quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Tchau, 2013

O meu ano foi estranho, para não dizer simplesmente que ele foi triste. Foi o ano que eu comecei a rever aquela sentença que todos falam e falam e repetem e repetem que o sofrimento nos faz crescer, que só com ele vamos poder avançar e nos fazer mais sábios. Ultimamente, tenho notado que sofrer não me deixa mais forte, não. Deixa-me mais fraca, mais sem esperança, mais sem vontade de ser feliz. Se for para passar a vida inteira sofrendo para chegar aos cem anos com muita sabedoria, eu prefiro não sofrer e morrer meio bobinha mesmo. Em 2014, que eu aprenda a partir da alegria.
Em 2013, eu bebi pouco vinho. Dancei bem menos do que devia. Beijei bem menos do que gostaria. Chorei muito, a ponto de achar que eu ia explodir e não aguentar de tanta angústia. Várias vezes, ainda por cima. Misturei as lágrimas à água doce do chuveiro, ao cúmplice travesseiro, ao teclado do notebook, à poltrona do ônibus. Eu desejei, por muitos dias, que amanhecesse chovendo, com neblina, para assim ficar mais fácil justificar a minha tristeza. Quando olhava para fora e via aquele céu azul, sem nuvens, eu sabia que o dia merecia sorrisos. Pelo menos o esforço de sorrir. Eu tive que reunir todas as minhas ínfimas energias para sair da cama, todo santo dia. E eu nunca me senti tão sozinha. Nunca tive tanto medo da solidão e ao mesmo tempo fiz tão pouco para acabar com ela. Falei pouco, quase nada. Se antes tinha pouco diálogo, agora zerou de vez. Foi o ano que eu fiquei com medo de ficar triste para sempre. 
Mas não vamos ser tão pessimistas a poucos dias do ano novo, ainda mais de um ano par (aleluia!). Isso de nenhum jeito vai me fazer bem. Também aconteceram várias coisas bacanas nesses últimos trezentos e poucos dias. Eu comecei o Pilates. E, acreditem, acabei o ano ainda fazendo os exercícios corporais - e mentais. Porque aquela uma hora por semana passou a ser também a hora de pensar em mim, só em mim, e meditar. Inspirar e expirar. Eu conheci tanta gente legal nesse período, que eu mesma nem acredito. Eu passei a crer que, apesar de tudo, o mundo ainda está cheio de gente legal. Um pessoal louco que deseja muita paz, amor, riso, sexo, vodka e indie rock. E eu mereço essas criaturas legais em volta de mim. Percebi que tenho mais talentos do que imaginava. E que basta eu querer para eles aflorarem ainda mais. E eu também percebi que a vida conspira a favor de quem sonha. E eu comecei a sonhar mais alto, mais forte, mais de coração inteiro. E que os resultados são apenas uma questão de tempo.
Mesmo assim, obrigada Universo por mais um ano de vida. Meio capenga, but I'm still alive. Quero agradecer por mais essa oportunidade de me conhecer. Por mais essa chance de me superar, de me dedicar aos estudos, de me amar. 


Ah, agora já são dois meses.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Um mês

Um mês. 30 míseros dias. 30 infinitos dias. 30 malditos dias. 30 dias. Um mês daquele dia que começou e terminou chuvoso, dentro e fora de mim. Os dias, as horas, os minutos perderam tanto o sentido depois do fim, que eu não sei dizer se passou pouco ou muito tempo. Ele passa, de qualquer forma. Puts, será que todo fucking dia 26 eu vou me lembrar disso? Por favor, meu bom Deus, livre-me desse peso. Por favorzinho, já não me bastam os milhares de "lembretes" por aí, não me faça ter mais um.
Mas - olha só que bela constatação! - eu não morri. Não morri, baby. Eu quis, mas sobrevivi. Quase, mas aguentei. Emagreci umas gramas (talvez um quilo), minhas olheiras deram uma boa aumentada, os dias perderam um pouco da cor, as flores da primavera quase passam despercebidas, as músicas precisam ser cuidadosamente selecionadas, os pensamentos precisam ser forçados a trocar de assunto, mas nada que não melhore com... Pois é, sei lá com quê. A vida ficou mais lenta, mais dolorida, mas ainda é a vida.
É difícil colocar a cabeça no travesseiro e tentar fechar os olhos o mais rápido possível. É difícil abrir os olhos. Eu ainda não quero, nem consigo, nem ouso, pensar que, sim, aquele foi o último beijo que os meus lábios encontraram os teus. Aquela foi a última vez que eu senti o teu perfume no teu pescoço. Aquela foi a última vez que eu deitei no teu peito e ouvi teu coração bater (uma das melhores sensações do mundo, uma das sensações que eu mais vou sentir falta). Aquela foi a última vez que nós andamos de mãos dadas. Aquele foi o último lençol que nos envolveu. Tudo isso me dá um desespero insano. Enlouquecedor.
Mas eu finjo que está tudo bem. Um dia há de ser verdade.

Dica do Dia da Vida: no more feelings, no more tears. (Sem a porra do sotaque inglês, por favor. Londres é o último lugar que eu quero conhecer na vida. O que eu quero em um lugar nublado? A vida é dura demais para merecer isso.)

Pior é que birra mesmo. É hora da raiva. Eu juro que tentei lutar contra (ok, nem tanto), mas é mais forte que eu. Desculpa Osho. Eu sei que vai passar, mas por enquanto não está dando para segurar. Eu nem luto contra ela. Eu a admito, eu a grito, eu a repito. Sabe como é... Nunca vou crescer mesmo quando o assunto é coração. Desculpa, mundo. Eu não sei ser de outro jeito.

domingo, 27 de outubro de 2013

Dói

Dói tudo em mim. Tudo. Desde as minhas lágrimas até os meus fios de cabelo molhados por ela. Doem os meus olhos embaçados. Dói a respiração, que sai forte, fraca, desorientada. Dói também os meus lábios, que não sabem o que dizer. Dói tudo, porque dói muito. E eu me contorço, sem tentar me controlar. Dói as minhas mãos, os meus dedos, que se envolvem nas gotas de água salgada. Dói os pés, desgovernados. Dói a vida, sempre na gangorra. Dói o que eu já sabia que ia doer. Dói o que já doeu de cor e salteado. Dói o que ainda vai doer. Dói porque o coração manda e a mente obedece. Dói porque eu me emociono, eu não raciocino. Dói justamente porque eu sinto, em doses extravagantes. Dói. E eu aceito, de braços abertos. Dói a chuva lá fora. Dói porque foi bom. Muito bom. Deliciosamente bom. Dolorosamente bom. Dói. 

Fim.

domingo, 1 de setembro de 2013

Back to Black

É quase um crime escrever um post só por mês. É quase um crime deixar um blog ao relento por quase trinta dias. É quase um crime não escrever cada vez mais e, sim, cada vez menos. É quase um crime deixar o estresse respingar no meu refúgio, a ponto de deixar-lhe ao mofo. É quase um crime tirarem o tempo de mim. É quase um crime eu mesma sabotar o meu tempo. É quase um crime eu achar que não tenho inspiração. É quase um crime deixar o inverno penetrar no meu blog. E fazê-lo se recolher, mesmo que forçado.
Algo me diz que talvez eu evite sentar na frente do notebook e abrir uma "Nova Postagem". Porque eu não sei se quero, se me orgulho, se me faz feliz o que eu estou vivendo. Às vezes nem sei se vivo mesmo. Ou se só estou contando os dias, sem mais nem menos, sem menos nem mais. Acho que eu ando numa gangorra. Uma hora eu subo, outra eu desço. Às vezes muito lentamente, às vezes rápido demais e eu acabo caindo um tombo. Eu tento fazer a vida correr, mas eu tenho mais pressa e me atropelo.
E é setembro já. Já!!! E eu tento disfarçar, mas uma agonia cresce e se instala no meu peito. Forte. E o que era bom, agora não parece mais tão bom assim. Parece que o fim do ano vai chegar e vai ser mais um ano que não tentei de tudo, que não sorri tudo o que tinha de sorrir, que não beijei tudo o que eu tinha que beijar, que não gemi tudo o que eu tinha que gemer. Um ano meio apagado, meio conflituoso, meio diferente. Teve coisa boa, mas eu pisquei e elas se foram. Volto sempre à estaca zero.
Puta merda, que vida de lamentação a minha. Que vida mais estranha, mais sem sentido. Eu preciso de mais amor, eu preciso de mais intensidade, eu preciso de mais vinho, eu preciso de mais dor, se for preciso. Eu preciso de mais loucura, não me sinto bem quando fico muito tempo sã. Ser sã me dói. Fico triste, desanimada, parece que a vida realmente não tem jeito e eu não sei porque ainda tento fazê-la diferente. E eu não sei a quem olhar, a quem falar, a quem esbravejar. Então eu brigo comigo mesma, eu falo comigo mesma, eu tento compreender a mim mesma.

