sábado, 26 de maio de 2012

Shame on me

A conversa interessantíssima que rolou no bus aquele dia dizia respeito ao trabalho de uma guria em um centro de reabilitação para dependentes químicos. Tenso. Ela contou histórias de lá, de pacientes viciados em crack e tal. Uma hora ela disse que todo o ser humano possui na genética a tendência a ter um vício. Eu concordo com isso. No fundo, no fundinho, todos nós temos algo que fazemos que seja puro vício. Faz um mal danado, mas a gente continua. É claro que comecei a pensar em qual é o meu vício. Sim, porque eu não sou nem melhor nem pior que os outros seres humanos. Somos todos iguais, todos somos seres especiais. E problemáticos, convenhamos. Dito isso, logo, tenho um vício. Ou dois, ou três... Mas um, com certeza, é sempre o pior e mais devastador. Passei a viagem de volta para casa pensando, pensando... Qual é o meu vício? Álcool não é, eu adoro, mas fico um mês sem ele fácil, fácil. Óbvio que não dispenso um vinho, mas me viro bem com água sem gás, no problems. Drogas também não, quero distância, peloamordedeus. Chocolate? Talvez... Eu amo de paixão um chocolatezinho, mas acho que não chega a tanto. Se eu quiser, fico sem ele também. Sapatos? Bolsas? Nem que eu quisesse, o limite do meu cartão de crédito não deixa. (Ainda bem! Hahaha) Então, veio o insight: o meu vício está na minha cara. Literalmente. E eu fingindo não o ver... Meu vício é travar uma batalha dolorosa com os meus cravos. Está no meu rosto o meu vício, tem coisa pior? Não dá para disfarçar. Essa que é a minha maior vergonha. Eu não lembro exatamente quando comecei esse processo de mutilação. Eu perdi totalmente o controle sobre ele. Sério. Eu chegava a mexer nos meus cravos mesmo com a minha pele linda, perfeita. Eu precisava ir lá e cutucar. Provocar feridas em mim, interna e externamente. Porque o que eu sinto quando mexo nos cravos é uma das piores sensações do mundo. Sinto-me a pessoa mais fraca, mais covarde e mais burra do mundo. Vou dormir achando-me péssima. Sei que toda essa barbaridade é a minha "válvula de escape", é onde desconto o que está ruim, aquilo que está me incomodando. Tem gente que bebe demais, que fuma, que malha em excesso, eu mexo naquelas pontinhas pretas quase imperceptíveis aos olhos dos outros, mas gigantes ao meu ver. Fica pior ainda, percebi. O tempo que demora a sarar os mini ferimentos é o tempo que minha autoestima sofre um abalo sísmico e vai ao chão. Para reconstruir, haja horas e dias. Às vezes nem cicatrizou, já estou provocando outras lesões "de graça". Uma tristeza que me faz sentir dó de mim mesma. Faz bem pouco tempo que realmente conscientizei-me disso e vi que era pura idiotice e burrice deixar esse "defeito" me dominar. Oras, eu que tenho o controle. Eu e meus pensamentos bonzinhos. Os meus pensamentos vilões não merecem essa atenção toda, muito menos merecem aparecer no meu rosto. Lindo rosto, o meu. Há uns dias estou evitando passar pelo espelho e muito menos parar na frente de algum por mais de uns segundos. Eu já me aproximo dele e vou lá olhar e analisar os meus cravinhos (cravões, para mim). Estou aprendendo a controlar as minhas mãos. A não as deixar virem até o meu rosto e machucá-lo, atingindo até a minha alma. Já tentei várias táticas, mas até agora (minha nova tentativa começou a uma semana mais ou menos) a única que está dando certo é a força de vontade de mudar, de não deixar me dominar por essa vontade estúpida. Vou a fazer morrer, vou fazer ela se dissipar. Vou ser mais feliz, vou me livrar desse vício.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Depois da Meia Noite

