terça-feira, 31 de julho de 2012

:(


Preciso escrever letra por letra para ver se eu entendi de verdade. E, assim, nunca mais esquecer.

Descobri o porquê do meu “vício” de mexer nos meus cravos e machucar a minha pele sem precisar. Eu tento, tento, tento, mas as recaídas sempre acontecem. Uma merda. Foi uma bela (e horrível) descoberta. Quando eu tinha meus 16, 17 anos talvez fosse por outro motivo. Ver a minha pele lisinha, talvez. Mas depois do meu aniversário de 18 velinhas, essa prática começou mesmo a fugir do meu controle. Tornou-se algo que me faz muito mal. Perdi totalmente o controle sobre ela. Estava claro que o motivo era outro, bem maior. Vamos às etapas do meu descobrimento. A primeira parte dele aconteceu durante o banho, se não me engano. Não, minto. A primeira parte aconteceu realmente naquela última consulta com a psicóloga, onde descobri que me culpo muito mais do que eu pensava. Muito mais do que muita gente. Muito mais do que o saudável, isso se a culpa pode ser algo minimamente saudável em níveis muito pequenos. Eu ainda acho que não. Quero livrar-me totalmente dela. Ok, continuando. O segundo passo foi dado em meio à água caindo e deslizando pelo meu corpo. (Tomar banho sem pressa é uma das melhores coisas da vida para mim. Ninguém me incomoda a partir do momento em que eu entro no banheiro e pareço quase trocar de planeta ao virar a chave.) Veio-me à cabeça que o que me faz mexer nos meus (minúsculos) cravos é justamente ela: a culpa. OMG. Mais uma vez, estava a um milímetro de distância e demorou tanto para cair a ficha. Era o óbvio, sempre tão difícil de ser visto. Por mim, pelo menos. A última e pior parte de todo esse caminho, aconteceu nesse último sábado à noite, depois de fazer 120 km quase agonizando. Eu já disse que odeio voltar, não é? Se nem cheguei a ir, então, pior ainda. Minha agonia foi piorando a cada quilômetro que passava. Um horror. Ao mesmo tempo em que me culpava por ter perdido uma oportunidade de ser um pouquinho mais feliz, por outro lado eu tentava me lembrar dos motivos porque eu precisava voltar. Mas a culpa é sempre minha, não tem desculpa. Quando cheguei a minha casa, quis ir logo para a minha cama. Ah, ainda estava chovendo. Com raios e trovões. Beleza. -.- Fui me deitar, não sem antes, mais uma vez, descontar tudo isso no meu rosto. Oi, recaída! Então, já debaixo do edredom, percebi algo: toda vez que mexo no meu rosto, estou descontando a culpa que sinto dentro de mim porque, talvez, no meu inconsciente, eu mereça me ferir, me sentir “feia” pelos atos “errados” que pratiquei. Como se fosse a minha própria punição por ter agido daquela forma e provocado sofrimento nos outros. Muitas vezes, tudo coisa da minha cabeça. As pessoas não gastam nem dois segundos em algo que eu penso duas horas. Foi aí, então, que percebi que deve ser isso mesmo. Que horror!!!
Posso estar errada, mas algo me diz que não.
Não adianta fazer o bem para os outros e fazer mal para ti, guria. Não adianta coisa alguma.

30 dias, Pri. É só isso que eu me peço. Vamos tentar?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

365 dias depois

Um ano se passou desde que eu criei o Multicromática. Tanta coisa mudou. Tanta coisa permanece igual.  Sou a mesma, mas muito diferente. A verdade é que eu quase não me reconheço mais. Assusta olhar para dentro e ver tantos anjinhos e diabinhos morando ali, os quais nunca passaram pela minha mente (sempre ela omitindo) que poderiam fazer uma casinha por entre os meus ventrículos e ali permanecer na boa, não fosse a gente cutucá-los.
Amém, aleluia irmãos! Livrei-me daquelas aulas que me davam enjoos e fui para as que me fazem flutuar. O semestre "novo" acabou e eu nem senti. Os resquícios daquele tempo sombrio ainda rondam... Eu ainda me cobro pelo tempo perdido. Ai senhor, manda embora essa culpa que insiste em me perseguir. 
Mas agora os questionamentos são outros. Sempre me achei uma insensível de primeira linha, sem coração, sem sensibilidade. Fria. Não chorava, eca! Mas que boba, estava eu muito enganada. Como a gente se engana com nós mesmos. Sou mais emoção do que jamais pensei, arrisco dizer que sinto demais. Outra falcatrua com euzinha aqui: jurava que não me cobrava, não me culpava. Isso só acontece com os outros. Eu estou imune. Comigo está t-u-d-o bem. Pois bem, mais algumas sessões de terapia cognitiva-comportamental e eu descubro que me cobro, me penalizo, me culpo. A lot, aos montes, em demasia. Por quase tudo. Falo e me culpo. Penso e me culpo. A toda hora. Como eu não queria sofrer disso. Poderia parar, assim de repente, não é? Ok, sei que é difícil. Mas diminuir esse martírio diário eu consigo. Tenho que conseguir. 
É tanta coisa nova que chega a ser quase uma confusão em mim. Sou tremendamente insegura. E eu que pensei que fosse fácil consertar isso. Como assim, meu deus? Eu não acredito o suficiente em mim. Eu acredito, só de leve. Tanta gente se achando sendo na verdade pouco e nada e eu aqui, precisando me achar mais.
Eu sinto raiva de quem não deveria sentir. Sinto culpa por sentir raiva de quem não deveria sentir. Fico estressada por sentir raiva e culpa e ai meu deus, que grande merda tudo isso. Fazia muito tempo que eu não ficava tão estressada como esses dias. Por diós. Respira, Pri. Respira que acertar o ponto da embreagem e soltá-la devagar é a tarefa mais fácil que tu tens pela frente.
Ai, meu deus. Loucura, loucura, loucura.
Eu me descobri tanto que deu até medo. Medo de mim. Sim, porque todo mundo já sentiu medo de si próprio.
Eu não sei o que vem pela frente. Mas venha, estou de braços abertos para me abraçar e me acolher. E me amar.