E esse texto ficou uma confusão. Igual a mim. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Só comigo

Tem coisas que só acontecem comigo. E estou falando de coisas boas, não de coisas desagradáveis, como costumam falar por aí. Como o episódio da menina que me deu um beijo numa manhã de sábado durante mais um dia de horas perdidas em um emprego insuportável. Talvez esses momentos aconteçam comigo por eu ter ficado mais sensível ao que realmente importa nessa vida incrivelmente louca. Ou o cara lá de cima tem pena de mim e manda umas pegadinhas do bem para eu abrir uns sorrisos. Whatever, eu realmente acredito nas artimanhas do destino e que eu atraio essa gente que me aparece do nada e me marca de um jeito todo especial.
Pois bem. Inverno do inferno em Caxias do Sul, quatro míseros graus na serra gaúcha. Nem quero saber quanto estava a sensação térmica. E eu pegando dois ônibus. O frio (e outras coisas mais) anda deixando meus nervos à flor da pele. Eis que no segundo ônibus, entrei e procurei um lugar vago. Sempre procuro por dois bancos vazios, colados um do lado do outro. Não que eu não goste de sentar do lado de uma pessoa estranha, mas sofro de um ligeiro egoísmo nessas horas e prefiro sentar sozinha. Eu e minha bolsa no banco do lado. Eu e meus pensamentos. Eu olhando pela janela o roteiro que já sei de cor e salteado.
Até que quase chegando ao meu destino, a mulher já com os seus sessenta anos se vira para mim e começa a conversar comigo. Ela me chamou e disse: "Pega um!", oferecendo uns papéis dobrados que estavam em uma divisão da bolsa dela. Essa maldita realidade brasileira me fez fechar a cara e olhar desconfiada para ela. Ainda tive a audácia de perguntar se tinha que pagar. Fui muito mal-educada. Ela disse que não. Então, observando a minha reação, decidiu ocupar o banco do meu lado que estava vago. Na verdade, eu tirei a minha bolsa de lá quando ela veio vindo. Antes disso, uma passageira que estava prestando atenção na cena, disse que queria pegar um papel para ela. Depois de ler a mensagem e dar risada, ela disse para a dona da ideia que fazia tempo que ela não ria. E então desembarcou. Sabe aqueles baques que nos deixam meio desconcertados? That's it.
O ônibus deu partida novamente e começamos a conversar. A senhora me disse que escreve as mensagens e recorta tudo bonitinho antes de dormir, mas que ninguém sabe dessa atividade secreta, nem o marido dela. Porque se ele soubesse, diria que ela é louca. (Esse conceito totalmente errado de loucura que usamos, hein.) Isso faz bem para mim e para os outros, ela disse. Contou ainda que estava indo ver a irmã, que estava de aniversário. Disse que a irmã não sabia que ela estava indo, ela ia fazer surpresa. E de presente estava levando flores que retirou do seu jardim. E mais um lenço. Conversamos sobre a vida, sobre a filha dela, sobre a descrença no amor e nos relacionamentos. Filosofamos em pleno ônibus urbano. Num frio do cão.
Eu não sei o nome dela. Eu nem sequer lembro-me do rosto dela (tenho sérios problemas em lembrar o rosto de quem vejo por pouco tempo). Ela não sabe o meu nome. Ela também não deve lembrar o meu rosto. Mas nós duas não vemos esquecer uma da outra. Por quê? Por que quem nos toca no coração fica para sempre dentro de nós. E eu sempre vou desejar que ela curta muito as viagens de sua aposentadoria. Ela disse que tinha ficado 15 dias em Paris e estava de malas prontas para Israel. E andando de ônibus. E eu sei que de um jeito ou de outro, ela me deseja sucesso nas minhas futuras aventuras como jornalista.
E assim eu fui para mais um dia de estágio. Levando no bolso a mensagem que peguei na bolsa dela. E no rosto um sorriso sincero. Olhei para o céu e sorri. E pedi que aconteçam mais e mais e mais vezes. E que, por favor, eu esteja sempre de olhos abertos, ouvidos aprumados, mas, principalmente, com o coração leve para poder desfrutá-los. Papai do céu, obrigada. Tu sabes que é disso que eu gosto. E que sou feita de amor, amor e mais amor.

"Exercício para melhorar o humor:
- Olhar com humor por tudo o que estiver na frente (ex: na cozinha, no quarto, no jardim).
Quando estiver lavando a louça, alimentando o cão, limpando algo (ex: a casa), lavando a roupa.
Olhar sempre com bom humor as tarefas.
Olhar o mundo com olhar cintilante.
Aceite as pessoas como são. Assim será mais fácil conviver e ser feliz."

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Fecha parênteses

Como era de se esperar, termina por aqui a rápida - mas intensa - participação acadêmica no Multicromática. Eu adoro estudar Comunicação Social - Jornalismo; ter aberto um espaço para ele aqui no meu blog foi, logo, uma honra.
Gostaria de agradecer ao colega Henrique Bettiato Zattera, que me aguentou nas aulas e durante a produção dos textos em dupla. Obrigada por não me deixar "viajar" demais. E desculpa a minha instabilidade emocional dos últimos dias. Modéstia à parte, nós arrasamos! ;)
Também agradeço a professora Valneide Luciane Aspiroz, da disciplina de Língua Portuguesa - CS II 2013/02, por ter me proporcionado muitas oportunidades para crescer e aprender ao longo do semestre. Com toda a certeza, a disciplina me marcou de um jeito todo especial. Mesmo que, por algumas vezes, de modo amedrontador. Afinal, falar sozinha na frente de mais de 40 pessoas não é tarefa fácil. Mas são os desafios que dão graça à vida.
Obrigada também à Universidade de Caxias do Sul, por me proporcionar experiências inesquecíveis e aprendizados para a vida.
E que venham mais alegrias, sempre mais!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Portal Frispit

      Já que estamos falando sobre o universo acadêmico que envolve os cursos da área de comunicação social, nada melhor do que inserir neste breve espaço aqui disponibilizado para ele o amado e idolatrado Frispit, o Portal do Centro de Ciências da Comunicação da UCS. O portal é dividido em três partes: online, WEB TV e WEB Rádio. Os estagiários, alunos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Fotografia, são os responsáveis por todo o conteúdo que vai ao ar no portal. É claro que contamos com a supervisão de professores e técnicos, os quais estão sempre atentos para que tudo dê (mais que) certo. 
       A galera do jornalismo fica com a parte de escrever as matérias, assim como desenvolver e colocar em prática toda a programação da Frispit Rádio, sem esquecer do pessoal que faz bonito na Frispit TV. Para ouvir a rádio e a sua programação ao vivo, é só clicar no play e para assistir aos programas da TV é só acessar o canal FrispitWebTV no Youtube. Já os acadêmicos da área da publicidade ficam com a parte de arte, design gráfico e a identidade visual do portal. E, modéstia à parte, eles arrasam. O pessoal das câmeras Nikon e Canon são os fotógrafos estagiários oficiais e também dão um show. E como o pessoal da comunicação adora um evento bem organizado, essa parte fica com os estudantes de Relações Públicas.
       Nosso foco é o que está acontecendo na UCS e na cidade de Caxias do Sul, também dando espaço a toda a região da Serra Gaúcha. Eventos acadêmicos, culturais, políticos e o que julgamos interessar e importar a nós e aos nossos leitores, espectadores e ouvintes faz parte do nosso script. O Frispit Portal é um portal amador, afinal é feito por estudantes, mas com cara de profissional. Esse "detalhe" é bastante enfatizado pelos professores e técnicos que nos acompanham. Os alunos, e eu como estagiária da Frispit Rádio estou incluída nisso, dão o seu melhor para tornar o Frispit Portal cada vez melhor. 
      E, como não poderia deixar de ser, estamos em todas as redes sociais. Curta a nossa fanpage Frispit Portal,  para ficar por dentro de todas as novidades e também siga a nossa arrobinha @FrispitPortal. Sem esquecer do nosso e-mail portal@frispit.com.br que está sempre esperando a participação e a contribuição de vocês. Enjoy! Porque aqui o discurso é livre! ;)

Fonte: Google

domingo, 7 de julho de 2013

O hoje que será amanhã?

