sábado, 30 de julho de 2011

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Tanta gente excluindo o Orkut e eu pensando em excluir o meu Facebook. Falo sério. Ou eu me desligo dele ou dou unfollow geral. Ops, isso é só no Twitter. Então o jeito é excluir a maioria dos meus "amigos", porque o feed de notícias está deprimente. 99%  do que os meus adorados conhecidos postam é inútil, totalmente inútil. Só vejo duas possibilidades: ou eu sou uma pessoa chata, chata pra caramba, ou os chatos são - porque graças a Deus sempre tem um pessoalzinho bacana - quase todos os outros. Aposto na segunda opção. É incrível como as pessoas perderam o bom senso (ou nunca tiveram). Aonde já se viu postar fotos de uma recém-nascida que mal e mal abriu os olhos? Nem 10 dias a nenê tem! Parece de ver a mãe dando de mamar e postando no Facebook ao mesmo tempo. Exagero, mil vezes exagero! Vai pro Rock in Rio? Que bom! Aproveita! Não precisa postar um milhão de vezes, se achar o máximo possível. Lendo nas entrelinhas da legenda da foto dos ingressos: "Morram de inveja! Lálálálááá!" Pode fazer o favor de pegar esses ingressos e enfiar onde o sol não bate? Agradecida. E o "amor" então? "Eu te amo" pra lá, "eu te amo" pra cá. Oh céus, haja paciência. Tanto eu te amo da boca pra fora que chega a dar enjoo. Amor verdadeiro não precisa provar nada pra ninguém. Nem gosta de tamanha exposição. Muito melhor falar palavras de carinho só no ouvido da pessoa ou olhando nos olhos, em um momento íntimo. Parece que precisam mostrar para todo mundo que são o casal mais feliz do mundo. Duvido. Sem esquecer quem viaja e faz questão de postar mil vezes. Algumas fotos são sempre legais, mas moderadamente. Um milhão de coisas legais para conhecer e fazer durante uma viagem e a pessoa fica no Facebook. Claro, uns 15 "amigos" vão curtir e ela vai se achar superpoderosa. Há também aqueles que - propositalmente - fazem dos comentários uma extensão do MSN e contam aonde vão, com quem, que horas, para todo mundo ver. Aff. Ter caráter, fazer o bem, cuidar do meio ambiente? Pouco importa. Ter mais de 1000 amigos no Facebook, mais de 50 fotos com a sua marcação, 30 pessoas curtiram seu  último post que recebeu mais de 20 comentários. Isso sim é legal, todos adoram. "Fakebook" seria um nome mais apropriado (fake = falso, em inglês). A falsidade rola mais solta que balão no vento. E não, tudo isso não é inveja. Acreditem. Também tenho do que me gabar, podem ter certeza, se realmente quisesse. É indignação. É decepção. Pergunta que não quer calar: para que tudo isso? Despertar inveja? Deus me livre, tenho medo do poder corrosivo dela em um coração. Expor a minha vida? Não, não faço a mínima questão. Quem tem que saber o que acontece comigo é quem confio e que sei que não irá distorcer as informações. Ufa. Precisava desabafar, estava preso na garganta há dias. Galera, vamos usar o Facebook com consciência, divulgar só o que é legal, conhecimento que vale a pena, humor de verdade, é uma rede social que pode muito mais. Chega de tanto "achismo", tanta besteira, tanta competição para ver quem é mais pop. Tudo tem limite. E quem avisa amigo é. Mil vezes um "não curti" verdadeiro, do que um "curti" mascarado.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Coisas da Vida

