domingo, 16 de dezembro de 2012

100

100 é um bom número.
É bonito, é elegante, é glamouroso.
Mas ainda é pequeno, ainda é inocente demais,
perto daquilo que meus sonhos ousam ousar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tomara que não

Eu não quero que o mundo acabe. Por favor, eu não quero. Chega de tanto falar nessa profecia. Chega! Falar coisa ruim atrai coisa ruim, sabia? Melhor fica de boca bem fechada, assim essa mentira parece mesmo mentira. 
Eu ainda tenho muita saudade para ir embora assim sem mais nem menos, sem aquele abraço quentinho de novo em minha pele. Ainda tenho roupa nova no armário, ainda com a etiqueta. Um vestidinho preto que eu quero usar em um jantar naquele apartamento. Ainda tenho três anos para me formar. Eu preciso chegar lá. Ainda tenho muito que provar a mim mesma. Tenho muito que correr atrás, tropeçar e levantar.
Não posso ir embora sem antes ter uma foto na Torre Eiffel, outra na Times Square, uma no Corcovado e outra ali na sorveteria da esquina. Não admito ir embora com o ingresso da festa do réveillon já comprado, com o espumante já gelado. Tudo não pode ir pelos ares antes das minhas compras feitas online chegarem. Bem agora que eu ganhei uma caixinha do correio. Ainda não comprei um carro, nem um apartamento, nem consegui economizar um centavo para o meu Iphone. Ainda preciso começar a rabiscar minha lista de sonhos de consumo. Ainda preciso rasgá-la e só querer amor, uma cerveja e um chocolate. 
Não posso parar de respirar antes de perder o fôlego mais muitas e muitas vezes. Não quero fechar os olhos para sempre sem antes enjoar de olhar para ele. Não é justo. Quero ficar sempre de olhos abertos. Se for para baixar as pálpebras, que seja para beijar. Não quero deixar de sentir o gosto do doce, do amargo, da vida. Ainda preciso perder o medo de água, de altura e de cobra. Ainda preciso perder o medo de ser eu mesma.
Às vezes esse lugarzinho chamado Terra é bem cruel, el, el. Não tem dó de ninguém. Nessa hora, eu quero que tudo se exploda. Logo, de uma vez só! Perdi a conta de quantas vezes isso passou pela minha cabeça. But, no, baby, no! As coisas boas iriam junto para o ralo. Minhas fotos e suas lembranças desapareciam forever. E sim, eu adoro clichês: sempre vale a pena continuar de pé, sempre. Ainda está valendo a pena, ainda dá para sorrir. Por mais que tudo esteja uma big shit, por mais que às vezes sair da cama pareça ser uma das tarefas mais difíceis a se realizar. Quando parece que o tempo não passa. Quando parece que ele voa. Quando eu só quero que a distância encurte. Quando eu não sei qual dúvida é a mais cruel. Quando a vida quase perde a graça. Mas, pensando bem, se às vezes viver pode não ter tanta graça, imagina morrer? Deus me livre, isso sim que deve ser um saco. Oh, 22 de dezembro, fica ligado: você está sendo mais aguardado do que o Natal.

Eu só quero continuar nas minhas tentativas de ser feliz.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um pouco mais

Muitas vezes eu não me dava conta de que cortava pequenos prazeres por puro medo. Talvez não fosse medo, talvez fosse essa nossa mania de não prestar atenção nos detalhes e deixar momentos preciosíssimos para depois, para nunca mais. Que bobagem... Burrice pior só mesmo ouvindo o "plim" que uma hora sempre aparece para nos avisar de tal besteira e não mudar, deixar tudo igual.
Talvez, essas minúcias do meu dia-a-dia podem parecer besteira para alguns. Whatever. Acabei percebendo que eu sempre ouvi música no celular com o volume baixo. Baixo demais. Nunca chegava nem até a metade do volume mais alto possível. Dava até para ouvir os chiados das conversas dos outros. Tudo isso porque eu morria de medo de ficar surda, de parar de ouvir bem. Que exagero! Hahaha Sempre assisti muito Jornal Nacional com seus inúmeros "foi descoberto que tal coisa faz mal à saúde e os médicos alertam que...". Todo esse blábláblá. Até que um dia eu resolvi levantar um pouco mais o volume da música que estava saindo pelos meus fones de ouvido. Não muito mais, ainda estava longe de chegar ao máximo (também não quero estourar os meus tímpanos). A diferença de ouvi-la é que foi gigante. Comecei a escutar realmente a música, que é quando ela entra pelos nossos ouvidos e reverbera pelo corpo inteiro, fazendo o coração bater mais acelerado. Passei a ouvir detalhes que jamais havia ouvido, tornou-se inevitável não querer cantar junto. Mesmo sem som (ninguém precisa pagar os seus pecados tendo que ouvir a minha voz que decididamente não nasceu nem um pouco afinada), eu adoro cantarolá-las. E, com toda a certeza, eu jamais vou ficar surda por levantar um pouco mais o volume. As minhas voltas para casa de ônibus é que ficaram muito mais poderosas. E revigorantes. E inspiradoras.
Sem nem pensar direito, sempre poupei mu-mu, doce de leite, leite condensado, geleia, marmelada, essas coisas. Passava o mínimo necessário para cobrir o pão ou a bolacha. Não sei de onde veio essa "mania", talvez desse meu medo de extrapolar, de exagerar. Sempre tão contida, sempre tão medrosa... Hoje eu me lambuzo de tanto mu-mu que eu despejo sobre a fatia de pão. Se for leite condensado molengo, deixo escorrer por um dos lados da bolacha. Só para passar a língua no que está "sobrando". E ainda lambo a faca no final, para fechar com chave de ouro. Parece que o doce fica ainda mais doce, ainda mais gostoso.
Acredito que aos poucos eu vá me dando conta do que eu faço inconscientemente e que faz o meu dia ser mais-ou-menos ao invés de ser sempre mais. Essas coisas bobas, mas que me fazem sorrir mais, sentir mais, viver mais. Sei que tenho outros tantos pequenos (ou grandes?) desafios para vencer. Estar mais atenta a mim mesma é somente o que eu preciso, passando a reparar nos meus hábitos, um de cada vez. E é assim que se muda uma vida inteira.

Porque eu aprendi que o detalhe sempre faz toda a diferença. Para o mal ou para o bem.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Run Away

Teve um dia naquele melhor verão da minha vida que eu jamais vou esquecer. Todos os nossos dias são inesquecíveis, mas aquele momento foi diferente. Eu inventei (mais) uma mentirinha qualquer, que estava indo colocar cartão no meu celular, que estava indo comprar pão, que eu estava indo dar uma volta até o almoço ficar pronto. Coloquei o meu biquíni, que passou totalmente despercebido pelo vestido que coloquei por cima e pronto. Tinha que servir. Peguei meu celular, meus óculos de sol e toda a minha vontade de ver ele e fui. Meia-dúzia de quadras depois, até sentir os meus pés na areia, e lá estava eu "dando uma passeada" embaixo do guarda-sol dele. 
O tempo voou - como sempre - e meu celular apitou. Mais cinco minutinhos, por favor. Meu celular voltou a apitar. Odeio como essas tecnologias às vezes conseguem ser tão inoportunas. É claro que eu estava atrasada para o almoço em casa, já estavam começando a desconfiar. Onde essa guria se meteu em pleno meio-dia de um domingo de verão na praia? Ela não iria voltar logo? Droga. Eu tinha que voltar, não tinha escapatória.
Lá vou eu de novo. Toda despedida é uma nova despedida. A dor é a mesma, mas parece sempre nova. Nossos corpos ainda estavam com gosto de água salgada. Eu, que morro de medo do mar, momentos antes dei a mão a ele e me deixei levar. Mais um beijo, mais um abraço, mais um olhar, mais um sorriso. Ok, agora não dá mais mesmo, o tempo se esgotou. Tchau. Mentalizei: "Força, garota! Nada de deixar as lágrimas escorrerem - de novo". E... Ação! Começou a minha cena de filme particular.
Eu me lembro de que sai correndo. Assim que virei as costas, comecei a correr, correr e correr. Minhas pernas eram pura pressa, mexiam-se a toda velocidade quase que involuntariamente. Eu não olhei para trás nem por um segundo. Se eu olhasse, eu voltava para aqueles braços. Juntei todas as minhas forças (que não são muitas) e não virei o rosto. Continuei olhando para frente, sem enxergar nada. Corri sem parar. Atravessei as ruas sem nem olhar se vinham carros. É óbvio que nem precisava tanta urgência, um minuto a mais ou menos não iria fazer diferença naquele momento. Eu não estava preocupada com o que iria encontrar pela frente, mas, sim, com o que deixei para trás. Eu corri porque assim ficava muito mais complicado dar meia-volta e voltar para ele. Eu corri porque a vontade de voltar era gigante, imensa; tenho certeza que ela venceria as minhas pernas se eu andasse calmamente. Eu sabia que se voltasse, estaria muito encrencada, mais do que já estava. Minha situação já não era muito boa com apenas uns 15 minutos de atraso. Imagina se fosse mais. Cheguei na entrada do prédio ofegando. Fiz um coque para disfarçar meu cabelo úmido e chamei o elevador.