      Na última quarta-feira, dia 03 de julho, a banda Detonautas divulgou no YouTube o videoclipe da música "Quem é você?". A canção foi composta em 2012, mas é muito coerente com o atual momento do Brasil, em que milhares de pessoas têm ido às ruas para protestar. "Enquanto isso, numa casa abastada, uma família reunida assiste TV e fala mal de quem tá na rua enfrentando e dando a cara pra lutar contra a situação", diz um trecho da música. 
      A letra de "Quem é você?" toca em vários pontos mencionados pelos manifestantes do país. Estão em pauta na canção a desigualdade social, a guerra entre os traficantes com a polícia, as drogas lícitas e ilícitas, o excesso de impostos e a situação dos aposentados, entre outros temas. No final, Tico Santa Cruz e cia aparecem em Brasília, em frente ao congresso, segurando um cartaz que pergunta "Quem é você?".

Trecho: Enquanto isso numa casa confortável/ Uma família abastada reunida assiste televisão/ E praguejando fala mal de quem/ Esta na rua dando a cara pra lutar contra a situação!


Fonte: http://multishow.globo.com/musica/noticias/detonautas-lanca-clipe-para--quem-e-voce-/

sábado, 6 de julho de 2013

O ontem que ainda é hoje?

       A música Cálice, lançada por Chico Buarque em 1973, faz alusão a oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”. Para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Para os ditadores, a morte era uma forma de silêncio. A partir disso nasceu a ideia de Chico Buarque: explorar a sonoridade e o duplo sentido das palavras “cálice” e “cale-se” para criticar o regime instaurado. A canção foi escrita por Chico Buarque e Gilberto Gil. A interpretação contou com a participação de Milton Nascimento. Um clássico extremamente atual.

Trecho: De muito gorda a porca já não anda (Cálice!) / De muito usada a faca já não corta / Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!) / Essa palavra presa na garganta


sexta-feira, 5 de julho de 2013

O som ao redor - As revoltas de junho e os ventos conservadores no caminho de Dilma

Por Fernando de Barros e Silva

     A popularidade de Dilma Rousseff está em declínio. Ouvidas em retrospecto, as vaias dirigidas à presidente na tarde de 15 de junho, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, soam quase como um hino de abertura, uma espécie de trilha sonora para as revoltas que já então ganhavam força pelo país.
       Àquela altura, ainda não estava clara a conexão entre o protesto ruidoso da elite branca que chegou a pagar 300 reais para ver o Brasil derrotar o Japão e a onda de insatisfação que se espraiava pelas cidades, tendo como epicentro a atuação do Movimento Passe Livre em São Paulo – tudo por causa de 20 centavos.
       Quarenta e oito horas depois que Joseph Blatter cobrou, em portunhol canhestro, “respecto e fair play” das arquibancadas na capital, foi como se a vaia ecoasse pelos quatro cantos do país: mais de 250 mil pessoas saíram de casa para protestar. Todos os políticos acordaram menores do que tinham ido dormir na véspera, mas quem entrava no olho do furacão com a nacionalização da revolta era a presidente da República. Não foi bem Dilma, “a presidenta”, quem passou ao centro do tiro ao alvo, mas a chefe do Executivo, a figura que encarna o poder e está à frente do sistema político contra o qual as pessoas decidiram investir.
       Surgiram, então, o clamor antipartidário, o fervor nacionalista, o pessoal do “gigante que acordou” e que é “brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, sem ou com violência. Todos durante algum tempo misturados e protegidos sob o guarda-chuva aberto pelo MPL.

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Fonte: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-82/chegada/o-som-ao-redor

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Maria vai, cada vez mais, com as outras

        Nunca o ser humano viveu tão rodeado de informações e, inevitavelmente, de diferentes opiniões como na contemporaneidade. As últimas lotam as atualizações das redes sociais – ferramentas essenciais para esse “boom opinativo”. Somos expostos a incontáveis “eu acho” ao longo de um só dia. São tantos posts que, muitas vezes de forma inconsciente, acabamos perdendo o controle sobre nossa própria opinião. Mas será mesmo que somos seres tão vulneráveis?
O Homo sapiens nasceu para viver em sociedade e isso implica em desejar – e até mesmo lutar – pela sua aceitação e interação social. Necessitamos do calor e da segurança do grupo para relaxarmos e vivermos em paz. É fato, também, que, em geral, não lidamos bem com a pressão. É necessária muita força de vontade e crença nos próprios ideais para não sucumbir ao primeiro ultimato. Dotados de pouca paciência – virtude em extinção – deixamo-nos levar pelos pereceres alheios com uma facilidade muito maior do que imaginamos.
Por outro lado, há o paradoxo de que jamais houve tantos meios para expressarmos aquilo que sentimos e pensamos, ou seja, mostrarmos nossa individualidade. Em momento algum, apenas 140 caracteres significaram – e repercutiram – tanto. Somos livres para dizermos o que bem entendermos, porém criticamos os demais que agem da mesma maneira. A verdade é que estamos perdidos em meio ao turbilhão de novidades – e seus prováveis julgamentos – a que somos ininterruptamente submetidos. Nossas opiniões, e futuras ações, são, muitas vezes, vítimas desse emaranhado de críticas, sendo elas consistentes ou não. 
Escolher um culpado para esse caos de colocações, fator que nos faz confundir qualidades e defeitos, não é o caminho mais correto e benéfico a seguir. Uma vez “respirando” tecnologia, não podemos fugir de tal cenário. A “solução” para, talvez, regressarmos ao nosso eu, onde está guardada a nossa essência, é o autoconhecimento. Livrar-se da inquietação exterior para embarcar nas aventuras interiores. São elas que nos fazem perceber o que gostamos ou não gostamos. Olhar para dentro sempre foi a melhor maneira de enxergar o mundo lá fora.
Fonte: Google

*Este artigo de opinião foi realizado como uma atividade de avaliação na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Extinção do Silêncio

      Viver em uma grande metrópole é o desafio do momento. A poluição sonora é uma companheira inseparável de todos que estão inseridos nesta loucura conhecida como contemporaneidade. E o silêncio, onde está?
Um apartamento na cidade de São Paulo foi cenário para um crime, onde a causadora era, justamente, a busca pelo silêncio. Segundo informações da Guarda Municipal de Santana de Parnaíba, município da Grande SP, Vicente D'Alessio Neto, 60 anos, matou o casal de vizinhos, Fábio de Rezende Rubim e Miriam Anstalden Baida, por ter se irritado com o excesso de barulho vindo do apartamento superior.
O fato ocorreu quando o idoso que assistia TV se incomodou com o volume da discussão no apartamento vizinho. Buscando tirar satisfações, dirigiu-se ao andar de cima, portando uma arma. Assim que Fábio abriu a porta, Vicente deferiu os primeiros tiros contra o homem. Miriam, que vinha do quarto da filha, foi a segunda vítima dos disparos. O casal morreu na hora e o idoso se suicidou no elevador. 
Percebe-se que o ser humano necessita de silêncio para uma homeostase psíquica. Uma das formas para alcançar esse equilíbrio emocional, tão importante nesse cotidiano estressante, é a meditação. Essa prática budista é um ótimo auxílio para alcançar a quietude. Praticantes da yoga também relatam que essa atividade, baseada no silêncio e na introspecção, proporciona benefícios relevantes.
Com o intuito de chamar a atenção da população para a importância do silêncio – e de suas reflexões – comemora-se no dia 07 de maio o Dia do Silêncio. Em tempos onde o limiar auditivo é atingido diariamente, é vital ter momentos de silêncio para que o sujeito tenha uma convivência saudável consigo mesmo e com a sociedade. Shhh...