No verão passei por uma experiência que me fez parar e pensar um pouquinho nos acontecimentos da vida. Fomos muito amigas - melhores amigas - desde o Pré-3 (isso existe ainda?) até lá pela 4ª série, 5ª série do ensino fundamental. Naquele tempo de colégio em que a gente não repara (ou não reparava) marca de roupa, modelo do tênis, corte de cabelo, espinha no rosto. A gente simplesmente era amiga, se dava bem, se gostava sem precisar explicar, bastava sentir. Um deslize e ela não avançou junto comigo, ficou um ano atrás. Continuamos nos vendo no colégio até eu acabar o ensino médio, conversando de vez em quando durante o recreio ou nos intervalos das aulas. É claro que ela não sabia mais por quem eu estava perdidamente apaixonada dessa vez (e não me dava a mínima bola, óbvio), nem soube do meu primeiro beijo, tampouco da minha dúvida do que escolher no vestibular. Eu também não sabia mais quais eram os seus segredos. Tanto eu quanto ela tínhamos novas melhores amigas. Encontramo-nos por aí algumas vezes, batemos um papo rápido, aquelas perguntas básicas, sem maiores intimidades, sempre nos despedindo com a promessa de que um dia marcaríamos um café, uma festa, um almoço, uma janta, um encontro para colocar o papo em dia. Mas promessas são difíceis de cumprir, não sou muito chegada nelas. Passou o tempo, até que eu resolvi que queria vê-la. Conversas no MSN e marcou-se a data, a hora, o local. Conversas, risadas, nostalgia, lembranças, novidades, segredinhos, conselhos (que nada adiantaram, quase me irritaram, isso sim). Resumindo, foi bem bom. Tradução (me contaram e resolvi adotar o significado): foi meia boca. Eu não me senti completamente à vontade, alguma coisa parecia estar fora do lugar, a sintonia entre nós não era mais como antes. Meu diabinho quase desejou que o tempo andasse um pouquinho mais depressa. Os anos se passaram, eu mudei, ela mudou, isso estava mais do que claro. Há pessoas na vida que conhecemos um dia e elas serão nossas companheiras a vida toda, até estarmos todos de cabelos brancos (escondidos pela tinta, no meu caso). Mas há aquelas que fazem parte de certo período e depois as vidas tomam caminhos diferentes e nos afastamos naturalmente. Isso nem sempre é ruim. Às vezes é pra ser assim, é melhor que seja assim. Decidi que não quero mais vê-la. Não sem antes me sentir culpada por isso. Quero lembrá-la sempre como uma das minhas melhores amigas, daquele tempo que brincamos, rimos, brigamos, fomos felizes juntas. Foi tão bom, não quero manchar essas lembranças tão boas com momentos mornos, que com certeza não terão a mesma intensidade daqueles vividos anos antes. Suspeito que ela também sentiu que o nosso encontro mostrou que, hoje, somos estranhas uma a outra, não há como negar. Os corações perderam a conexão que existia. Nunca mais nos falamos no MSN. Esse episódio me fez pensar em outras amigas que o contato também foi se evaporando. A gente sente quando não dá mais, quando as cores não se misturam mais, não resultam em um novo tom vivo e brilhante.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dia de Sol Cinza

O dia estava lindo. Começou com neblina, mas ao meio dia o sol estava a pino. Depois do almoço, espera. Ansiedade. Medo da intuição. Positivo. Puts. A gente sempre tem um fiapo de esperança, sempre. Não deu para aguentar, vieram as lágrimas. Disfarce fajuto: óculos escuros. Aperto no peito. Tristeza. Cada passo pesava uma tonelada. Aquela vontade de sumir e ficar sozinha, longe de tudo e de todos. Difícil, quase impossível, no meio do centro de uma grande cidade, apinhado de gente. Não via ninguém, muito menos o sol, não sentia nem frio, nem calor, só uma confusão de sentimentos ao mesmo tempo em que parecia que eu não sentia nenhum, quase em estado de torpor. Mas, como sempre, várias coisas a fazer. Foi preciso tirar forças do que restava do meu autocontrole para reprimir as gotas que insistiam em cair, pareciam ter vida própria. As outras pessoas não precisavam saber o que estava havendo. Dar satisfações era a última coisa que eu queria fazer naquele momento. Passa um tempo e, na fila do banco, uma menininha vira, me olha e sorri para mim. Por um segundo, esqueço-me de tudo e sorrio de volta para ela. Não retribuir seria praticamente uma ofensa. Parecia que ela sabia que eu precisava daquilo. Ou foi um toque de Deus. Um sorriso. Pra lembrar que a gente sempre volta a sorrir. Horas depois, decido atravessar a rua e vejo um homem de terno e gravata, que ao olhar para a catedral que está a uma quadra de distância, não hesita e faz o sinal da cruz, em plena Júlio de Castilhos. Outro sinal de Deus, talvez. Pra lembrar que eu tenho fé suficiente para superar o que vier e que a minha esperança nunca acaba. Não estou sozinha. Mas o dia continuou sem cor. Um mal-entendido e um celular desligado. Resultado: meia hora de espera. De pé. Um poodle branco para quase do meu lado. Cumprimento-o: "Oi!" Ele vira e me olha. Fez-me sorrir, me ganhou, na hora. Entro no carro e, claro, lá vem reclamações, lamentações. E eu naquele estado. Uma das coisas mais tristes da minha vida é ser estranha para quem eu deveria ser o mais transparente possível. Mas a gente aguenta tanta coisa que a gente jamais pensou aguentar. Ontem o dia foi cinza, metade culpa do destino e metade culpa minha, quem sabe. Hoje, por incrível que pareça, choveu e o tempo está feio, mas o dia recebeu uma pincelada. A cor está fraca, mas amanhã ela estará mais forte, com certeza. Basta querer.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Imperfeita