Parece que estou vivendo a mesma situação hoje, só que dessa vez é em câmera lenta e em um cenário muito mais abrangente. Os personagens são os mesmos, com algumas diferenças. Eu continuo no mesmo lugar, desempenhando o mesmo papel.
Ou corro novamente e enfrento todo o nó na minha garganta que só de pensar toma o meu corpo inteiro, ou volto e continuo enfrentando o que eu já sei de cor e salteado, com tudo aquilo me dói e tudo aquilo que me faz sorrir?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Amém

A lua está cheia desde segunda-feira e eu só percebi ontem à noite, ao final da aula. Perdi uma noite do seu ciclo, um baita desperdício. Estava chovendo, deve ter sido por isso que ela passou despercebida pelos meus olhos. Para mim, em noite de lua cheia deveria ser obrigatório namorar ou fazer alguma coisa tão boa quanto. Ela é tão mágica, tão louca, tão uau. Enquanto a admirava, surgiu a vontade: fazer um pedido para ela. Pedir a ela que me abençoasse, a mim e a ele, a mim e as pessoas que levo no coração. Depois de ter feito o pedido, ali, pela janela do ônibus, perguntei-me se ela teria mesmo esse "poder". Um segundo depois pensei: claro que sim, toda obra de Deus é oração, toda obra de Deus é amor. Deus é a vida. 
Não lembro ao certo, mas acredito que até uns três anos atrás, eu rezava toda noite antes de dormir, sem falta. Se por acaso eu esquecia ou adormecia antes de juntar as mãos e declamar baixinho uma das três mais famosas orações, eu me sentia culpada no dia seguinte. Não poderia ter esquecido. Quanto à Ave Maria, eu curtia, mas passava correndo pela parte que falava "na hora de nossa morte", sempre achei exageradamente triste e um arrepio percorria o meu corpo toda vez que chegava a hora dessa frase. A prece do Pai Nosso nunca foi a minha preferida. Sei lá, acho que me parece masculino demais, tenso demais. Sempre gostei daquela do Santo Anjo, talvez por adorar a ideia (e realidade, para mim) de que um anjinho da guarda está sempre me protegendo e também cuidando de quem eu gosto. É bom, é reconfortante. Hoje em dia, quando quero, recorro só a ele. 
Quando ia à missa, ficava braba comigo mesma por ter deixado meus pensamentos viajarem para outro local e perder parte do discurso do padre. Realmente me esforçava para entender o que ele falava, captar a mensagem que ele queria transmitir. Raramente eu conseguia. Achava que morder a hóstia era pecado, ela deveria se dissolver na minha boca sem eu precisar "dar um empurrãozinho" com a língua ou os dentes. Hoje, nas raras vezes em que preciso ir à missa, durante o tempo todo me divido entre divagar por assuntos do meu interesse ou ouvir o que o padre fala, de propósito, para logo virar para a minha irmã e falar que aquilo está errado, que aquele padre está viajando. Quase sempre é revoltante, mas às vezes chega a ser divertido. Sem falar que não podemos abrir a boca ou rir, que já vem alguém nos olhar com aquela cara feia, exclamando mentalmente: "Calem a boca, suas mal-educadas!". Realmente, tudo muito triste.
O Osho me fez enxergar e me ensinou que rezar é amar. Ame que você estará rezando sempre, em toda hora e todo lugar. Sorrir, abraçar, fazer o bem a mim e as outras pessoas, me divertir, fazer amor, olhar uma flor e sentir o seu perfume, dizer "olá" para um cachorrinho e fazer um carinho nele, comer desfrutando calmamente o gosto e o aroma da refeição, enfim, tudo o que é feito do coração é a mais verdadeira forma de oração que existe. Duvido uma única pessoa rezar de verdade quando vai à missa, dentro daquele templo de concreto frio e sombrio, munido de uma expressão séria.
Hoje, quando quero falar com Deus, olho para o céu e começo a conversar com ele. Muito melhor do que olhar para o teto do meu quarto, mesmo sabendo que posso falar com ele em qualquer lugar que eu esteja. Se o céu está azul, ele está me ouvindo. Se o céu está cinza, ele também está me ouvindo. Falo aquilo que eu quero, aquilo que estou sentindo, não o que me ensinaram e eu nem entendi direito o que aquelas palavras da Salve Rainha significam. A sinceridade será sempre uma oração.

Seguindo o meu coração, estarei rezando aonde quer que eu vá.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

3º TOC140

ASSALTO// Socorro! / Levaram a minha alma / Assim sem mais nem menos / Deixaram-me nua de amor/ Vestindo apenas a minha dor. #TOC



Uhul! Fiquei em 24º lugar na classificação entre "Os 100 Melhores Poemas do 3º TOC140 - Poesia no Twitter", concurso realizado pela Fliporto, a 8ª Festa Literária Internacional de Pernambuco. O desafio era fazer poemas que coubessem em apenas 140 caracteres, tais como "tweets". Parabéns a todos!  Todos os 100 escolhidos receberão uma antologia com todos os "poeminhas" premiados. Infelizmente, não vou poder estar presente na Fliporto, em Olinda, dia 18 de novembro para receber em mãos o meu exemplar. Então, agora é só aguardar ansiosa a minha antologia chegar aqui na minha caixinha do correio! :)

sábado, 13 de outubro de 2012

Brincar é viver

Eu tenho pena de quem um dia deixou de ser criança. Deve ser uma vida muito triste, deve ser uma vida quase morta. Eu sempre fui a mais "brincalhona" das minhas irmãs - e nunca quero deixar de ser. Sempre dou um jeito de falar alguma besteira para aliviar o clima ou descontrair. Quase sempre é simplesmente para rir, uma das melhores coisas dessa vida. Dentro de mim, sempre tive muito orgulho disso, sempre gostei muito de ser assim. É a primeira vez que digo isso "em voz alta". Sei lá, devo ter nascido assim, mais propensa a não levar tudo tão a sério. Talvez eu vim para esse mundo com uma dose de distração - e de paciência, também - a mais do que o resto do pessoal.  Às vezes voluntária, porque brigar por picuinha é besteira. Às vezes involuntária mesmo, ouço algo e no instante seguinte já esqueci.
A vida, para mim, é como uma criança. Exige seriedade, mas nem tanto. Afinal, brincar é tão legal e nunca menos importante do que trabalhar, estudar e ganhar dinheiro. Tem a hora de fazer o dever de casa, mas também tem a hora de comer chocolate e me lambuzar toda, sem me preocupar se a camiseta vai sujar e se vai manchar. A vida, por mais pesada que esteja, sempre foi leve e deve continuar sendo. Fez dodói? Coloca um ban-aid que resolve. Vai cicatrizar. No final, aquela marquinha ainda vai nos lembrar de algo bom, por mais que na hora doeu bastante e a gente chorou escandalosamente.
No último sábado, aconteceu algo que quase me fez chorar. Acho que não posso descrever melhor uma criança do que contando essa cena da qual fiz parte. Eu estava sentada, na frente do computador, como sempre estou. Checando e-mails, jogando Paciência, lendo notícias, essas coisas rotineiras. Naquela manhã a única coisa diferente eram os meus pensamentos. Lembrava-me da noite anterior, dos minutos anteriores. De como estar com ele me faz bem, de como eu gosto... O último comentário dele, porém, deixou-me ansiosa. Devia haver um resquício de medo no meu rosto. A menina entrou com o seu pai e, enquanto ele era atendido, ela veio caminhando, devagar, em direção a minha mesa. Notei a presença dela, mas não a olhei logo. Esperei um pouco. Ela continuou avançando. Então, virei o rosto para ela, procurando os seus olhos. Uns milésimos de segundos depois e ela fala: "Posso te dar um abraço?". Ela, com aquela carinha, aquele jeito suave que só criança tem, fez uma pergunta que a maioria das pessoas passa a vida toda sem fazer. Inclusive eu, até hoje. E é uma das mais importantes. Mais simples e mais importantes. Na hora, eu quase levei um susto, porque jamais passou pela minha cabeça que aquela guriazinha que nunca tinha me visto na vida iria me oferecer um abraço. Respondi que sim, claro, com um sorriso gigante no rosto. Então ela veio, me abraçou e me deu um beijo na bochecha. Eu retribui o abraço e o beijo. Depois começamos a conversar e ela me contou mais sobre a sua vida, dos seus seis anos.
Talvez tenha sido um dos momentos mais lindos e puros que eu já vivi. Talvez ela soubesse - de algum jeito - que não está fácil e que um abraço é sempre bem-vindo nesses momentos. Talvez ela tenha gostado de mim, do meu jeito e só. Talvez ela aprendeu com a mamãe que abraçar faz bem e é de graça, não custa nada. Talvez ela aprendeu que todo mundo merece um abraço. Talvez...

A infância está perdida? A juventude está perdida? Quem está perdido são os adultos, eles e as suas regras que nunca funcionam. A vida não está perdida se resgatarmos a criança que mora em nós.

