sempre muito intenso.  

Ser mulher é ser amor, dor, calor, resplendor. Ser mulher é ser invencível, mas não dispensar a mão do outro para nos ajudar a levantar.