Eu sei lá que horas são. Passa uma, passa duas. Eu te adoro a toda hora. Eu caminho e penso. Eu me deito e penso. Eu almoço e penso. Eu me banho e penso. Eu faço tudo e penso. Sabe onde chegam esses pensamentos? A nós dois. Mas é claro, onde seria? Haveria local mais bonito? Eu duvido, por outro não coloco a minha mão no fogo. Meus neurônios sabem onde querem chegar. Minto. Apenas seguem o meu coração e sua voz quentinha. É ele quem manda. E eu deixo. Deixo, deixo... Já me faltam forças para lutar. Já perdi a razão, já conheci a paixão. Entreguei-me à escuridão e dela surgiu um clarão. A tua luz. A me iluminar, a me guiar, a me apaixonar. Eu te quero, te desejo, te consumo. Meu bem, meu bem, meu bem. Quero-te tão bem. Sou boba, bobinha, bobinha. Sou tua, toda tua. Nua. Não me faça gritar, não me faça soluçar. Apresse o passo, essa tal saudade irá me sufocar.

sábado, 19 de maio de 2012

Na Estrada

Andar de ônibus na minha vida é quase como respirar: automático. Faço isso há uns 15 anos. Quase todos os dias são 30 km para ir e 30 km para voltar. Quando não é em dobro. Conheço todas as curvas e suas respectivas placas. Conheço todos os quilômetros e seus respectivos remendos. Na época de colégio, eu ia de "micro". Agora vou de busão. Sei os horários que o ônibus passa de cor. Sei quanto vai demorar a viagem. Sei até quem é o motorista e o/a cobrador/a de cada horário, se duvidar. Eles também já me conhecem. Mas, sabe, até que eu gosto. Quantas histórias durante todo esse tempo. Fiz amigos, desfiz outros. Chorei, sorri. Cada nova viagem de ônibus é uma nova aventura para mim. Não sei quem sentará ao meu lado, não sei quem me pedirá licença, não sei quais pensamentos invadirão a minha mente. Andar de ônibus me serve como uma grande fonte de inspiração. Eu posso relaxar, fechar os olhos e me deixar levar pelos meus devaneios. Às vezes nem faço questão de colocar os fones de ouvido. Eles parecem bloquear alguns pensamentos e também me fazem perder conversas interessantíssimas dos outros passageiros. Dia desses, ouvi um papo muito bom entre os viajantes dos bancos de trás. Fingi não estar nem aí, mas escutei tudinho, tintim por tintim. Acho que vai ser estranho o dia que eu ter o meu carro e não precisar mais pegar ônibus. Claro que a comodidade vai ser muito maior, mas não vou mais poder ficar observando cada um daqueles que pegam o ônibus. Tem sempre gente interessante, com algo legal para contar. Não sou muito de puxar papo, mas às vezes me encorajo e começo eu mesmo o blábláblá. Às vezes é tudo o que precisava naquele momento.
Se um dia eu sentir que a minha inspiração está indo embora (realmente tenho medo disso, chego a me apavorar), pegarei o primeiro ônibus que aparecer e vou deixar ele me levar. Levar-me para cá e para lá, mas principalmente para dentro de mim, da minha lucidez e da minha loucura.