A gente nunca deveria parar de brincar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Meus Sinceros Amigos

Ultimamente está me dando uma agonia danada devolver os livros para a biblioteca. Começou esse ano, no início do outono. Dá uma vontade de roubá-los, de não devolvê-los mais, escondê-los na bolsa e fugir para bem longe com eles. Não posso. Vou me complicar demais. O jeito é comprar um por mês (quando dá) e aguentar a ansiedade de ter aquelas histórias que me tocaram voltando para perto de mim, aqui do meu lado. Já tem tanta gente longe de mim, eles pelo menos não vão sair do meu lado. Pode ser apego, mas que seja mesmo. Gosto de vê-los, de tocá-los. Com eles eu converso, lendo-os. Com eles eu me desligo, acordada.
Os livros me ajudam a viver, fazem a vida melhor. São meus bons companheiros. De uma tarde de sol, de uma manhã de chuva, de uma viagem de ônibus, de um coração que bate. Parece que com eles a minha solidão diminui, parece que deixo de estar sozinha. Nunca substituirão uma conversa "real", olho no olho, mas chegam perto, podem acreditar. Às vezes dói, às vezes pode ser desconfortável. Vale a pena, de qualquer jeito.
Eles me entendem. Funcionam quase como psicólogos. Os livros e suas  frases que parecem exatamente feitas para mim - porque cada um deles sempre cai em minhas mãos na hora certa, na hora que era para ser - fazem o meu mundo quase parar, me fazem querer absorvê-las e lembrá-las para sempre. Os livros são o meu refúgio desse mundo frio, triste, sujo, esse mundo de adultos que eu odeio. Eu nunca quis fazer parte dele.
Ler é sempre bom, ler é sempre uma boa ideia. Ler me acalma, me emociona, me esquenta, me seduz. Nos últimos tempos, ler me faz chorar com uma facilidade incrível. Ainda não sei se isso é bom ou ruim, mas sei que é assim e para quê mudar? Deixa, deixa, deixa... Ler é um espetáculo, é um ato simples, mas com um poder incalculável. Ele coloca a pulga atrás da nossa orelha, começa a fazer cócegas e nos deixar inquietos. Ler me faz mudar para melhor. Ler é inspirador, acima de tudo.
Sabe o que é? Eu percebi isso faz pouco. Eles me dão coragem. Isso mesmo, os livros me enchem de coragem. Mandam o meu medo e a minha insegurança para longe, aquelas páginas os fazem diminuírem de tamanho, ficarem pequenos - do jeito que deveriam ser. Eles me dão coragem de contar a minha história, de fazer com que a minha voz seja ouvida. Por isso eu odeio ter que devolvê-los para aquelas prateleiras. É como se toda essa minha coragem que surgiu enquanto eu lia cada linha fosse evaporando, sumindo. Preciso resgatá-la, preciso ser forte.

Os livros já transformaram e vão transformar ainda mais a minha vida. A partir da minha história.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sentada no banco dos réus

A culpa é toda minha, nem me dão chance de defesa. Nenhuma. Sequer pensaram nisso. Já está sentenciado: sou culpada por tudo. Sou eu que estou causando a discórdia naquela casa. A filha sempre tão inocente e obediente virou a ovelha negra.
Não me perguntaram o porquê do meu mau humor. Não me perguntaram o que está me deixando triste. Não me perguntaram como foram as minhas aulas de fotografia e de filosofia. Não me perguntaram como foi o final de semana. Não me perguntaram nada. E ainda acham que sabem de tudo!
Julgar é fácil, conversar é que é difícil.

Cometi o crime de tentar ser feliz.
Cometi o crime de querer descobrir.
Cometi o crime de me enxergar mulher.
Cometi o crime de não ser igual, de ser diferente.
Cometi o crime de ser eu mesma.

Eu não aceito essa sentença. Eu não aceito.
Todos acham que eu não estou sofrendo nada. O mesmo vale para a irmã menor. Estamos passando por isso como se não tivéssemos sentimentos, corações, medos, temores. 
Se casais passam por crises, estamos nós seis passando por uma. E das brabas.

Quem vai resolver?
Ou não será resolvido?
Há solução?
Há desesperança.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Uma Boba com uma Máscara Interna

Eu sou uma boba. Uma boba de amor. Ser boba é simplesmente me entregar ao coração. Talvez eu nunca tenha sido tão esperta mesmo... Quiçá eu goste mesmo de ser assim meio bobinha. Com a cabeça nas nuvens e o coração no corpo todo. O meu coração palpita desregulado, freneticamente. Ao menor sinal seu, o meu tumtum manda um impulso para os meus músculos faciais: o sorriso é inevitável. É quase como se eles ganhassem vida própria. O sorriso mais bobo, o sorriso mais sincero. Porque ser esperta quando for gostar de alguém é fazer negócio. E quem faz negócio corre o risco de ter prejuízo.
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São incríveis as armadilhas que eu crio para eu mesma enfrentar. É sempre a mesma história, sempre a mesma ficção que se segue depois de um final de semana sorridente. Passa alguns dias e eu me "encorajo". Eu me faço de forte, fingindo para o meu reflexo no espelho. Quem me dera poder fingir tão bem para as outras pessoas como finjo alguns sentimentos para eu mesma. De uma hora para outra, sou outra. Segura, despreocupada, esperançosa. Fico com um ar de "tanto faz".
Tanto faz uma pinoia. A verdade nua e crua é essa. Nem chega a doer, o pânico já se instala em mim a um resquício de pensar no fim.
Como pode... É incrível 120 km separar dois mundos tremendamente diferentes. Eles poderiam ser mais parecidos, poderiam possuir um equilíbrio entre si. Talvez assim não fosse tão difícil partir. Por que não os dois muito bons ou ótimos? Acontece que um está abaixo de zero, congelando. O outro está em temperatura ambiente, aquecendo. É quentinho, é confortável, é delicioso. Odeio voltar para o inverno em forma de apartamento.
Eu não acho que está ruim. Não!!! É exatamente o oposto. É bom demais para querer sentar na poltrona 13, do lado da janela, e voltar para a realidade.

Eu arrisco tudo e mais um pouco. Eu arrisco o que for preciso. Ops! Já perdi o controle faz tempo. Se é que um dia eu tive algum controle quando se trata de nós. Eu já joguei as cartas na mesa. Eu já desisti de ganhar o jogo. Eu nunca joguei. Eu me rendi. Perdi a razão e ganhei a emoção. Como valeu a pena. Como vale a pena. Como eu gosto, céus!

Eu não desisto de você.


sábado, 15 de setembro de 2012

No Escuro

Estou achando que prefiro a noite. Ironicamente, às vezes ela parece ter mais luz que o dia. Ela brilha junto com as suas estrelas. Ainda tem a lua, para torná-la ainda mais especial. Eu sei que não há (quase) nada mais acolhedor que o calorzinho do sol. Parece que só de ficar alguns segundos, quietinha, parada, sob o sol e o céu azul, a esperança e a serenidade já começam a me invadir. Mas o silêncio da noite não tem preço. A sua quietude é inspiradora. É quase um calmante natural. Pelo menos para mim.
O dia é muito barulhento, céus! Todo mundo grita, ninguém se entende. Eu mesma quase não me entendo no meio desse monte de gente correndo para lá e para cá. Eis a rotina: faço tudo automaticamente. À noite é diferente. Tendo cumprido ou não todas as tarefas daquele dia, a noite é a hora da calma. Não adianta mais correr, o que ficou para trás só será retomado no dia seguinte. Então é hora de relaxar o meu coração e espalhar isso para todo o resto do corpo. É a minha hora de sossegar a alma.
Quando passo de ônibus por aí à noite, na volta da aula, adoro observar a cidade quieta. Reservada. No escuro. Fico imaginando o que está acontecendo em cada casa ou apartamento onde ainda há luz acesa. Quantos estão fazendo amor, jantando à luz de velas, brigando, chorando. Fantasio sobre para onde o homem de camiseta e bermuda que caminha despreocupado está indo a esta hora da noite. Quantas histórias. Uma pena o ônibus passar tão rápido, correndo. Se tudo fosse mais seguro, eu passearia sem pressa pelas nossas ruas à noite. Com certeza, cenas interessantes - e excitantes - devem ocorrer. Essas mesmas que passam despercebidas de nossos olhos durante o dia.
Na calada da noite, o meu coração bate mais calmo.

O dia é mais bonito, mas a noite é mais misteriosa.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Minha Caverna

Quem diria que eu iria gostar das aulas de filosofia. Quem diria! Quem diria tanta coisa ultimamente...
Eu nem sabia o que era filosofia para dizer a verdade. As "aulas" do ensino médio não serviam para nada, apenas para fofocar com as gurias, fazer algum tema pendente de outra matéria ou estudar para a prova do período seguinte. Para que prestar atenção, não é? Era tudo bobagem, mesmo. Não absorvi absolutamente nadica de nada.
Amém! Nada tão eficiente quanto o tempo junto com o caminho do autoconhecimento para tudo ficar mais claro. Mais interessante e mais divertido, também.
Já havia ouvido falar sobre o Mito da Caverna de Platão algumas vezes, mas nunca havia realmente parado para ler e analisar a tão famosa história do grego. Li os cinco primeiros livros do famoso A República, mas parei antes de chegar à narração dos prisioneiros cavernosos. Se soubesse que ela estava um pouco mais a frente, teria continuado mais algumas páginas, com certeza.
Eis que eu me deparo com uma matéria de Filosofia nesse semestre e o mito aparece de vez na minha vida. Então o leio uma, duas, três vezes. Definitivamente, entrou e perfurou minhas células. Eu gostei, fascinou-me.
Disse o professor: o que é a vida senão um "entrar e sair" de cavernas ininterruptos? Talvez ele esteja certo. Nem ele sabe se está certo. Ninguém sabe.

O certo é que jamais sairemos de uma caverna sem antes percebermos que se está em uma. Como é difícil se dar conta disso, como é difícil admitir que vivemos enclausurados. Bradamos a liberdade sem saber o que ela significa, o que ela é de verdade.
Eu avistei a luz. Mesmo que tímida, ela está me invadindo. A venda dos meus olhos está caindo. Voltar para a escuridão? Jamais. Só se for para tirar outras pessoas de lá.

Mil vezes, duas mil vezes, três mil vezes, infinitas vezes uma aula de filosofia a uma aula de plantas, cortes e fachadas.
Eu sou humana, não sou exata.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Levantar voo

Quem me dera ser um passarinho. Desses que voam, voam e voam por aí. Batem as asas e saem mundo afora. Deixam o ninho quando bem entendem e pousam onde acham confortável. E bonito, porque ninguém gosta de ficar onde a beleza não irradia. Exploram o mundo todo. Devem sentir os mais diversos cheiros, tocar os mais diferentes pisos, observar as mais estranhas e bizarras pessoas e situações, ver as mais belas paisagens. Não sei se há melhor vida do que essa... 
Ainda cantam, como se tudo pudesse ficar ainda melhor!
Se presos em uma gaiola, o coração ainda bate. A vida é que não palpita mais.
Eles nasceram para serem livres.