Fonte: Google

*Este relato de fatos foi realizado juntamente com Henrique Bettiato Zattera como uma atividade acadêmica na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

sábado, 29 de junho de 2013

Por uma legião de amor

     Cinco minutos antes da sessão começar, comprei os dois ingressos para assistir o filme brasileiro do momento. Depois de comprar uma pipoca média e me assustar com o preço pago por ela, minha irmã e eu rumamos à escuridão luminosa da sala de cinema. Sentamo-nos nos nosso lugares; só nos restaram poltronas baixas por conta de nosso quase atraso. Passadas a expectativa e a impaciência dos trailers, o longa Somos Tão Jovens enfim “tomava conta” do cinema quase lotado. 
O astral de Renato Russo começou a ser sentido já na abertura do longa. Cada nota da música Tempo Perdido parecia nos convidar a entrar no clima de paz, amor e muita revolta que o filme retraria a seguir. Arrepiar-me foi inevitável. Quando a trilha cessou, apareceu o adolescente (in)comum de Brasília no comando de sua bicicleta. Parecia não só pedalar, mas inspirar toda a vida que existia ao seu redor, desejando levá-la consigo. De repente, o garoto CDF cai. Meses na cama seriam necessários para ele se levantar novamente. Era mais um dos tantos desafios impelidos a ele por essa doce – e também amarga – vida. 
Intensidade talvez seja a palavra-chave da trajetória de Renato Russo; revelou-se portador de uma alma inquieta, mas não menos meiga. Esse jovem de espírito não se contentava com pouco, não vivia pouco. Repelia toda e qualquer forma de falsa segurança, afinal, na vida sempre vale a pena arriscar. O eterno ídolo dos anos 80 tinha a ânsia de mudar o mundo, tocando o coração das pessoas com as suas melodias. Ele possuía aquilo que hoje nos falta de uma maneira quase assustadora: ele exalava esperança. 
O vocalista da lendária e insubstituível Legião Urbana acreditava que nem tudo está perdido. Ele sabia que despertar o amor que existe em cada um de nós é a chave para dar um jeito nessa sociedade doentia que há tempos existe – e persiste. O música serve de inspiração tanto para mim, uma jovem universitária, como para meus pais e meus futuros filhos. Sua crença não tem idade, uma vez que ele acreditava no sonho, o qual é, por muitas vezes, tristemente desprezado. Mais do que isso, ele acreditava na realização daquilo que faz o nosso coração bater mais forte. Esta coragem é um dos segredos do seu sucesso, enormemente merecido. 
Renato Russo despertava o lado bom do ser humano, o filho da ditadura acreditava no futuro da nação. Suas canções ainda vivem entre nós pelo simples fato de que todos nós portamos essa mesma essência amorosa. Basta deixá-la florescer e mostrar o seu belo poder transformador. Sem dúvidas, será um belo espetáculo
Fonte: Googele

*Esta crônica foi realizada como uma atividade acadêmica na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A Verdadeira Idade do Problema

      Gostaria que meu filho, ao completar 18 anos, tivesse raspado os cabelos por ter entrado em uma faculdade e não por ter entrado no presídio. Isso, infelizmente, está se tornando uma realidade brasileira, onde se está perdendo o controle sobre a criminalidade juvenil e se distanciando das perspectivas de uma possível mudança. Entre prós e contras, está a busca de uma melhor solução.
A prisão é uma medida muito cômoda para quem está no comando, onde todo o problema se resolve atrás das grades. A longo prazo, isso não surte efeito algum. Pelo contrário, as consequências podem ser prejudiciais para o futuro de quem ainda está descobrindo suas próprias possibilidades. A exemplo da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA), que não demonstra resultados de reeducação, mas sim, de um condicionamento punitivo aos internos, fica claro que esse não é o melhor caminho a ser seguidos.
No entanto, os defensores da redução da maioridade penal asseguram que encarcerar garotos de 16 anos acarretará na queda do número se infratores dessa faixa etária. Acreditam também que, no momento, a solução mais rápida e eficaz para a diminuição da criminalidade seja, realmente, mandá-los para prisão como forma desesperada para excluí-los do meio social. Uma vez, essa solução surtindo efeito, ou seja, não diminuindo os índices da delinquência juvenil, será preciso levar a maioridade penal a idades mais baixas. É inconcebível, logo, que uma criança de 14 anos, se seguida a proporção, seja incriminada da mesma forma que um adulto.
Sabe-se que em países mais desenvolvidos a maioridade penal é inferior à do Brasil, porém além de as leis serem aplicadas corretamente, há um forte investimento na educação básica. Isso demonstra que eles evitam problemas posteriores, garantindo uma formação sólida desde a primeira infância. Por conseguinte, o Brasil deveria se espelhar nessas nações que compartilham a ideia de Pitágoras: “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”

Fonte: Google

*Este artigo de opinião foi realizado juntamente com Henrique Bettiato Zattera, como uma atividade acadêmica na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Abre parênteses...

A partir de hoje, o Multicromática vai deixar de lado a função de só ser a minha válvula de escape ou o meu bode expiatório. Como bem diz o título, hoje eu abro um espaço especial por aqui e deixo penetrar um pouco da minha - contente - vida acadêmica por entre o clima romanesco dos meus textos. 
A criação de um blog faz parte da avaliação da disciplina de Língua Portuguesa CS - II, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz, que eu estou cursando no período 2013/02. A matéria faz parte do currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul. Portanto, sabem o clichê bacanérrimo de unir o útil ao agradável? É bem por aí.
As produções acadêmicas que aqui serão postadas estão divididas em três gêneros: artigo de opinião, crônica e relato de fatos. Elas foram produzidas de acordo com as normas gramaticais e contemplam a linguagem formal. Os textos têm um perfil mais sério, digamos assim, se comparado aos meus posts costumeiros. Estou livre para postar imagens, vídeos e o que a minha imaginação deixar fluir, desde que tudo faça sentido.
Passadas as participações universitárias, o blog volta a sua "programação normal". Cheio de cores, espero. Ah, e amores também.

domingo, 2 de junho de 2013

Abraça-me


Ontem eu vi que me faltam abraços. Percebi que a minha vida é pobre quando se trata de abraços. Culpa minha, dos outros, do mundo. O fato é que eu abraço pouco. De vez em quando. Lembro deles bem menos do que gostaria nas minhas memórias. Poucos abraços, poucas pessoas. Nesse quesito, estou mais do que abaixo da linha da pobreza. E o estranho é que um abraço não custa nada. É de graça, totalmente de graça. E ainda reverbera em sorrisos, espalhando coisa boa. Como só fui perceber ontem que me dói muito não abraçar e não ser abraçada? Triste, mas antes tarde do que nunca. Isso de abraçar pouco e abraçar mal acontece desde sempre, mas uma hora a ficha cai. Cedo ou tarde, a luz pisca e nos alerta que estamos perdendo preciosidades e que o tempo para recuperá-las é agora. Hoje.
Ontem eu vi que falta me abraçar mais. Sim, estou falando desse tal encontro entre eu e eu. E mais meus outros infinitos 'eus' que me compõe. Tudo tão complicado e tão lindo ao mesmo tempo. Eu mesma não me abraço, não me aninho em torno de meu corpo e da minha alma. Eu própria esqueço de me acarinhar do jeito mais quente e sincero que existe. Eu inconscientemente mascaro minha beleza e não a deixo me envolver. Abraçar-me é deixar ser como sou, do jeito que sou, do jeito que gosto de ser. Eu me enlaço em meus medos em vez de me enlaçar em meus sonhos. Dou força para quem deveria desaparecer, enquanto quem tem de crescer permanece pequeno. Vi que está passando da hora de abraçar forte a parte linda de mim e da minha vida.
Ontem eu vi que às vezes eu me esqueço de abraçar a vida. De tratá-la da forma como ela deve ser tratada. De ter calma, de não pensar que tudo está errado, que a maré não vai abaixar, que a flor não vai se abrir e que o sol não vou voltar a sorrir. Em meio a minha instabilidade, eu esqueço que um abraço também cura. Sara a alma dolorida, ajuda a cicatrizar a angústia insistente, faz sorrir o coração. Um abraço é tão bom e faz tão bem que chega a ser crime não (o)usar de seus belíssimos efeitos colaterais. Abraço é carinho. O meu, o teu, o nosso, o do mundo todo. E eu estou precisando dele, não tenho vergonha de pedir. Feio seria dizer que eu me viro sozinha, só com o meu abraço. Não, eu quero mais. Meu ser pede mais.