sábado, 12 de maio de 2012

Guerra Civil

Ando tão revoltada. Não é com o escândalo de corrupção do momento, nem com essa sociedade fria e medíocre, muito menos com a música de abertura da novela das nove. Eles todos que se danem. Ando tão revoltada comigo mesma. Eu sou o motivo dessa revolta toda. Tenho raiva de mim. Eu e essa minha inércia que insiste em me aprisionar no meu castelo, protegido por aquelas grandes muralhas. Aquelas que me afastam de tudo e de todos. Até de eu mesma. Os muros são os meus medos. Meus piores inimigos, cheguei à conclusão. Medo de falar com a minha mãe. Medo de falar com as minhas irmãs. Medo de falar comigo mesma. Os desconhecidos, outrora tão evitados (parecendo gente de outra galáxia) agora são "fichinha". O bicho pega quando mete sentimento no meio. Conversas olho no olho. Diálogo, sabe? Pois é, eu não sei. Não me ensinaram. Agora tenho que aprender na marra.
Minha língua trava quando é para falar a verdade. Trava. Já quando se trata de mentiras, virei expert. Ela movimenta-se sem grandes problemas. Triste vida essa minha. Triste culpa essa vida minha.
Mas, pô, que medos são esses? Medo de me mostrar sonhadora demais ou de menos, mole demais ou de menos, triste demais ou de menos. Eu tenho medo de ouvir o que eu não quero. Eu tenho medo dos olhares. Eu vivo de medo e então não vivo.
Seria bom (alias, bom é pouco, seria ótimo) se eu agisse tanto quanto eu penso. Ô, seria uma maravilha. Seria. Ou será que dá para ser assim? Ninguém cobra mais essas mudanças em mim do que eu mesma. Os dias passam e eu não mudo. Os dias passam e a coragem passa junto.
Eu prometo melhorar. Por mim mesma. Sei das minhas fraquezas. Sei também que estou começando a entender como diminuí-las. Sei que isso só depende de mim. Acreditem comigo, assim eu fico mais forte.
Eu não consigo mudar. Eu consigo mudar. Eu não sei que passo dar. Eu sei que passo dar. Depende de mim. Decidir.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Melancólico Outono

Eu juro que me esforço para ser melhor, dia após dia. Não há processo mais longo e difícil. Mesmo com ajuda, querer mudar para talvez tornar a vida uma passagem mais bonita e plena, é preciso muita força de vontade. Pelo menos para mim. Sinto-me tão frágil, quase uma boneca de porcelana, que a um tropeço se estilhaçará em inúmeros cacos. Pareço ser capaz de chorar em questão de milésimos de segundo, com apena uma nota musical, uma palavra, um gesto. Ando me sentindo mal comigo mesma.
Sei que não sou a melhor filha do mundo. Estou longe disso. Falo pouco, quase nada. Escondo-me na minha carapuça da alegria, encobrindo lágrimas presas a sete chaves. Pareço distante, mesmo desejando estar cada vez mais perto. Gosto tanto que tenho medo de me revelar e perder essa pequenina confiança que ainda resta a minha pessoa. Devo, porém, estar perdendo mais ainda falando vazio e guardando muita coisa. Minha mãe não me entende. E a culpada sou eu. Não me faço entender. Sofro por causa disso e não é pouco. Será realmente que ela me entenderia? Será que sim, será que não? Será? Às vezes dá vontade de arrumar as malas e ir embora. Continuar esse legado de superficialidade inerente a minha vida. Eu só queria mais apoio.
Sei que não sou a melhor amante do mundo. Tento e tento e tento ser tão ou mais femme fatale do que tu desejas. Do que tu mereces. Sinto-me linda, mas não o tempo todo. Minha autoestima sobe um pequeno degrau por dia. Às vezes desce uns três no mesmo dia. É sempre mais difícil para quem começou a se achar bonita faz só uns quatro anos. Antes se olhava no espelho e via feiura. Aliás, foi e é tu o grande alicerce da minha autoestima. Se pareço distante de ti, acredite, é por querer tanto estar mais perto. Inúmeras vezes me perguntei o que eu fiz de tão bom para te conhecer, te merecer, te ter na minha vida. Não cheguei à resposta.
Sei que não sou a melhor amiga do mundo. Já recusei convites para não arriscar os meus dias ensolarados, sagrados. Continuo fazendo isso. Um dia vocês me entenderão, se já não me entendem. Às vezes posso parecer nem me preocupar, mas sou assim mesmo meio avoada, nem paro para pensar antes de falar. Desculpa. Um arrepio percorre a minha espinha quando penso em perder vocês. Eu só peço um pouco mais de paciência, por favor.

Sei que não sou a melhor do mundo. Mas sou melhor do meu jeito. Com certeza. Cheia de imperfeições e cicatrizes, melancólica como esse outono, frágil como as folhas que caem ao chão.