Quem me dera ter a liberdade de um pássaro.

Espera aí... Será que eu não tenho essa liberdade também?
Será que sou eu que não quero enxergar?
Sou eu que estou com medo de descobrir que posso voar por todos os céus que eu quiser?
Será que eu estou com medo de deixar a gaiola?

Está na hora de levantar voo.

A gente só enxerga aquilo que quer ver.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Shirin Sukhita

Agora eu tenho um compromisso. Esse compromisso é de uma vida toda, em cada segundo ele deve ser lembrado, deve ser cumprido. Não como uma obrigação, jamais. Como uma oportunidade de me conhecer, aperfeiçoar-me, tornar-se mais bela. Em todos os sentidos possíveis. Esse compromisso é comigo mesma, acima de tudo. É com o meu coração, minha essência. Esse compromisso faz parte do meu ser, do meu sorriso, da minha felicidade, das minhas angústias. É também com o universo e as flores, os rios, as pessoas. Com a vida. Esse compromisso é com o amor. E esse é o mais importante de todos, o mais valioso. O único que importa.
Desde que o Osho entrou na minha vida, muita coisa mudou. Suas palavras, seus ensinamentos, sua alegria são transformadores, inspiradores. Foi mais um presente que veio junto da melhor surpresa que uma noite de verão poderia me trazer. Ele, sempre ele. Gosto de pensar que conhecer o Osho estava no meu destino, que isso era um fato pré-estabelecido por alguém, seja ele quem for. Recebi a oportunidade de descobrir a vida em suas minúcias, não hesitei em agarrá-la com todas as forças. Agora não solto nunca mais.
Shirin Sukhita. Sweet Pleasure em inglês. Doce Prazer em português. Esse é o meu nome, essa é a tradução da minha essência sob a visão dele. Senti vontade de deixar as lágrimas que ficaram nos cantos dos meus olhos caírem, quando ele me entregou o envelope. Senti uma emoção gostosa, boa. De verdade. Dessas que inundam todo o nosso ser de energia positiva. Sou um doce prazer, quero ser um doce prazer. Para mim, para ele, para todos. Sou uma sanniasyn. Osho diz que é difícil definir um deles, mas ainda mais difícil é ser um deles. Ele costuma afirmar que "sannyas é basicamente uma rebelião contra todas as estruturas". Eu quero tentar, eu vou tentar, eu consigo. Sou uma corajosa.
Tenho o compromisso de ser livre. (Há algo melhor do que ser livre?) Quero ter uma vida forte. Vida fraca é para os fracos. Tenho o compromisso de ser eu, me descobrir e me amar.

Quero florescer. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

É...

A vida anda meio estranha. Sei lá... Já esteve melhor, mas também já esteve pior. Perdi um pouco da minha vontade de escrever aqui. Desânimo nível hard. Again!!! Ano passado uma crise dos infernos e esse ano parece que ela está invadindo meus neurônios e batimentos de novo. Por outras questõezinhas. Me pego pensado... Sobre o que eu vou escrever? Sobre mim? Nem sei de mim. Tenho raiva de mim.
Ai, que merda tudo isso. Sério. Ando de saco cheio de tanta coisa, sem paciência para tantas outras. Fico repensando, repensando. Não chego a lugar nenhum.
Será que um dia vou conseguir ganhar dinheiro fazendo alguma coisa que eu gosto, realmente? Será? Ando tão pessimista, nunca fui assim. E ainda tem o meu pai e a minha mãe, para completar toda a lambança. Almoços tensos, cafés da manhã tensos, jantares tensos, tudo tenso. Uma maravilha, só que não.
Ah, pois é, não cumpri a promessa. Dessa vez eu estava realmente com esperança que daria certo. Mas de novo fui fraca. Como sempre. Não aguentei os 30 dias. Preciso começar tudo de novo... Outra merda. Aiai...

Vem fazer o que tu sabe de melhor, vem? Vem me fazer feliz? Eu quero... Vem que eu nunca soube lidar com a saudade.

Será que é tudo culpa minha? Diz que não, diz que não.

terça-feira, 31 de julho de 2012

:(


Preciso escrever letra por letra para ver se eu entendi de verdade. E, assim, nunca mais esquecer.

Descobri o porquê do meu “vício” de mexer nos meus cravos e machucar a minha pele sem precisar. Eu tento, tento, tento, mas as recaídas sempre acontecem. Uma merda. Foi uma bela (e horrível) descoberta. Quando eu tinha meus 16, 17 anos talvez fosse por outro motivo. Ver a minha pele lisinha, talvez. Mas depois do meu aniversário de 18 velinhas, essa prática começou mesmo a fugir do meu controle. Tornou-se algo que me faz muito mal. Perdi totalmente o controle sobre ela. Estava claro que o motivo era outro, bem maior. Vamos às etapas do meu descobrimento. A primeira parte dele aconteceu durante o banho, se não me engano. Não, minto. A primeira parte aconteceu realmente naquela última consulta com a psicóloga, onde descobri que me culpo muito mais do que eu pensava. Muito mais do que muita gente. Muito mais do que o saudável, isso se a culpa pode ser algo minimamente saudável em níveis muito pequenos. Eu ainda acho que não. Quero livrar-me totalmente dela. Ok, continuando. O segundo passo foi dado em meio à água caindo e deslizando pelo meu corpo. (Tomar banho sem pressa é uma das melhores coisas da vida para mim. Ninguém me incomoda a partir do momento em que eu entro no banheiro e pareço quase trocar de planeta ao virar a chave.) Veio-me à cabeça que o que me faz mexer nos meus (minúsculos) cravos é justamente ela: a culpa. OMG. Mais uma vez, estava a um milímetro de distância e demorou tanto para cair a ficha. Era o óbvio, sempre tão difícil de ser visto. Por mim, pelo menos. A última e pior parte de todo esse caminho, aconteceu nesse último sábado à noite, depois de fazer 120 km quase agonizando. Eu já disse que odeio voltar, não é? Se nem cheguei a ir, então, pior ainda. Minha agonia foi piorando a cada quilômetro que passava. Um horror. Ao mesmo tempo em que me culpava por ter perdido uma oportunidade de ser um pouquinho mais feliz, por outro lado eu tentava me lembrar dos motivos porque eu precisava voltar. Mas a culpa é sempre minha, não tem desculpa. Quando cheguei a minha casa, quis ir logo para a minha cama. Ah, ainda estava chovendo. Com raios e trovões. Beleza. -.- Fui me deitar, não sem antes, mais uma vez, descontar tudo isso no meu rosto. Oi, recaída! Então, já debaixo do edredom, percebi algo: toda vez que mexo no meu rosto, estou descontando a culpa que sinto dentro de mim porque, talvez, no meu inconsciente, eu mereça me ferir, me sentir “feia” pelos atos “errados” que pratiquei. Como se fosse a minha própria punição por ter agido daquela forma e provocado sofrimento nos outros. Muitas vezes, tudo coisa da minha cabeça. As pessoas não gastam nem dois segundos em algo que eu penso duas horas. Foi aí, então, que percebi que deve ser isso mesmo. Que horror!!!
Posso estar errada, mas algo me diz que não.
Não adianta fazer o bem para os outros e fazer mal para ti, guria. Não adianta coisa alguma.

30 dias, Pri. É só isso que eu me peço. Vamos tentar?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

365 dias depois

Um ano se passou desde que eu criei o Multicromática. Tanta coisa mudou. Tanta coisa permanece igual.  Sou a mesma, mas muito diferente. A verdade é que eu quase não me reconheço mais. Assusta olhar para dentro e ver tantos anjinhos e diabinhos morando ali, os quais nunca passaram pela minha mente (sempre ela omitindo) que poderiam fazer uma casinha por entre os meus ventrículos e ali permanecer na boa, não fosse a gente cutucá-los.
Amém, aleluia irmãos! Livrei-me daquelas aulas que me davam enjoos e fui para as que me fazem flutuar. O semestre "novo" acabou e eu nem senti. Os resquícios daquele tempo sombrio ainda rondam... Eu ainda me cobro pelo tempo perdido. Ai senhor, manda embora essa culpa que insiste em me perseguir. 
Mas agora os questionamentos são outros. Sempre me achei uma insensível de primeira linha, sem coração, sem sensibilidade. Fria. Não chorava, eca! Mas que boba, estava eu muito enganada. Como a gente se engana com nós mesmos. Sou mais emoção do que jamais pensei, arrisco dizer que sinto demais. Outra falcatrua com euzinha aqui: jurava que não me cobrava, não me culpava. Isso só acontece com os outros. Eu estou imune. Comigo está t-u-d-o bem. Pois bem, mais algumas sessões de terapia cognitiva-comportamental e eu descubro que me cobro, me penalizo, me culpo. A lot, aos montes, em demasia. Por quase tudo. Falo e me culpo. Penso e me culpo. A toda hora. Como eu não queria sofrer disso. Poderia parar, assim de repente, não é? Ok, sei que é difícil. Mas diminuir esse martírio diário eu consigo. Tenho que conseguir. 
É tanta coisa nova que chega a ser quase uma confusão em mim. Sou tremendamente insegura. E eu que pensei que fosse fácil consertar isso. Como assim, meu deus? Eu não acredito o suficiente em mim. Eu acredito, só de leve. Tanta gente se achando sendo na verdade pouco e nada e eu aqui, precisando me achar mais.
Eu sinto raiva de quem não deveria sentir. Sinto culpa por sentir raiva de quem não deveria sentir. Fico estressada por sentir raiva e culpa e ai meu deus, que grande merda tudo isso. Fazia muito tempo que eu não ficava tão estressada como esses dias. Por diós. Respira, Pri. Respira que acertar o ponto da embreagem e soltá-la devagar é a tarefa mais fácil que tu tens pela frente.
Ai, meu deus. Loucura, loucura, loucura.
Eu me descobri tanto que deu até medo. Medo de mim. Sim, porque todo mundo já sentiu medo de si próprio.
Eu não sei o que vem pela frente. Mas venha, estou de braços abertos para me abraçar e me acolher. E me amar.


sábado, 30 de junho de 2012

Winter Sucks

Inverno vá para o inferno. No inverno a minha saudade piora. Por isso eu odeio ainda mais essa estação. Na minha cama de solteiro cabe mais um, apertadinho. De que adianta, de nada serve. Esquece. Bobagem, bobagem. O coração sempre desejando aquelas batidas companheiras.