Vem e me abraça. Vem e me deixa abraçar. Vem e me deixa viver no nosso abraço.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Fome... De quê?


Eu tenho fome, mas não sei de quê. Estou suspeitando que seja fome de vida. Gula de sorrir, amar, vibrar, beijar, pulsar. Eu já não sei se prefiro a vida mais gelada ou mais quente, saindo fumaça, pegando fogo ou gelando a garganta. Perdi a noção de um e de outro. Parece que misturei o leve com o picante, e não sinto mais o gosto de nenhum. Não consigo me decidir entre o doce e o salgado. O sorriso ou a lágrima, o afago ou a distância. Eu ando confusa, indecisa, medrosa.
Certa noite, o gosto da pimenta tomou a minha língua, meu corpo, meu espírito. Na hora, virei sua defensora. Só que agora desconfio que passei a ter medo dela. Tenho medo de me queimar, de sentir a minha alma arder, de vê-la chamuscar. Apesar de saber que eu gosto de tudo que pega fogo, não sei se, após a degustação, a doída cicatriz vale à pena. Gosto do fogo-alto, da chama flamejante, que chega a dar medo e é poderosa, quase teimosa, com cara de dona de si. Só que, em um simples descuido, ela anda queimando e deixando tudo com um ligeiro gosto de brasa. Brasa essa que está tirando o gosto da minha comida, da minha vida, da minha alma.
Parece que estou vivendo em banho-maria. E eu não suporto a demora que é esquentar algo em banho-maria, uma agonia infernal toma conta de mim. Espero, espero, espero. E não sei o que esperar nem de mim mesma. Meus pensamentos viajam, voltam, dão loops e depois voltam novamente até o subsolo. Eu penso, penso, penso e quando menos espero estou transbordando, derramando lágrimas aqui, ali e onde ninguém estiver olhando. Eu penso e não resolvo nada. Eu penso e acho a solução, mas a coragem é mais rápida e já me deixou nua, de novo. E eu já não sei o que pensei que sabia.
Acho que sei o que me aconteceu e que me deixou assim, boiando em um mar de ansiedade, expectativa e talvez medo do que possa acontecer. Antes a minha vida tinha sal, açúcar, pimenta e todas as demais especiarias na medida certa, do jeito certo, como eu nunca achei que fosse possível. Ela tinha muito mais gosto, muito mais sabor, muito mais amor. Só que me foi tirado tudo isso. Ou quase tudo. Aos poucos, afastei-me e fui afastada dessa receita que me dava água na boca, força na alma. Agora as medidas estão todas atrapalhadas, eu não sei mais o quanto de cada coisa é bom para mim, preciso me reorganizar e não sei nem por onde começar. Preciso testar novas receitas com ingredientes diferentes, mas busco sempre o gosto final daquela que me tanto apetecia. Eu nunca desisto.

Eu me perdi em meio ao nosso tempero, e agora temo o retorno àquela minha insipidez.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Eu só preciso de ar

Esconder a fraqueza com uma máscara de frieza. É isso. E não sou só eu, são milhares por aí. Talvez milhões. E já foi pior, muito pior. Já doeu muito mais, já me envergonhou demais, já me fantasiei o suficiente. Não sei, posso estar cometendo um terrível engano ou posso estar culpando quem não devo, mas aprendi a ser assim. Dia a dia, como se aprende a falar, a escrever, a vencer e a perder. Foi tudo muito indiretamente, tudo muito implícito, mas foi. Mais fácil fingir do que se mostrar, mais fácil mentir para os outros do que olhar para dentro. Mais fácil encobrir do que descobrir a real causa, a raiz de tudo, o começo do mal.
O mecanismo é automático, quase imperceptível para a maioria. Só que uma vez decodificada a mensagem, não tem mais como se enganar. Fica impossível mentir para mim mesma. É simples e complexo. Quanto mais dói, mas eu pareço fria. Quando mais rasga, mais eu pareço íntegra. Quanto mais verdade, mais eu me encubro de mentiras. Quando mais fraca, mais pareço feita de ferro. Quanto mais escuro, mais acendo luzes artificiais. Quanto mais lágrimas, mais sorrisos falsos. Quanto mais insegurança, mais falsa calmaria. Quanto mais vazio, mais máscaras.
O baixo astral me rodeia, me cerca, me enlouquece. O pensamento negativo aos poucos vai corroendo a minha alma, vai sugando a minha esperança, vai escurecendo o meu céu interior. Eu, que sempre adorei me banhar com a luz do sol, deixo-me agora abater por uma nuvem cinzenta. A minha tímida, ínfima e discreta força de vontade tenta sobreviver de todos os jeitos possíveis, agarra-se a frases desse e daquele, a sorrisos de quem me faz sorrir, a devaneios que me prendem no chão. Eu acredito e não acredito, milhões de vezes em um minuto. Eu tento remar contra a correnteza, eu tento nadar contra a maré, eu tento procurar outro mar, mas eu acabo entrando no mesmo barco, ou caindo dele, ou me afogando. Talvez eu já esteja sem ar e nem tenha me dado conta. Vivo respirando por aparelhos numa vida que não é minha.
Eu quero ir embora. Eu preciso, antes que essa poluição envenene meus sonhos por completo. Antes que eu deite na cama e só enxergue pesadelos. Eu cansei desse pessimismo entre quatro paredes, de manhã, de tarde, de noite. Eu quero acreditar, eu quero me amar. Eu só quero é me ouvir, eu só quero é ser ouvida, eu só quero é ser compreendida. Eu cansei de pagar por escolhas mal feitas de quem deveria dar o exemplo, eu cansei de me culpar sem saber que estava me sentindo culpada, eu cansei de ficar na linha de guerra de uma batalha que não tem nada a ver comigo. De fingir não ouvir, mas lembrar do que foi dito. De fingir não me atingir, mas chorar antes de dormir. De fingir não sentir, mas doer muito. Machuca admitir, mas eu quero a solidão, eu quero a distância, eu quero a paz longe daqui. Estou farta de ter que reacender, sozinha, a chama vacilante da minha confiança infinitas vezes. É energia mal canalizada, que poderia estar sendo mais bem aproveitada. É algo com que eu não precisaria me preocupar, mas vira sempre o centro das atenções.

