terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"E assim chegar e partir..."

Sabe aqueles casos de amor e ódio? Pois é, tenho um desses. E não é com um homem, não. (Ainda bem!) Nem com chocolate. Pasmem, é com a rodoviária. Juro. Sim, aquele lugar cheio de gente correndo para não perder o ônibus, gente esperando para comprar a passagem, gente cheia de malas chegando, gente na fila do táxi, gente, gente e gente. Cada um com os seus sonhos e pesadelos, amores e dores. Cada um com sua vida e sua história.
O meu caso com ela, especificamente, começou a uns quase dois anos. Ela faz a minha alegria e a minha tristeza. Faz-me sorrir e chorar. Aiai. Alguns companheiros anônimos sentados ao meu lado nas viagens de volta são testemunhas. Oh céus, que vergonha! Devem pensar que sou uma Maria-Chorona. (Isso existe?) Essas lágrimas, entretanto, são fracas comparadas a intensidade da felicidade que eu sinto toda vez que eu chego à rodoviária e vou na fila para comprar a passagem de ida. É tão bom, mas tão bom sentir a saudade ficar para trás. Não completamente, óbvio, já que parece que eu sinto saudade mesmo estando junto. É saudade, é ansiedade, medo de voltar, eu sei lá. Um troço meio louco.
Mas, vai dizer galera, que lugar tem tanto sentimento no ar como a rodoviária? Que lugar é palco de beijos apaixonados, abraços apertados, reencontros emocionantes, despedidas dolorosas, corações disparados como esse emaranhado de pessoas, ônibus, malas, táxis? Digam-me. Talvez o aeroporto, mas ele não vale, já que segue a mesma função que a rodoviária, que é a de transportar pessoas. A rodoviária é mais simples, talvez por isso seja ainda mais "humana".
Alô meus ex-colegas queridos, se liguem! Uma estação rodoviária precisa ser um lugar agradável, minimamente belo. Faz bem para quem vem e para quem vai. Pensem nisso com carinho se um dia receberem a tarefa de projetar uma. 
Eu só sei que podem dizer o que quiserem da rodoviária, para mim ela é aquela melhor amiga que me ajuda a ser feliz, apesar de me apunhalar pelas costas toda vez que chega a hora de voltar e é preciso passar o túnel e ir em direção a ela. Mas eu a perdoo.
Afinal, sem ela eu estaria ferrada. Pior, estaria longe. Longe dele, longe de tudo.
Longe. O contrário de perto, que eu gosto muito mais.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Filhos da P***

Se eu fosse política, eu teria nojo de mim mesma. Eu vomitaria em mim mesma. Todo o caviar e o filé mignon que eu comi com o dinheiro do povo que come guisado de terceira e pão duro. Ou que não come nada. Eu não iria conseguir dormir na minha king size. Pesadelos com aqueles que "dormem" no chão duro, frio e insensível me atormentariam. Eu não conseguiria me olhar no espelho, olhar nos meus olhos. 
Mas eles conseguem.
Tudo isso e muito mais.
Pelo menos eu não sou podre por dentro.