Desculpe... Por sentir demais, escrever demais, endoidecer demais. Pulsar demais.

Quem sabe o problema todo seja esse.

-

É claro que existe a saudade do corpo. Vontade do corpo. Não é pequena, não. Mas eu tenho vontade da conversa. Saudade dela, também. Contar o que está acontecendo na minha vida. É tão bom. Acho que nunca tinha realmente sentido tanta falta nesse sentido. Talvez porque pulei a psicóloga essa semana. Quero te contar o porquê. Contar-te que nunca, jamais, nem cheguei perto, de estar animada do jeito que estou para o próximo semestre. Não existe mais aquele medo. Agora há a vontade de aprender.

Sabe, o quanto isso me faz bem. Eu, que não era de falar, querendo falar. O quanto guardar me deixa down. Percebi que me faz bem.

Vá para a neve. Vá para o frio. Eu te mantenho quentinho. Aqui dentro.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ela, de novo

Sinto tanta saudade. Já foi pior, mas saudade é saudade. Ela vem acompanhada da distância. Aquela desgraçada, sem graça alguma. Distância á uma coisa que merece cuidado. Costumo lidar bem com ela, até que... Eu tenho medo dela. Essa distância é traiçoeira.
Ai, que saudade. Nem chega a doer, agora ela já me tomou por inteira. Eu deixo e não abro o bico. Eu devo gostar dela, no fundo, senão não a teria como companheira de vida há um bom tempinho. Ainda bem que agora mato o meu tempo com outras coisas interessantes e ela dá uma saidinha de vez em quando. Mas é só um piscar em falso e pimba! Ela está ali novamente. 
Eu queria estar perto. Ontem, hoje, amanhã. Eu fiquei, meu Deus que complicação. Eu fiquei querendo ir. Burra. Mas não dava... Ou será que dava? Culpa, vá embora.
Ai meu Deus, que a saudade não me faça chorar e que a distância diminua logo, logo, logo.
E não volte a crescer. 
Impossível. 
Merda.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

Eu, sem rodeios

Eu adoro as minhas manias. Ou seriam as minhas neuras? No fundo uma deve ser o sinônimo da outra. Então, tanto faz, gosto delas de qualquer jeito. Elas devem ser tão chatas e estranhas que devem fazer parte do meu encanto. Afinal, temos que gostar das estranhezas do outro para o coração pulsar de verdade por aquela pessoa especial. (Resquícios do dia 12? Talvez...) Arrisco dizer que ele mora no meu coração por causa também, mesmo um tantinho que for, de alguns hábitos que ele não abre mão e eu aprendi a respeitar. Acho graça. Talking about me, eu admito, confesso, revelo... Sou uma escrava perante essas "esquisitices". Porque eu só saio de casa se calcei primeiro o pé direito. Aliás, nem dentro de casa eu ando de pantufa se coloquei o pé esquerdo primeiro. Deus me livre! Já começo pensar que mil e uma tragédias vão acontecer. Posso estar mega atrasada, mas vou parar e sentar e calçar o pé direito primeiro. Uma mania do tipo superstição. Melhor não dar chance para o azar. Eu me previno. Pense o que quiser. Porque só começar com o pé direito quando muda de casa, de trabalho, de namorado? Eu começo com o pé direito todo santo dia. Outra dessas minhas particularidades é chegar em casa e tirar o anel, os brincos e as pulseiras. Enquanto eu estou fora de casa, esses acessórios não me incomodam nadica de nada. É só eu colocar o pé no meu lar doce lar que, pronto: necessito tirar esses trecos. Aí sim me sinto muito mais leve. Talvez esses adereços caracterizem outra minúcia minha... Eu faço uso deles todos os dias quando saio de casa. Posso ir para a padaria comprar pão, mas eu não saio sem as minhas quatro pulseiras de cristal, meu anel (que virou o anel da sorte, só para constar) e meus brincos. Esses últimos eu mudo quando me dá na telha. De qualquer jeito, todos devem ter percebido que esse conjunto é minha marca registrada. Sei lá. Eles são discretos e chamativos na medida certa. Combinam comigo, se não fosse isso não os usaria todo dia em todo lugar.  Deixo pensar em algumas outras manias minhas... Serve odiar a luz branca (maldita vez que inventaram a lâmpada fluorescente), achando-me feia só de imaginar parar em um espelho iluminado por essa luz horrível? Não suporto ficar me olhando no espelho mais que alguns poucos minutos com essa luz branca. Perdoem-me os ambientalistas, sou fã número 1 da luz amarela. Viva a lâmpada incandescente! Hahaha Lembrei de uma muito boa! Quando como alguma daquelas bolachas que vêm cheias de furinho (tipo água e sal, maisena e etc.) não consigo comê-las sem antes preencher todos os buraquinhos com MuMu. Hahaha Essa é outra coisa que me dá nos nervos. Melhor parar por aqui... Devo ter deixado claro que tenho alguns neurônios doidos.

E sabe o que eu acho disso tudo? Eu adoro! E não pretendo mudar nada em nenhuma delas...

sábado, 9 de junho de 2012

Hopeless Place

Chega desse endereço. Já deu. Já passou da hora de nos mudarmos daqui. Chega desse ar impregnado de ganância que me machuca, me mata lentamente. Deve ser cancerígeno. Chega dos quilômetros de distância dos vizinhos que estão a metros de mim. Milhas e milhas de distância do meu coração, mesmo estando no meu sangue. Chega de toda essa poluição em meio ao verde. Não quero mais acordar e ver essa paisagem sem graça na janela. Enjoei. Faz tanto tempo que enjoei. Aliás, nunca gostei. Quero concreto, quero cinza. Quero mesmo. O verde eu deixo para quem gosta. Deixo para quando sentir saudades. Deixo para nunca. Quero liberdade. LI-BER-DA-DE. Entenderam? Chega dessa prisão revestida de lar. Ir a pé comprar o pão, ir a pé fazer a unha, ir a pé pegar o ônibus, ir a pé ser feliz, sacou? Todo esse isolamento não me fez e não me faz bem. Faz-me muito mal, isso sim. Ai, como eu odeio o lugar ondo moro. Como odeio, Jesus! Quanto estresse, é puro estresse! Aqui não tem esperança. Aqui a gente só espera coisa ruim, só espera o pior. Aqui não tenho vontade de sorrir, não tenho vontade de me levantar todas as manhãs. Só tenho se for para fugir para outro lugar naquele dia. Mas amanhã terei que voltar de novo. E de novo, e sempre. Ai, como me dói morar aqui. Como me dói. Eu quero tanto deixar tudo isso aqui... Eu não sei como será, mas será melhor, isso eu sei.
Eu quero falar "oi" para o vizinho, quero ter que esperar o elevador, quero endereço decente, quero caixinha do correio, quero vida. Vida de verdade. Sofrimento não é vida, sofrer é ruir. Aqui a gente vive, mas quase morreu. Aqui não é bom viver, aqui não é nada bom. Vocês não entendem, aqui é pior que pesadelo, aqui o pesadelo é real. Aqui eu não sou feliz. E eu só quero ser feliz. Longe daqui.

O dia que eu tirar os pés daqui eu nunca mais volto. Nunca mais.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Simplesmente Aquariana

Nunca liguei muito para esse negócio de astrologia. Apesar de que há alguns anos atrás comprava revistas teen só pelo horóscopo que estava nas últimas páginas. Não podia deixar de saber a probabilidade de encontrar o amor da minha vida naquela semana. Bom, mas essa fase já passou. Ok, continuo não resistindo e sempre leio as previsões para o meu signo em qualquer jornal ou revista que eu pegar na mão. Hahaha Isso é intrínseco à alma feminina, só pode!
Voltando ao assunto principal que quero relatar aqui, essa parte astrológica da minha vida é quase um mistério. E eu adoro. Curte só: nasci no dia 19 de fevereiro. Milhares de revistas dizem que nesse dia já é peixes. Outras milhares afirmam que ainda é aquário. Tem ainda o tal horário que eu vim ao mundo, que influencia nisso tudo também. Como eu fico no meio dessa zona? Eu estou nem aí. Agradeço todo dia por ter nascido antes do tempo (thanks, doctor!) e não ter parado no mês de março. Amo o mês de fevereiro e tudo o que vem com ele. Aquele verão que continua lindo... Aquele fevereiro que todo mundo tem alguma história para contar. Aquele mês mais curto que é para a gente aproveitar ainda mais antes de ele chegar ao fim. Sou aquariana, antes de tudo, porque me sinto assim. Sei lá, não simpatizo nadica de nada com o signo de peixes. Nunca parei e pensei: "Hoje preciso definir o meu signo". Simplesmente sempre fui e vou ser de aquário e ponto final. Aquariano é misterioso, vive no mundo da lua. Assim posso ter uma desculpa sempre pronta quando insistirem em dizer que eu sou avoada. Tudo culpa da posição dos astros na hora que chorei pela primeira vez.
Sou uma mulher aquariana. Há mil definições para elas. Ainda estou me descobrindo, algumas talvez nem saiba que levo comigo. Penso que me encaixo no olhar marcante que é atribuído a elas, a dificuldade em expressar o seu carinho e o seu amor, a liberdade que tanto prezam, a simplicidade que fazem delas pessoas ainda mais especiais. A timidez sempre me acompanhando também. Sou imprevisível, será? Não sei... Talvez sim. Fico viajando, viajando na maionese, no ketchup, na mostarda...