Eu cansei de me sentir sufocada ao lado de quem deveria ser o meu oxigênio.

sábado, 6 de abril de 2013

Rubor

É incrível a minha capacidade de ficar vermelha. In-crí-vel. Sempre tive esse defeitinho presente nos meus dias, desde os anos no colégio. Ele se prolongou e  hoje atormenta-me também na faculdade. Só que agora ele parece acontecer mais seguido, mais sem eu esperar, mais de improviso. É uma reação do meu corpo muito louca, verdadeira e quase sempre constrangedora. Mais uma das tantas "esquisitices" que meu querido e amado corpo é capaz de realizar. Essa "indelicadeza" ele poderia deixar para lá, mas, não, ele insiste em ser dedo-duro.
Ser tomada de rubor parece como um vulcão entrando em erupção. Em milésimos de segundo, a cor vermelha invade as minhas bochechas, deixando-as da cor do amor. Ou da dor, depende do contexto. Sinto como se o sangue que estava percorrendo as minhas veias ao longo de todo o meu corpo, subisse e viesse todo para o meu rosto. Como se o tronco deixasse de precisar de glóbulos vermelhos por uns instantes. O sangue sobe com toda a força para a cabeça e às vezes parece se infiltrar em meus neurônios e assim faz com que eles fiquem lentos, vagarosos, sonolentos. Um caos. Quase como dar um branco, só que vermelho. Por que ficar vermelha sem gaguejar ou soltar um balão nos instantes seguintes da ruborização acaba nem tendo graça.
Tudo acontece tão rápido. Parece como um orgasmo, só que a energia vem toda para a face. E não é nem um pouco gostoso. Não rola fogos de artifícios pelo corpo nem nada. Só tem o calor, que ele invade o meu corpo de um jeito que parece que vai me sufocar. Não importa se lá fora está congelando, dentro de mim eu pego fogo, eu queimo. Preciso me desfazer de jaquetas, casaquinhos, agasalhos. E essa "ebulição" acaba por atingir, além de minha face, também o meu colo. Manchas vermelhas sempre dão o ar da graça em alguma situação minimamente desafiadora. Como eu sou muito branca, o contraste fica algo não muito agradável de ver. Nessa hora, lenços são bons álibis para disfarçar, logo acima do meu sutiã, manchas de minha sempre velha e sempre nova timidez.
Não tem como resistir, não tem como impedir. É uma descarga de energia involuntária. Quando eu menos espero, ela está lá me importunando. Às vezes eu sei que ela virá, noutras eu tomo um susto. Na mesa do bar, na discussão de um trabalho em grupo na facul, na apresentação do trabalho na frente de everybody, num comentário de alguém que me pega desprevenida, numa mentira contestada... É vapt-vupt. Um segundo e meu inconsciente revela que não está confortável. Nem um pouco à vontade.
Tudo, porém, tem seu lado bom. Aqui vai minha chance de defesa ao meu enrubescimento: às vezes eu penso que talvez seja um bom sinal ficar um pimentão. Sinal de que aos poucos estou conseguindo me abrir, expor minha opinião sem tanto receio sobre o que os outros vão falar ou pensar. Talvez seja um sinal de que eu estou me arriscando mais, mesmo em situações que outros podem pensar serem banais. Para mim chega a aparecer que é sempre uma pequena vitória ficar vermelha. Tirando situações realmente desagradáveis, ela mostra que "calma aí, tu consegues". Passado o susto e o calorão, eu digo: "Consegui". E da próxima vez eu farei melhor. E depois melhor ainda. E sempre.

"Vai. E se der medo, vai com medo mesmo." E com as bochechas vermelhas.

PS: Há também quem diga que mulheres que ficam vermelhas subitamente são mais sexy. Eu é que não vou duvidar.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Crise dos 22

Eu não sei se é mais uma crise de existência me assombrando. Eu não sei se são os anúncios infinitos de cremes com colágenos que aparecem nas revistas, nos jornais, na televisão. Eu não sei se é simplesmente o medo ressurgindo mais forte das cinzas da minha alma. Eu não sei se é mais um dos reflexos do meu complexo de inferioridade. Eu não sei se é a lua do meu signo que está em uma posição desconfortável diante do meu ascendente. Ou se é o condicionamento dessa sociedade medíocre que está me atormentando. Eu não sei. Eu só sei que eu entrei em paranoia depois de fazer 22 anos, há pouco mais de um mês. 
Sério. Eu penso nisso muito mais do que eu deveria pensar. Mando meu cérebro desligar esse pensamento, mas ele volta. E então eu penso de novo, e de novo e de novo. Penso que eu já estou com 22 anos. O número é bonito, mas não passa disso. Eu sei. Sei que é tão ridículo que eu chego a ter vergonha de contar. E de sentir isso. Eu queria poder contar só para a minha psicóloga. Ela me ouviria e eu não precisaria me expor. Só que as circunstâncias não me deixam. O jeito é recorrer às palavras, ao alívio de jorrar letras e fonemas e hiatos e vírgulas e reticências para me sentir melhor. Ou para me sentir menos estranha, menos sozinha, menos incompreensível. Escrever também é para isso.
Eu tenho a sensação de que a minha vida está escorrendo pelas mãos e eu não estou aproveitando. Eu sinto um aperto no peito e parece que eu deixei o tempo passar e agora ele está correndo contra mim. Olho para o relógio e ele parece exclamar que o meu tempo está diminuindo. Ele está findando, vagarosamente, mas está. Uma voz grita dentro de mim, forte e alta, ecoando que eu fiz pouco, muito pouco, quase nada e agora já estou na casa dos 22 anos. Mais oito e eu chego aos trinta anos. Meu deus, meu deus, meu deus. Por que diabos essa sensação está se apoderando de mim? Go away, now, please!
Fico não querendo acreditar que o tempo está passando e que eu ainda tenho muito que fazer. Eu tenho medo que não dê tempo de viver e eu alcançar tudo o que está na minha lista imaginária de metas. Parece que eu não quero aceitar o fato de que estou crescendo. A verdade é que eu não quero virar adulta, não quero deixar de ser jovem. Parece que com 21 eu era mais moleca, mais criança, mais adolescente. Não quero deixar toda a adolescência e a minha rebeldia tardia para trás. Desconfio que esse seja o ponto principal: minha rebeldia tardia. Eu demorei a ver que eu precisava gritar para ser ouvida, agora tenho medo de não poder mais fazer isso. Tenho medo de parecer ridícula ou de não ter mais forças. Não quero sair da roda da galera. Não quero o formal, prefiro o informal. 
O louco é que eu sei. Eu sei que eu recém comecei a viver e já estou pensando que se passou muito tempo. Guria, calma na alma: mal e mal passou 20 anos da tua história. Eu tenho uns 60 anos pela frente ainda (não é, anjinho da guarda?). Também sei e tenho plena consciência que fiz coisas e aprendi muito mais nessa minha pequena vida do que muita gente com 40 ou 50 anos de idade aprendeu ou fez. Várias vezes me pego pensando que se eu morresse amanhã a minha vida teria valido a pena ou não. A resposta que me vem à cabeça é que sim, ela teria valido à pena. Com certeza. Só que eu quero que ela valha muito mais à pena, que me deixe sem fôlego quando eu pensar por tudo o que eu passei.

Eu caio na contradição de que tenho pressa, mas gosto da calma. Quem me dera encontrar o equilíbrio.

quinta-feira, 14 de março de 2013

On Fire

Eu não quero para mim essa coisa de "mais ou menos". Definitivamente, não nasci para viver assim.    Se antes eu duvidava, hoje sei isso de cor. Se for para ser bom, que seja muito bom. Se for para acontecer, que seja inesquecível. Se for para saborear, que seja gostoso. Muito gostoso. Se for para viver, que seja para valer à pena. Eu experimentei assim, eu conheci assim, agora eu não aceito menos. Meu corpo não aceita, meu coração reclama, minha mente não sossega. 
Quero tremer de nervosismo. Quero suar de timidez. Quero atropelar as palavras de inquietação. Quero sentir a vodca queimar a garganta e se perder entre as minhas veias. Eu quero um toque como um choque, quero sentir me arrepiar o corpo inteiro. De frio, de calor, de expectativa. Eu quero um beijo que me faça esquecer que há vida além das nossas bocas dançando juntas. Eu quero beijar e fechar os olhos, só enxergando as nossas respirações nervosas, aflitas, quase afoitas, eu diria. Quero um olhar, que de tão intenso, me obrigue a virar o rosto para não desmaiar. Quero sentir as pernas bambas e saber que esse alguém não vai me deixar cair. Quero contrações involuntárias, quero sons involuntários, quero perder o fôlego. Quero ficar com o cheiro no corpo, com o sorriso no rosto. Com o brilho nos olhos. Quero fogo, paixão, e pode falar que é ilusão, eu não ligo. I don't care. Quero química, combustão, explosão. Eu quero uma dose extra de tesão.  
Eu quero responder, quando me perguntarem o porquê: "Eu não sei e nem quero saber, só sei que é assim que é e é desse jeito que eu gosto". Quero numa noite, toda a luz do dia. Quero aquele clima intenso e leve, misterioso e conhecido. Com a confiança quase palpável. Quero abraço quente, macio, acolchoado. Quero papo fácil, com direito a revelações que jurei nunca contar a ninguém. Coisa de pele, coisa de alma. Eu quero mesmo é pecar pelo excesso.
Utopia? Invenção? Insanidade? Não mesmo, meu bem. Coloco a minha mão no fogo por cada letra escrita aqui.

