sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sentada no banco dos réus

A culpa é toda minha, nem me dão chance de defesa. Nenhuma. Sequer pensaram nisso. Já está sentenciado: sou culpada por tudo. Sou eu que estou causando a discórdia naquela casa. A filha sempre tão inocente e obediente virou a ovelha negra.
Não me perguntaram o porquê do meu mau humor. Não me perguntaram o que está me deixando triste. Não me perguntaram como foram as minhas aulas de fotografia e de filosofia. Não me perguntaram como foi o final de semana. Não me perguntaram nada. E ainda acham que sabem de tudo!
Julgar é fácil, conversar é que é difícil.

Cometi o crime de tentar ser feliz.
Cometi o crime de querer descobrir.
Cometi o crime de me enxergar mulher.
Cometi o crime de não ser igual, de ser diferente.
Cometi o crime de ser eu mesma.

Eu não aceito essa sentença. Eu não aceito.
Todos acham que eu não estou sofrendo nada. O mesmo vale para a irmã menor. Estamos passando por isso como se não tivéssemos sentimentos, corações, medos, temores. 
Se casais passam por crises, estamos nós seis passando por uma. E das brabas.

Quem vai resolver?
Ou não será resolvido?
Há solução?
Há desesperança.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Uma Boba com uma Máscara Interna

Eu sou uma boba. Uma boba de amor. Ser boba é simplesmente me entregar ao coração. Talvez eu nunca tenha sido tão esperta mesmo... Quiçá eu goste mesmo de ser assim meio bobinha. Com a cabeça nas nuvens e o coração no corpo todo. O meu coração palpita desregulado, freneticamente. Ao menor sinal seu, o meu tumtum manda um impulso para os meus músculos faciais: o sorriso é inevitável. É quase como se eles ganhassem vida própria. O sorriso mais bobo, o sorriso mais sincero. Porque ser esperta quando for gostar de alguém é fazer negócio. E quem faz negócio corre o risco de ter prejuízo.
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São incríveis as armadilhas que eu crio para eu mesma enfrentar. É sempre a mesma história, sempre a mesma ficção que se segue depois de um final de semana sorridente. Passa alguns dias e eu me "encorajo". Eu me faço de forte, fingindo para o meu reflexo no espelho. Quem me dera poder fingir tão bem para as outras pessoas como finjo alguns sentimentos para eu mesma. De uma hora para outra, sou outra. Segura, despreocupada, esperançosa. Fico com um ar de "tanto faz".
Tanto faz uma pinoia. A verdade nua e crua é essa. Nem chega a doer, o pânico já se instala em mim a um resquício de pensar no fim.
Como pode... É incrível 120 km separar dois mundos tremendamente diferentes. Eles poderiam ser mais parecidos, poderiam possuir um equilíbrio entre si. Talvez assim não fosse tão difícil partir. Por que não os dois muito bons ou ótimos? Acontece que um está abaixo de zero, congelando. O outro está em temperatura ambiente, aquecendo. É quentinho, é confortável, é delicioso. Odeio voltar para o inverno em forma de apartamento.
Eu não acho que está ruim. Não!!! É exatamente o oposto. É bom demais para querer sentar na poltrona 13, do lado da janela, e voltar para a realidade.

Eu arrisco tudo e mais um pouco. Eu arrisco o que for preciso. Ops! Já perdi o controle faz tempo. Se é que um dia eu tive algum controle quando se trata de nós. Eu já joguei as cartas na mesa. Eu já desisti de ganhar o jogo. Eu nunca joguei. Eu me rendi. Perdi a razão e ganhei a emoção. Como valeu a pena. Como vale a pena. Como eu gosto, céus!

Eu não desisto de você.