Ops, acabei de fazer isso. De novo.

Ser aquariana me faz mais feliz, simples assim.

sábado, 26 de maio de 2012

Shame on me

A conversa interessantíssima que rolou no bus aquele dia dizia respeito ao trabalho de uma guria em um centro de reabilitação para dependentes químicos. Tenso. Ela contou histórias de lá, de pacientes viciados em crack e tal. Uma hora ela disse que todo o ser humano possui na genética a tendência a ter um vício. Eu concordo com isso. No fundo, no fundinho, todos nós temos algo que fazemos que seja puro vício. Faz um mal danado, mas a gente continua. É claro que comecei a pensar em qual é o meu vício. Sim, porque eu não sou nem melhor nem pior que os outros seres humanos. Somos todos iguais, todos somos seres especiais. E problemáticos, convenhamos. Dito isso, logo, tenho um vício. Ou dois, ou três... Mas um, com certeza, é sempre o pior e mais devastador. Passei a viagem de volta para casa pensando, pensando... Qual é o meu vício? Álcool não é, eu adoro, mas fico um mês sem ele fácil, fácil. Óbvio que não dispenso um vinho, mas me viro bem com água sem gás, no problems. Drogas também não, quero distância, peloamordedeus. Chocolate? Talvez... Eu amo de paixão um chocolatezinho, mas acho que não chega a tanto. Se eu quiser, fico sem ele também. Sapatos? Bolsas? Nem que eu quisesse, o limite do meu cartão de crédito não deixa. (Ainda bem! Hahaha) Então, veio o insight: o meu vício está na minha cara. Literalmente. E eu fingindo não o ver... Meu vício é travar uma batalha dolorosa com os meus cravos. Está no meu rosto o meu vício, tem coisa pior? Não dá para disfarçar. Essa que é a minha maior vergonha. Eu não lembro exatamente quando comecei esse processo de mutilação. Eu perdi totalmente o controle sobre ele. Sério. Eu chegava a mexer nos meus cravos mesmo com a minha pele linda, perfeita. Eu precisava ir lá e cutucar. Provocar feridas em mim, interna e externamente. Porque o que eu sinto quando mexo nos cravos é uma das piores sensações do mundo. Sinto-me a pessoa mais fraca, mais covarde e mais burra do mundo. Vou dormir achando-me péssima. Sei que toda essa barbaridade é a minha "válvula de escape", é onde desconto o que está ruim, aquilo que está me incomodando. Tem gente que bebe demais, que fuma, que malha em excesso, eu mexo naquelas pontinhas pretas quase imperceptíveis aos olhos dos outros, mas gigantes ao meu ver. Fica pior ainda, percebi. O tempo que demora a sarar os mini ferimentos é o tempo que minha autoestima sofre um abalo sísmico e vai ao chão. Para reconstruir, haja horas e dias. Às vezes nem cicatrizou, já estou provocando outras lesões "de graça". Uma tristeza que me faz sentir dó de mim mesma. Faz bem pouco tempo que realmente conscientizei-me disso e vi que era pura idiotice e burrice deixar esse "defeito" me dominar. Oras, eu que tenho o controle. Eu e meus pensamentos bonzinhos. Os meus pensamentos vilões não merecem essa atenção toda, muito menos merecem aparecer no meu rosto. Lindo rosto, o meu. Há uns dias estou evitando passar pelo espelho e muito menos parar na frente de algum por mais de uns segundos. Eu já me aproximo dele e vou lá olhar e analisar os meus cravinhos (cravões, para mim). Estou aprendendo a controlar as minhas mãos. A não as deixar virem até o meu rosto e machucá-lo, atingindo até a minha alma. Já tentei várias táticas, mas até agora (minha nova tentativa começou a uma semana mais ou menos) a única que está dando certo é a força de vontade de mudar, de não deixar me dominar por essa vontade estúpida. Vou a fazer morrer, vou fazer ela se dissipar. Vou ser mais feliz, vou me livrar desse vício.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Depois da Meia Noite

Eu sei lá que horas são. Passa uma, passa duas. Eu te adoro a toda hora. Eu caminho e penso. Eu me deito e penso. Eu almoço e penso. Eu me banho e penso. Eu faço tudo e penso. Sabe onde chegam esses pensamentos? A nós dois. Mas é claro, onde seria? Haveria local mais bonito? Eu duvido, por outro não coloco a minha mão no fogo. Meus neurônios sabem onde querem chegar. Minto. Apenas seguem o meu coração e sua voz quentinha. É ele quem manda. E eu deixo. Deixo, deixo... Já me faltam forças para lutar. Já perdi a razão, já conheci a paixão. Entreguei-me à escuridão e dela surgiu um clarão. A tua luz. A me iluminar, a me guiar, a me apaixonar. Eu te quero, te desejo, te consumo. Meu bem, meu bem, meu bem. Quero-te tão bem. Sou boba, bobinha, bobinha. Sou tua, toda tua. Nua. Não me faça gritar, não me faça soluçar. Apresse o passo, essa tal saudade irá me sufocar.

sábado, 19 de maio de 2012

Na Estrada

Andar de ônibus na minha vida é quase como respirar: automático. Faço isso há uns 15 anos. Quase todos os dias são 30 km para ir e 30 km para voltar. Quando não é em dobro. Conheço todas as curvas e suas respectivas placas. Conheço todos os quilômetros e seus respectivos remendos. Na época de colégio, eu ia de "micro". Agora vou de busão. Sei os horários que o ônibus passa de cor. Sei quanto vai demorar a viagem. Sei até quem é o motorista e o/a cobrador/a de cada horário, se duvidar. Eles também já me conhecem. Mas, sabe, até que eu gosto. Quantas histórias durante todo esse tempo. Fiz amigos, desfiz outros. Chorei, sorri. Cada nova viagem de ônibus é uma nova aventura para mim. Não sei quem sentará ao meu lado, não sei quem me pedirá licença, não sei quais pensamentos invadirão a minha mente. Andar de ônibus me serve como uma grande fonte de inspiração. Eu posso relaxar, fechar os olhos e me deixar levar pelos meus devaneios. Às vezes nem faço questão de colocar os fones de ouvido. Eles parecem bloquear alguns pensamentos e também me fazem perder conversas interessantíssimas dos outros passageiros. Dia desses, ouvi um papo muito bom entre os viajantes dos bancos de trás. Fingi não estar nem aí, mas escutei tudinho, tintim por tintim. Acho que vai ser estranho o dia que eu ter o meu carro e não precisar mais pegar ônibus. Claro que a comodidade vai ser muito maior, mas não vou mais poder ficar observando cada um daqueles que pegam o ônibus. Tem sempre gente interessante, com algo legal para contar. Não sou muito de puxar papo, mas às vezes me encorajo e começo eu mesmo o blábláblá. Às vezes é tudo o que precisava naquele momento.
Se um dia eu sentir que a minha inspiração está indo embora (realmente tenho medo disso, chego a me apavorar), pegarei o primeiro ônibus que aparecer e vou deixar ele me levar. Levar-me para cá e para lá, mas principalmente para dentro de mim, da minha lucidez e da minha loucura.

sábado, 12 de maio de 2012

Guerra Civil

Ando tão revoltada. Não é com o escândalo de corrupção do momento, nem com essa sociedade fria e medíocre, muito menos com a música de abertura da novela das nove. Eles todos que se danem. Ando tão revoltada comigo mesma. Eu sou o motivo dessa revolta toda. Tenho raiva de mim. Eu e essa minha inércia que insiste em me aprisionar no meu castelo, protegido por aquelas grandes muralhas. Aquelas que me afastam de tudo e de todos. Até de eu mesma. Os muros são os meus medos. Meus piores inimigos, cheguei à conclusão. Medo de falar com a minha mãe. Medo de falar com as minhas irmãs. Medo de falar comigo mesma. Os desconhecidos, outrora tão evitados (parecendo gente de outra galáxia) agora são "fichinha". O bicho pega quando mete sentimento no meio. Conversas olho no olho. Diálogo, sabe? Pois é, eu não sei. Não me ensinaram. Agora tenho que aprender na marra.
Minha língua trava quando é para falar a verdade. Trava. Já quando se trata de mentiras, virei expert. Ela movimenta-se sem grandes problemas. Triste vida essa minha. Triste culpa essa vida minha.
Mas, pô, que medos são esses? Medo de me mostrar sonhadora demais ou de menos, mole demais ou de menos, triste demais ou de menos. Eu tenho medo de ouvir o que eu não quero. Eu tenho medo dos olhares. Eu vivo de medo e então não vivo.
Seria bom (alias, bom é pouco, seria ótimo) se eu agisse tanto quanto eu penso. Ô, seria uma maravilha. Seria. Ou será que dá para ser assim? Ninguém cobra mais essas mudanças em mim do que eu mesma. Os dias passam e eu não mudo. Os dias passam e a coragem passa junto.
Eu prometo melhorar. Por mim mesma. Sei das minhas fraquezas. Sei também que estou começando a entender como diminuí-las. Sei que isso só depende de mim. Acreditem comigo, assim eu fico mais forte.
Eu não consigo mudar. Eu consigo mudar. Eu não sei que passo dar. Eu sei que passo dar. Depende de mim. Decidir.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Melancólico Outono