Aliás, o meu corpo inteiro já está em chamas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Ser mulher...

Eu adoro ser mulher. Eu adoro descobrir a cada dia o que é ser mulher. Eu adoro me tornar mais mulher a cada dia que passa. Eu adoro reclamar de ser mulher e depois de um segundo me arrepender de ter dito isso. A verdade é que eu gosto das complicações de ser mulher. Ser mulher é difícil, mas o fácil logo perde a graça. Ser mulher é tão bom, mas tão bom que eu nem sei direito como explicar.
Eu gosto de ser mulher e ficar uma hora dentro de uma loja provando dez vestidos para depois não gostar de nenhum e sair de lá levando mais uma calça jeans para a coleção. Ser mulher é navegar pelas vitrines virtuais e ter que se controlar muitíssimo para não clicar em "comprar". E eu adoro ficar como uma boba olhando para as araras de lingeries e me imaginar vestindo-as. Mais ainda, gosto de imaginar ele as tirando de mim. Eu adoro perder tempo escolhendo o esmalte na hora da manicure. Porque um vermelho tomate é muito diferente de um vermelho sangue. Eu amo ser mulher e usar aquele salto 15 li-ndo-de-mor-rer e depois de meia hora de festa me arrepender de ter ido com ele. Ser mulher é depilar a virilha com cera quente pensando naquele pedaço de torta de chocolate, para ver se a dor é psicológica. 
É uma delícia ser mulher e poder rir como uma louca e chorar como uma louca em questão de cinco minutos e dizer que a culpa é da TPM, mesmo que falte muito ainda para a gente menstruar. Ser mulher é não querer admitir para si mesma que está se apaixonando ao mesmo tempo em que quer gritar para o mundo todo ouvir que o corpo inteiro se encheu de borboletas. Ser mulher é querer ser direta com indiretas. Não pensem que é fácil, requer muito jogo de cintura. Sei que sou mulher porque até eu mesma me confundo com o que eu quero dizer nas entrelinhas. Imaginem, então, a dificuldade deles... Dá gosto ser mulher e perceber que se é uma princesa independentemente de tudo e não precisar de príncipe, sapatinho de cristal ou fada madrinha para ser feliz. Porque a nossa história é a gente quem faz, do jeito que a gente quiser.
Eu adoro ser mulher para deitar no peito dele, me encaixar e adormecer. Não tem preço abraçá-lo e sentir que vai dar tudo certo, não importa o que aconteça. Adoro ser mulher e perceber que eles já não nos acham tão frágeis assim, mas nunca deixam de oferecer um abraço para nos proteger do frio. Ser mulher é ser sensível para mostrar para ele que ele também é sensível, e não há nenhum problema nisso. Ser mulher é bradar para as amigas que homem é tudo cafajeste, para depois de um minuto receber um SMS do carinha e dizer que ele nem é tão imprestável assim... Ser mulher é amar e odiar e amar de novo, tudo ao mesmo tempo, tudo sempre muito intenso.  

Ser mulher é ser amor, dor, calor, resplendor. Ser mulher é ser invencível, mas não dispensar a mão do outro para nos ajudar a levantar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

(In)Sanidade


Eu preciso de mais segundos de insanidade sana. Ou de sanidade insana. Dá na mesma, whatever. Meu ser tem sede de mais segundos de coragem. Mas não é qualquer coragem. É aquela coragem louca que parece afastar todo o meu medo. Manda ele para muito longe, quase faz parecer que ele nunca esteve dentro de mim. São instantes preciosos. Preciso aproveitá-los ao máximo. Do jeito que eu sou, se eu não aproveitar esses décimos, centésimos e milésimos de segundos, nunca mais digo o que eu queria dizer, faço o que eu queria fazer, sinto o que eu queria sentir. Eu deixo para lá, deixo para o próximo momento de frenesi libertador. Só que às vezes isso pode demorar bem mais do que a minha vida gostaria...
Parece que a mente desliga, que só o coração me guia naquele momento. Nada mais importa, o relógio continua a andar, mas eu já não me importo, já não presto atenção. Só a vontade que cresce e cresce, vontade de arriscar e ver o que vai dar. É nessas horas que eu ajo, é nessas horas que eu me mexo, é nessas horas que não tem jeito de eu ficar parada. Eu sei bem, e aqueles que estão próximos também, da minha dificuldade de realmente chutar o balde, sem me preocupar com o estrago que a água que cairá dele pode fazer no que estiver ao redor. Devagar, lentamente, eu vou melhorando, tomando coragem. O empurrãozinho, porém, parece ainda essencial, quase vital. Quase sempre vem dos outros, mas aos poucos começa a vir de mim. A passos lentos, mas começa.  
Um segundo de uma loucura límpida e eu pedi demissão do emprego que me dava dinheiro, mas me tirava a inspiração. Um segundo de uma lucidez ensolarada e eu decidi trocar de curso da faculdade e dar um novo sentido a minha existência e uma chance ao meu talento. Um segundo de um blackout nos conselhos da razão e eu apertei o enter e enviei o e-mail, com um sorriso no rosto e o coração disparado. Um segundo de uma coragem perfumada e eu coloquei aquela carta no correio, sabendo que agora não havia mais jeito de voltar atrás. Um segundo de iluminação e eu mudei a minha vida.
E se eu tivesse ficado parada? E se eu tivesse ignorado essa combustão que se forma em mim nesses momentos a ponto de eu explodir se não colocar para fora e fazer o que tem de ser feito? E se eu tivesse dado bola só para a razão? Sinceramente, não quero nem saber o que teria acontecido. Tenho medo. Só sei que não adianta pensar e não agir, Pri. Não adianta pensar em fazer, mas não fazer e depois se arrepender. Acho que eu estou começando a gostar desse negócio de arriscar... Vamos ver no que vai dá.

Talvez esses segundos, no fundo, se traduzam em atitudes. E é delas que a vida é feita.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Happy Birthday to Me!

Eu nunca sei se eu rio ou se eu choro no dia do meu aniversário. Na dúvida (porque sempre tenho medo de escolher errado), acabo fazendo os dois. Na verdade, não tenho escolha. Acontece, é involuntário, o coração manda e lá vai. Enquanto os meus lábios se curvam para cima, uma gotinha salgada desce pelo meu rosto. Ao mesmo tempo em que bato palmas, minha camiseta se mancha com um pinguinho, uma lágrima que escapou. É estranho, é doce, é amargo. É louco.
Sorrio porque fazer mais um ano de vida é sempre legal, significa que estamos aí, no sol e na chuva, no inverno e no verão, sempre em frente. Aniversário é algo para se comemorar, independente se for um aninho de idade ou cem anos de uma longa vida. É sempre hora para abrir um espumante e brindar que estamos aqui pulsando.
Mas é que eu também sinto vontade de chorar no dia em que sopro as velinhas. Isso acontece há alguns anos já... Acho que talvez seja porque eu não sopro mais as velinhas. Não tem mais bolo em cima da mesa com elas lá, todas coloridas, para eu fazer um pedido e assoprar. Não comemoro mais aniversário como criança comemora aniversário. Com direito a balão, chapeuzinho e negrinho. Eu acho que eu tenho é medo de me afastar cada vez mais da idade em que sorrir para todo mundo não é considerado loucura.
A verdade é que eu transbordo nostalgia no dia do meu aniversário. Ela me invade enlouquecidamente. Eu sinto saudade do tempo que passou, eu sinto saudade do que ainda não passou e nunca sei se estou realmente vivendo. Tenho medo de passarem os aniversários e a vida passar junto, sem nem eu notar. Não quero isso, deusmelivre! Em cada 19 de fevereiro marcado no calendário, fica marcada também a sensação de que eu poderia ter vivido mais nesse último ano. Ou então sinto que vivi muito e tenho medo de que no próximo as coisas não serão tão divertidas. Seria cobrança demais? Medo demais? Emoção demais e razão de menos? Eu não sei.
Eu acho que eu vejo o meu aniversário como um despertador, que uma vez por ano vem me avisar que é preciso viver a vida, intensamente, porque o relógio do tempo não para. Aliás, ele corre, como um louco desvairado ultimamente. O meu aniver está aí para mostrar que a vida é para correr atrás dos meus sonhos, que ela vai, mas eu posso decidir como quero que ela esteja quando meu aniversário chegar no ano que vem. Ele chega para me dar conta do que eu fiz e não queria ter feito e do que não fiz e deveria ter feito.