sábado, 15 de setembro de 2012

No Escuro

Estou achando que prefiro a noite. Ironicamente, às vezes ela parece ter mais luz que o dia. Ela brilha junto com as suas estrelas. Ainda tem a lua, para torná-la ainda mais especial. Eu sei que não há (quase) nada mais acolhedor que o calorzinho do sol. Parece que só de ficar alguns segundos, quietinha, parada, sob o sol e o céu azul, a esperança e a serenidade já começam a me invadir. Mas o silêncio da noite não tem preço. A sua quietude é inspiradora. É quase um calmante natural. Pelo menos para mim.
O dia é muito barulhento, céus! Todo mundo grita, ninguém se entende. Eu mesma quase não me entendo no meio desse monte de gente correndo para lá e para cá. Eis a rotina: faço tudo automaticamente. À noite é diferente. Tendo cumprido ou não todas as tarefas daquele dia, a noite é a hora da calma. Não adianta mais correr, o que ficou para trás só será retomado no dia seguinte. Então é hora de relaxar o meu coração e espalhar isso para todo o resto do corpo. É a minha hora de sossegar a alma.
Quando passo de ônibus por aí à noite, na volta da aula, adoro observar a cidade quieta. Reservada. No escuro. Fico imaginando o que está acontecendo em cada casa ou apartamento onde ainda há luz acesa. Quantos estão fazendo amor, jantando à luz de velas, brigando, chorando. Fantasio sobre para onde o homem de camiseta e bermuda que caminha despreocupado está indo a esta hora da noite. Quantas histórias. Uma pena o ônibus passar tão rápido, correndo. Se tudo fosse mais seguro, eu passearia sem pressa pelas nossas ruas à noite. Com certeza, cenas interessantes - e excitantes - devem ocorrer. Essas mesmas que passam despercebidas de nossos olhos durante o dia.
Na calada da noite, o meu coração bate mais calmo.

O dia é mais bonito, mas a noite é mais misteriosa.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Minha Caverna

Quem diria que eu iria gostar das aulas de filosofia. Quem diria! Quem diria tanta coisa ultimamente...
Eu nem sabia o que era filosofia para dizer a verdade. As "aulas" do ensino médio não serviam para nada, apenas para fofocar com as gurias, fazer algum tema pendente de outra matéria ou estudar para a prova do período seguinte. Para que prestar atenção, não é? Era tudo bobagem, mesmo. Não absorvi absolutamente nadica de nada.
Amém! Nada tão eficiente quanto o tempo junto com o caminho do autoconhecimento para tudo ficar mais claro. Mais interessante e mais divertido, também.
Já havia ouvido falar sobre o Mito da Caverna de Platão algumas vezes, mas nunca havia realmente parado para ler e analisar a tão famosa história do grego. Li os cinco primeiros livros do famoso A República, mas parei antes de chegar à narração dos prisioneiros cavernosos. Se soubesse que ela estava um pouco mais a frente, teria continuado mais algumas páginas, com certeza.
Eis que eu me deparo com uma matéria de Filosofia nesse semestre e o mito aparece de vez na minha vida. Então o leio uma, duas, três vezes. Definitivamente, entrou e perfurou minhas células. Eu gostei, fascinou-me.
Disse o professor: o que é a vida senão um "entrar e sair" de cavernas ininterruptos? Talvez ele esteja certo. Nem ele sabe se está certo. Ninguém sabe.

O certo é que jamais sairemos de uma caverna sem antes percebermos que se está em uma. Como é difícil se dar conta disso, como é difícil admitir que vivemos enclausurados. Bradamos a liberdade sem saber o que ela significa, o que ela é de verdade.
Eu avistei a luz. Mesmo que tímida, ela está me invadindo. A venda dos meus olhos está caindo. Voltar para a escuridão? Jamais. Só se for para tirar outras pessoas de lá.

Mil vezes, duas mil vezes, três mil vezes, infinitas vezes uma aula de filosofia a uma aula de plantas, cortes e fachadas.
Eu sou humana, não sou exata.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Levantar voo

Quem me dera ser um passarinho. Desses que voam, voam e voam por aí. Batem as asas e saem mundo afora. Deixam o ninho quando bem entendem e pousam onde acham confortável. E bonito, porque ninguém gosta de ficar onde a beleza não irradia. Exploram o mundo todo. Devem sentir os mais diversos cheiros, tocar os mais diferentes pisos, observar as mais estranhas e bizarras pessoas e situações, ver as mais belas paisagens. Não sei se há melhor vida do que essa... 
Ainda cantam, como se tudo pudesse ficar ainda melhor!
Se presos em uma gaiola, o coração ainda bate. A vida é que não palpita mais.
Eles nasceram para serem livres.

Quem me dera ter a liberdade de um pássaro.

Espera aí... Será que eu não tenho essa liberdade também?
Será que sou eu que não quero enxergar?
Sou eu que estou com medo de descobrir que posso voar por todos os céus que eu quiser?
Será que eu estou com medo de deixar a gaiola?

Está na hora de levantar voo.

A gente só enxerga aquilo que quer ver.