Eu juro que me esforço para ser melhor, dia após dia. Não há processo mais longo e difícil. Mesmo com ajuda, querer mudar para talvez tornar a vida uma passagem mais bonita e plena, é preciso muita força de vontade. Pelo menos para mim. Sinto-me tão frágil, quase uma boneca de porcelana, que a um tropeço se estilhaçará em inúmeros cacos. Pareço ser capaz de chorar em questão de milésimos de segundo, com apena uma nota musical, uma palavra, um gesto. Ando me sentindo mal comigo mesma.
Sei que não sou a melhor filha do mundo. Estou longe disso. Falo pouco, quase nada. Escondo-me na minha carapuça da alegria, encobrindo lágrimas presas a sete chaves. Pareço distante, mesmo desejando estar cada vez mais perto. Gosto tanto que tenho medo de me revelar e perder essa pequenina confiança que ainda resta a minha pessoa. Devo, porém, estar perdendo mais ainda falando vazio e guardando muita coisa. Minha mãe não me entende. E a culpada sou eu. Não me faço entender. Sofro por causa disso e não é pouco. Será realmente que ela me entenderia? Será que sim, será que não? Será? Às vezes dá vontade de arrumar as malas e ir embora. Continuar esse legado de superficialidade inerente a minha vida. Eu só queria mais apoio.
Sei que não sou a melhor amante do mundo. Tento e tento e tento ser tão ou mais femme fatale do que tu desejas. Do que tu mereces. Sinto-me linda, mas não o tempo todo. Minha autoestima sobe um pequeno degrau por dia. Às vezes desce uns três no mesmo dia. É sempre mais difícil para quem começou a se achar bonita faz só uns quatro anos. Antes se olhava no espelho e via feiura. Aliás, foi e é tu o grande alicerce da minha autoestima. Se pareço distante de ti, acredite, é por querer tanto estar mais perto. Inúmeras vezes me perguntei o que eu fiz de tão bom para te conhecer, te merecer, te ter na minha vida. Não cheguei à resposta.
Sei que não sou a melhor amiga do mundo. Já recusei convites para não arriscar os meus dias ensolarados, sagrados. Continuo fazendo isso. Um dia vocês me entenderão, se já não me entendem. Às vezes posso parecer nem me preocupar, mas sou assim mesmo meio avoada, nem paro para pensar antes de falar. Desculpa. Um arrepio percorre a minha espinha quando penso em perder vocês. Eu só peço um pouco mais de paciência, por favor.

Sei que não sou a melhor do mundo. Mas sou melhor do meu jeito. Com certeza. Cheia de imperfeições e cicatrizes, melancólica como esse outono, frágil como as folhas que caem ao chão.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Quando o caro sai barato

Por que psicólogas são tão caras? HEIN? Êta mundo injusto. Eu preciso tanto desse alguém que me ajuda a organizar essa bagunça que bate aqui dentro. Mandar embora as bad ideas que insistem em frequentar as minhas caraminholas. Podia ser mais barato, não podia? Aff. Faz tãooo bem, todo mundo deveria ter acesso a esses momentos de leveza. E certa agonia, claro. Eu adoro, mas meu bolso odeia. Minha conta do banco deve estar desesperada, vendo o dinheiro voar feito pena leve. Minhas incríveis economias estão se indo. Claro que é por uma excelente causa, mas mesmo assim é uma facada. O tratamento é longo, entender meus comportamentos e fazer aparecer os meus pensamentos que fazem os tais acontecerem deve levar algum tempo. Algum bom tempo. Esse tal de cognitivo-comportamental. Para ser bem sincera, ainda não sei se entendi direito como funciona esse método.
Melhor eu parar de reclamar. Afinal, um "indivíduo que entende muito da alma humana" merece ganhar muitíssimo bem por hora. Aguentar gente tipo eu, que chega lá e despeja todas as suas exclamações e interrogações não deve ser brincadeira de criança. Tenho alguns "porquês" que formulei para explicar essa ajuda ser de alto custo. Talvez porque elas têm aquela voz fofa, suave, tranquilizante... Até mesmo na hora de falar dos nossos piores defeitos, nossas dificuldades mais terríveis. Esses dias liguei para uma e gostei dela só pela delicadeza da fala dela no telefone. A terapia para mim começou naquele instante. E olha que eu estava dormindo quando ouvi o celular tocando. Não deu outra, ela é demais! Mentira, estou menosprezando-a. Ela é demaiszão! Talvez também porque elas precisam formular as palavras instantaneamente de um modo que passe longe do cruel, mas que não seja molenga demais. Devem ser adequadas para aquele problema, aquele momento e, principalmente, aquela pessoa. Afinal, cada um é cada um. Eu sou eu e desde o começo ela soou perfeita para mim. Lá, ninguém me julga. Se ela faz isso, é de um modo que eu não percebo. De um modo que não dói. E eu adoro isso.
Se eu não sou totalmente aberta com os outros, com ela eu sou. Ela conhece as minhas profundezas, ela quer conhecer. Não por frestas. Eu sento e blablabla. Falo, falo, falo. Pensei que ia morrer de vergonha, mas que nada! De que vai me adiantar não ser transparente para quem aceita a minha transparência e, o mais importante, quer que ela continue além do consultório. Ela me deixa totalmente à vontade. Quem dera fosse assim no sofá da minha casa...
No fim, ela custa uma mixaria pelo bem enorme que me faz. Uma pechincha pela paz que me traz quando mostra que a solução de todas minhas inquietações está mesmo muito perto. Aqui, dentro de mim.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ah. Cansei. C-A-N-S-E-I. Chega. Chega de gastar meus sentimentos com quem não merece. Ou melhor, não faz nada para merecer. Passam-se dias, meses e quando se vê anos se foram e tudo continua igual, exatamente igual. Nem uma palha fora do lugar. 
De um lado, aqueles que em um oi disseram. Enquanto que me desdobro para chamar a atenção e me fazer "presente". Olhares não me bastam. Foi-se o tempo que eu sonhava por causa de um. Que seja medo, insegurança, seja o que for. Paciência tem limite e ela está quase, quase no fim. Esperança nunca acaba, porém, às vezes, fica para escanteio. 
Já lá, tem um que, ao contrário dos outros, me mima, me cuida, quer me fazer feliz. Sé é verdadeiro, AMOR verdadeiro? Não sei... Por enquanto, perto dos "indiferentes", vai ganhando pontos. Nunca fui muito de seguir regras, mas acho que é hora de agarrar a borboleta que pousou no meu coração. E não ficar correndo atrás delas. 
As larvas, quando - e se - sofrerem metamorfose, resta dar uma espiada no meu jardim. Poderá ser outono ou primavera.

10/07/2010


Não coloquei título no texto. Em um dia frio de inverno, eu estava dentro do carro e, para passar o tempo, resolvi colocar no papel as minhas dúvidas. Ir ou ficar. Eu fui. Hoje tenho muito mais histórias para contar do que se eu tivesse ficado. Hoje também vejo que estava na cara que no meu tempo livre eu escrevia ao invés de desenhar. Podia ter pulado fora antes. Fazer o quê. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Esquisitices

Não sei ao certo o porquê. Nos últimos anos isso vem se agravando. Tenho uma espécie de "fobia" com erros de português. Dá um treco em mim. Sobe um calor, uma inquietação, dá vontade de sair correndo e corrigir aquela letra a mais, aquela falta de pontuação, aquele erro grotesco. Sinto pena do português, assassinam o pobrezinho sem dó nem piedade. Caso cometo algum engano (a língua portuguesa classifica-se como hard, vamos ser sinceros) fico me culpando até revertê-lo. Besteira, talvez. Insanidade, quem sabe.
A verdade é que sou louca pela crase. Ela é tão sexy... Deixa tudo mais sofisticado. Não serve para qualquer um e aparece só em ocasiões especiais. É aquele toque especial que faz toda a diferença. Tenho também uma queda pela vírgula. Ela coloca tudo no seu devido lugar, como deve ser. Certo dia ouvi de uma professora que quando ela aparece é chegada a hora de "respirar", para depois continuar, se não já viu, afobação geral. Nunca mais esqueci. Quantas vírgulas fazem parte da minha vida, quantas vezes precisei respirar fundo e seguir em frente, porque ainda o desafio era grande. Ou então separar de um lado o que não me faz bem e do outro o que me faz bem. Às vezes sofre com o desprezo de alguns. Já as reticências não são nem de longe minhas preferidas. Parece-me sempre que a pessoa não teve coragem suficiente para escrever o que pretendia e então colocou as reticências para ver se eu capto a mensagem oculta. É claro que eu não vou me tocar, quase não entendo diretas, que dirão indiretas. Chega dessas reticências que me fazem pensar mil e umas mirabolâncias. Se quiser usar, então usa direito. Não quero desvios, prefiro o ponto final. Mesmo que seja para o pior, prefiro o ponto final. Já o ponto de interrogação é legal. Perguntas sempre são cool, fazem a gente pensar e conhecer e estudar. O de exclamação é divertido, lembra-me risadas e alegria. Em demasia, entretanto, são irritantes e muitas vezes irreais.
O fato é que eu gosto do português, quase certo pelo fato de eu gostar de escrever e me sentir à vontade em meios às palavras e tudo mais. Ele tem palavras tão lindas... O inglês é muito legal, mas não adianta, a língua portuguesa será sempre minha língua mãe. Aquela que acolhe, sabe? Acolhe minhas alegrias, minhas dores, meus medos, minha vida.