O dia do "Parabéns a Você" é uma comemoração da vida que passou e um pedido de emoção para a vida que virá.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mania de Pequenez

Tanta gente pequena com essa tal mania de grandeza. Tanta gente de letra minúscula se achando letra maiúscula. Tanta gente anã se achando gigante.  Tanta gente transbordando autoconfiança e eu mendigando amor próprio. Tanta gente que se acha e não é. Tanta gente... E eu aqui, com essa mania de pequenez. Com essa maldita mania de me achar pequena, de me diminuir, de me sentir a formiguinha no meio de um formigueiro que parece me engolir.
Teria sido melhor eu ter vindo ao mundo com essa mania de grandeza como muita gente por aí. Pelo menos eu pensaria que eu sou melhor do que eu realmente sou. Não o contrário, que eu sou pior do que eu realmente sou. Seja em pequenas ou grandes quantidades, essa percepção de mim mesma pode ser (e é) devastadora. Acho que quando Deus me fez, colocou modéstia demais na minha mistura. O resultado é que eu acabo negando não somente para os outros que eu sou boa, mas para mim mesma.
Céus, por que eu me 'autoboicoto'? Por que lá no fundo eu continuo acreditando que eu não sou capaz? Por quê? Já não bastam todas as críticas alheias, eu faço questão de me machucar com as minhas próprias. É muita burrice, idiotice, maluquice, estupidez? Eu não sei... Deve ser tudo isso. Que inferno! O meu diabinho está conseguindo derrotar o meu anjinho... Por que eu não consigo acabar de uma vez por todas com essa insuportável mania de me menosprezar? O que está me impedindo? Respostas logo, pra ontem, please!
Pode parecer ridículo, mas dia por dia, hora por hora, minuto a minuto eu preciso me lembrar de que eu vou chegar lá, que eu vou vencer, que eu sou (muito) boa no que faço e que se eu me esforçar, vou ir muito além do que imagino. O problema são sempre as recaídas, sempre elas me aterrorizando. Eu sei que eu sou forte, só falta acreditar de verdade nisso. E nunca mais duvidar. Chega disso, pô, chega desse mimimi. É ridículo, guria, acorda. Se olha no espelho e se ama. Ergue esses ombros, levanta a cabeça e acredita: cada um é do tamanho que imagina ser.

'Chegou a hora de ser maior que as muralhas.'

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Should I give up?

Chega uma hora em que é inevitável pensar se eu não estou errada mesmo. Sabe, de tanto ouvir um blábláblá a gente vai acreditando que pode ser realmente verdade. Vem a minha mente se seria verdade que eu fiquei louca há muito tempo e estou vivendo fora dessa realidade aonde a grande maioria vive. Se eu criei um mundinho divertido irreal para eu morar e agora estou sendo obrigada a desmoroná-lo. Fico pensando se eu não continuo contra todos por pura teimosia, por pura cisma. Afinal, concordar com tudo é muito chato. Será que eu quero provar para todo mundo que eu consigo essa? Que a minha autoestima precisa vencer essa? Que eles não estão certos, de maneira nenhuma, apesar de morrer de medo que eles estejam realmente com a razão? Com todos contra mim, eu pareço a burra do pedaço, a idiota de coração mole, de miolos que não funcionam bem.
Eu gostei do teu perigo e da tua calma e agora não quero mais minha vida sem eles. Pelo menos por enquanto, deixa assim... Eu curti ser do contra, sentir minhas bochechas pegando fogo quando os outros falam como se estivessem no século passado e eu começo a retrucar com vontade de mostrar que, hello!, o mundo mudou. Será que eu tenho que voltar no tempo também e apagar tudo o que eu li, aprendi, vivi e senti? Será que eu consigo ir para frente levando comigo o pensamento de antigamente? Isso parece um pouco contraditório, um pouco paradoxal. Só que quase todo mundo vive assim e eu não sei se tenho forças de continuar tentando o diferente. Às vezes é bastante cansativo... Às vezes bate aquela vontade de jogar a toalha e exclamar: 'Ok, vocês venceram. Podem comemorar'. Para em seguida eu ir chorar escondida no banheiro, sentada no vaso, despedaçada.  
Eu não sei se eu consigo. Eu não sei se eu quero. Eu sei, eu não quero, mas dizem que eu deveria. Só que dói demais, demais, demais, demais. Parece que eu vou evaporar, parece que a vida vai sair de mim e nunca mais vai voltar do mesmo jeito, com a mesma intensidade das cores, o mesmo perfume gostoso, o mesmo sabor de chocolate. Parece que eu vou existir, e não viver, do jeito que eu estava acostumada. Muito mal-acostumada. Parece que meus olhos vão perder o brilho não vendo mais o brilho dos teus. E quando o olhar perde o brilho, a vida perde a graça.

Parece que eu tenho que acordar do meu sonho, do meu lindo sonho. Só que a vida real é dura demais.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Fail

Eu estou há um mês com o rascunho do post criado e não consigo sair da primeira linha. Já mudei de assunto umas três vezes. Ninguém merece. Primeiro eu ia falar sobre as minhas metas não cumpridas de 2012, mas depois fui olhar melhor a minha lista e vi que não foi tão ruim assim, até que cumpri metade delas. Ok, a mais importante eu não consegui, mas isso não vem ao caso. Em 2013 eu consigo. Então, perdi a vontade de delatar as minhas conquistas e as minhas derrotas pessoais.
Depois veio o Réveillon e eu comecei a escrever sobre o fim de 2012 e o começo de 2013, redigi que não tinha mais como voltar atrás e que agora esse ano tinha começado para valer. Mais uns blábláblá sem importância. Também não senti firmeza e deixei essas letras mofando por aqui. Sem vida, sem cor, sem ar. Essas frustradas tentativas resultaram em um mês sem postar nada aqui no Multicromática. Que merda.
"Sei lá, sei lá, sei lá... A vida é uma grande ilusão..."
E agora estou aqui tentando postar alguma coisa de uma vez por todas para eu não enferrujar de vez. Várias vezes já li que a página em branco que insiste em continuar em branco pode acontecer com qualquer mero mortal. É, acontece.
Tem gente que diz que tristeza é inspiração. Com alguns poetas e escritores e gente cult até pode ser, até pode funcionar perfeitamente, mas comigo isso não acontece. Bom seria! Eu perco toda e qualquer vontade de escrever quando as coisas estão ruins ou bem mais ou menos... Porque parece que tudo vai ficar uma porcaria, uma droga, um texto sem vida. Sei lá.
Não gosto de escrever com lágrimas molhando o teclado ou a folha. Elas vão borrar tudo. Eu prefiro escrever sorrindo e rindo para o caderninho, para a tela do computador. É muito mais inspirador. Talvez também eu sempre ache que as minhas dores não são tão importantes, que as pessoas sempre têm algo mais importante para pensar, para fazer, para se preocupar. Eu sempre acho que eu vou incomodar. Melhor deixar para lá e tentar resolver comigo mesma. Engano meu...
Eu quero mais cem posts esse ano aqui no blog. Fechar 2013 com duzentos posts. Isso daria uma média de 8 a 9 posts por mês. Eu não sei se consigo... Tomara. Bom, o primeiro já foi, mesmo cheio de cicatrizes e dificuldades, o primeiro passo está dado. Agora eu só preciso continuar, sem essa de pensar que eu não vou conseguir, que não vai dar, que não vai funcionar, que eu não sou capaz. Sem essa de fail.
Afinal, desânimo não leva a lugar algum, só mais para baixo ainda.

E eu quero o topo, não quero?