Nunca disse que eu era normal. Aliás, cada dia me descubro mais insana. Melhor tomar cuidado comigo mesma.

sábado, 21 de abril de 2012

Esse turu turu turu

Eu gosto tanto dele. Tanto, tanto. De cada centímetro do corpo dele, de cada marquinha. Daquele cheiro, delicioso perfume. Eu o abraço e ele é tão macio. Deve ser por isso que eu me sinto nas nuvens. Elas também devem ser suaves feito algodão. É o abraço mais confortável que existe, o meu número. É na medida certa, nem forte, nem fraco. Um abraço realmente. Fico a pensar como elas deixaram para trás aqueles braços. E eu que quero mais e mais. Eu gosto tanto de cada sorriso, cada olhar. Retratos de um homem que já ganhou e também já perdeu. Aquela alma frágil, humana. E uma voz que não fala, canta nos meus ouvidos. O toque suave e marcante. Assim mesmo, desse jeito, os dois ao mesmo tempo. Aquele lábios macios e doces, que adoçam a minha vida. Beijam-me e seduzem-me. Hipnotizam-me. Misterioso como ele só. Ai! Que cor, que sabor, que dor, que calor, que tremor, que louvor. E se por um segundo eu odeio, no outro adoro ainda mais. Ele e eu, a gente se encaixa. Ele, eterno enquanto dure e após. Ele, a minha inspiração maior. Ele.

Nunca fiz uma declaração de amor. Talvez essa seja a primeira.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

É assim, desse jeito

Tem um tempinho que eu venho pensando demais em coisas que antes eu sentia mais do que pensava. Era melhor, o coração é sempre melhor. Não sei exatamente o que desencadeou isso, esse turbilhão de pensamentos que consumiam minha energia. Deixavam-me exausta sem nem ao menos eu mover um dedo. Os meus anjinhos sentimentais e os meus diabinhos racionais debatiam-se intensamente dentro de mim, mas permaneciam inertes. Pensava, pensava, pensava e estava sempre no mesmo lugar. Sempre. Não ia para frente, nem para trás. Ao mesmo tempo em que eu precisava agir. De um jeito ou de outro, eu precisava saber. O pessimismo inundou as minhas expectativas, o "não" já era audível.
Então eu descobri. A venda que eu mesma coloquei nos meus olhos foi retirada. Eu sofri por não aceitar a realidade como ela é. Não enxerguei o óbvio. Muitas vezes o nosso erro é esse. Agora está sarando, devagarinho. Descabelei-me por querer que fosse diferente, por querer que fosse do meu jeito, do jeito que mora aqui na minha imaginação, no reduto dos meus sonhos quase impossíveis. E no meu coração. Mas a realidade é outra. Eu sabia e sempre soube que era assim que tudo funcionava, mas não queria mais aceitar que fosse assim. Eu quis mais. Pedi demais. Quem sabe eu não mereça mais que isso. Quem sabe isso já é mais do que eu podia querer por toda uma vida. Às vezes penso que sou mal-agradecida. Será? Não sei.
Talvez é desse jeito mesmo que as coisas têm que ser. Talvez eu tenha sido uma boba em pensar que podia ser diferente. Talvez não desse certo mesmo. Eu só pensei que pudesse ser melhor. Sem tantas mentiras e inseguranças para o meu lado. Não rolou.

Eu ainda quero. Eu continuo querendo. Muito. Só peço calma para colocar em ordem tudo aqui dentro.

domingo, 15 de abril de 2012

You and Me

Porque no fim somos nós dois. Nós dois e o mundo lá fora e o mundo aqui dentro da gente. Nós dois sobre os lençóis depois de uma sessão de queima de calorias deliciosamente extasiante. Nós dois descabelados, abraçados, entrelaçados e sonhadores, de conchinha. Eu e ele no supermercado escolhendo o vinho para o jantar à luz de velas. E de repente ele me abraça, me beija e me levanta no ar, ali, bem no meio de todo mundo.  Eu simplesmente adoro isso, com todo o meu ser. Eu e ele de mãos dadas por aí. E essa energia que passa dele para mim, de mim para ele. Nunca imaginei que isso fosse tão simples e tão poderoso. Nós dois na Independência com a lua a nos abençoar. A caloura e o veterano. Ele é da casa, ela ainda é nova no pedaço. Mas aos poucos ela pega o jeito. Eu e ele chegando e saindo. Ele cantando e eu sorrindo. Aiai, essa rotina do amor que eu adoro tanto.

Pelo menos para mim. Aliás, no começo é que somos nós dois. No fim, é eu aqui e ele lá. Eu juro que gostaria de sentir menos saudade. Eu juro. Eu não sei... Eu não sei o que fazer com tudo isso que está acontecendo dentro de mim. Eu não sei lidar.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Facul, not so cool

Nunca gostei muito de ir para a faculdade. Acho meio obsoleto esse negócio de "aulinha, provinha, trabalhinho". É tudo tão mariavaicomasoutras. Passei já 12 anos no colégio assim. Mais três no inferno (vulgo Campus 8). Mas não quero ser enterrada viva pela minha mãe, então o jeito é continuar. Se um dia Deus me der paciência (e muito grana, óbvio) e eu for mamãe, não quero que minha filha (porque eu terei uma menina, isso é certo) seja da sociedade que enxerga que a felicidade suprema só será obtida passando pela faculdade, tendo um diploma na parede. Um dos maiores motivos para eu não ser fã nº 1 de ir para a faculdade é esse competição toda que reina por lá. Pode até estar disfarçada, meio travestida, mas ela existe. Um quer ser melhor que o outro. É assim em todos os lugares, porque não seria nos cursos de graduação? Onde se estuda para ser melhor que os outros? No fundo é isso, sim, podem discordar se quiserem. Façam uma pesquisa e perguntem para cada universitário se eles estão em uma faculdade por vontade deles ou por desejos de outros. Depois me digam.
Eu sei que é importante para conseguirmos uma posição melhor no mercado de trabalho (porque posição perfeita só com pós-doutorado e olha lá) e eu gosto dos meus professores e das minhas aulas hoje, mas mesmo assim uma hora cansa de pegar o bus todo santo dia e ir para lá. E depois voltar e voltar e voltar até o dia em que finalmente terei a minha foto com o canudo na mão. Quase cai na rotina. Antes, quando eu estava na tortura, eu não dava a mínima para quando eu ia me formar. Demora o quanto demora. E ainda desejava que não chegasse nunca! Hoje não, tenho como meta formar-me no tempo mínimo.
Adoro aprender coisas novas e estou conhecendo pessoas legais, mas mesmo assim acho que o esquema poderia ser diferente. Assim parece que todas as vidas das pessoas devem ser iguais até os 25, 26 anos. E depois também. E se a pessoa não segue isso tem um grave problema mental. A minha maior alegria de ir para a faculdade é passar o cartão na catraca e ter acesso àquela biblioteca gigante! Vontade de ler todos os livros, um por um, ininterruptamente. Sei que devo aproveitar esse tempo que dizem ser o "mais fácil" perto daqueles que virão depois de formada. Tenho até medo de pensar neles...  Bom, quando eles chegarem eu vejo o que vou fazer.
Então eu vou, pensando que podia ser diferente. Então eu continuo, firme e forte. Pelo menos na teoria.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

De boa

Estou amando ir dormir sabendo que vou acordar somente quando meus olhos quiserem abrir. A-M-A-N-D-O. Não ouvir aquele barulho infernal do despertador é uma benção. Mesmo se for uma música, ela se tornará um barulho infernal. Dá na mesma. O mundo com certeza seria um lugar melhor se não houvesse despertadores. Não ter hora para ir para cama é muitíssimo bom. Posso ler antes de dormir, pensar na vida, relembrar o meu dia, sentir os lençóis quentinhos, de verdade. Não é aquela rotina automática que eu estava acostumada. Aiai. A preguiça é um dos meus pecados favoritos. A luxúria e a gula também me atraem - em outro post falo mais deles. Os outros - a vaidade, a ira, a avareza e a soberba - não fazem o meu estilo. Mas sei que os carrego dentro de mim, mesmo que adormecidos. São pecados entre aspas, por que esse papo é pura baboseira que um pessoalzinho a milhares de anos inventou para injetar culpa na gente. Culpa de quê? De ser humano? De ser feliz? Fala sério! Tudo está de cabeça para baixo mesmo.

Voltando, como eu estava falando inicialmente, podem me chamar de preguiçosa. Eu deixo. Já estou acostumada quase, nem levo como ofensa. Minha mãe sempre diz que eu fui a filha que menos deu trabalho, a menos sapeca; deve estar na minha genética. Adoro uma rede, um sofá, uma cama. Isso não quer dizer, entretanto, que eu deixe de fazer os trabalhos da faculdade ou falte a compromissos, nada disso. Muito raramente eu falto aula, mais raramente ainda dispenso uma janta ou um cinema. A questão é que eu não fico com peso na consciência - nadinha - quando eu sento e descanso. Ficar mais uns 10, 20 minutos na cama eu faço isso sorrindo, não me martirizando. Passar um dia de folga fazendo coisas banais, sem pressa, com calma. Não preciso estar o tempo todo ligada, pensando "estou desperdiçando o meu tempo fazendo algo inútil, o meu concorrente está estudando" e blablabla. Eles não se dão conta que os melhores insights acontecem quando se está calmo, sem stress.
Sou preguiçosa na medida certa. Porque vejam só, meus caros, se eu realmente fosse uma preguiçosa ao extremo, não estaria aqui escrevendo e escrevendo no meu blog. Aliás, vir aqui escrever é uma das atividades que menos me dá preguiça. Venho correndo, se for preciso.