Nunca fui perfeccionista. Nunca quis ser perfeccionista. Se perfeccionismo for considerado uma qualidade, desculpe, essa eu não possuo. Às vezes até sinto uma invejinha dessas pessoas que fazem e refazem tudo umas mil vezes até ficar do jeito que elas consideram perfeito. Chego a pensar que por não ser assim, não sou e talvez nunca seja tão boa quantos eles, os tais perfeccionistas. Até vergonha chego a sentir. E olha que convivo com vários deles. Só que eu não consigo. Para mim, tem que estar bem feito, muito bem feito. Mas perfeito não. Não precisa. Buscar a perfeição é buscar o impossível, é perder os cabelos por nada. Deus me livre ser perfeita, deve ser chato pra caramba nunca estar realmente contente, uma vez que todos sabem que perfeição mesmo não existe e nem nunca vai existir. Eles podem chegar perto, quase lá, mas a linha de chegada é apenas uma miragem. E isso vale para tudo na vida. Às vezes a gente acerta, às vezes a gente erra. Paciência. Precisamos reconhecer nossas imperfeições para assim não buscarmos a perfeição no outro e consequentemente entender que ele também é humano e está à mercê de seus próprios pontos fracos. Seríamos todos muito mais felizes. O filme "Mulheres Perfeitas" está aí para mostrar que para serem perfeitas só as mulheres sendo robôs. Não há outro jeito. E olha que até eles podem dar pane, então imagine nós, pobres mortais. O sol brilha para todos, as estrelas iluminam o céu de todos, as flores exalam seus perfumes para todos. Eles não existem só para os "perfeitos". Aliás, muitos desses quase nem os percebem, de tanto que pensam no mais complexo, no mais "perfeito". Se for falar de algo perfeito, cite um sorriso, um abraço, um olhar, um beijo, uma flor ou o amor. Busquemos sempre o melhor. O melhor, não o perfeito.

Ultimamente tenho ficado sozinha com mais frequencia do que eu era acostumada. Almoçar sozinha virou rotina, infelizmente; uma vez que, almoçar sozinha é umas das piores formas de "sentir a solidão" para mim. Na mesa ali do lado, a família, o pai e a filha, a mãe e o filho, o namorado e a namorada, contam as novidades enquanto saboreiam o prato. Enquanto eu, que no máximo tenho a companhia do meu celular, almoço e olho para todos sem realmente ver ninguém. Meus pensamentos estão sempre a quilômetros de distância, quase no mundo da lua. Outra "solidão" (um pouco triste, eu sei) é quando a gente só quer um abraço e não tem ninguém para dar. Ninguém. Ou porque estão longe ou porque não sabem a razão do desejo do abraço (daí fica um pouco estranho pedir um). Sabe aquela hora que a melhor coisa do mundo seria ouvir: "Vai ficar tudo bem!", seguido de um abraço? Pois é, é tão simples, não custa nada. É de graça! Mas vale mais que ouro. Nessas horas temos que tirar forças de quem está sempre presente e nunca vai nos deixar: nós mesmos. Uma coisa é certa: não é de todo mal ficarmos sozinhos. Dá pra gente pôr os pensamentos em dia, dar um jeito no coração, observar o que acontece ao nosso redor, nos conhecer mais a fundo e, antes de tudo, aprender a ser feliz sozinho. Afinal, nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. É claro que com uma boa companhia a nossa alegria duplica, triplica, quadriplica, quase explode! Mas dá - e muito - para sorrir quando estamos a sós também. Eu venho tentando melhorar isso cada dia mais. Acredito que alguém só irá fazer outra pessoa feliz se estiver se sentindo contente muito antes de conhecê-la, sendo feliz primeiro sozinho. Sabe, descobri que eu sou uma boa companhia para mim mesma e até gosto de ficar assim, eu e eu. Às vezes um livro ou fones de ouvido testemunham esses meus momentos solitários. Solitários no sentido de não ter nenhuma pessoa humana do meu lado, porque o sol, as nuvens, as flores, as árvores, os passarinhos estão sempre comigo. Sem esquecer as pessoas queridas que eu levo sempre no meu coração. É bom e faz muito bem saber que a vida pode - e deve - ser colorida quando estamos a gente com a gente mesmo. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Cisne Negro

Depois de ser ganhador do Oscar, depois de sair de cartaz e chegar até às locadoras, assisti o filme Cisne Negro. Fiquei impressionada. Não por causa das cenas de masturbação, ecstasy ou sexo entre duas mulheres, não. Mas, sim, como uma obsessão por algo que se deseja é perigosa. Muito perigosa. Como uma base fraca pode ser fatal para o desequilíbrio psicológico. E também como pessoas mal intencionadas agem sem escrúpulos para alcançar os seus próprios objetivos. Cada um interpreta e entende o filme de um jeito diferente, porém depois de um passeio pelo Google para melhorar o meu entendimento do longa-metragem, chego à conclusão que se não tivermos confiança em nós mesmos, todos estamos sujeitos a entrar em paranoia. Uma mãe superprotetora e infeliz, que vê na filha a oportunidade de realizar sonhos antigos que não puderam ser realizados e um professor metendo pressão a toda hora, cada vez mais, não são nem um pouco fácil de lidar. Ainda mais no universo do balé, onde a "perfeição" é quase como requisito básico e torna-se obsessão. No nosso dia-a-dia, estamos sujeitos a não termos a melhor família do mundo com o apoio que mereceríamos, a aqueles "amigos do peito" que do peito só se forem para cravar um faca, chefes totalmente sem noção, professores que esqueceram que um dia já foram alunos e inúmeros outros seres humanos desumanos. Mas humanos. Por que chamá-los de animais seria uma ofensa para os pobres dos bichinhos. Voltando ao filme, uma vez que o "Cisne Negro" começa a mostrar suas garras, uma vez que ele foi repreendido tantas e tantas vezes (nota-se pelo estilo de vida da personagem), não há mais controle. Nina acaba perdendo a noção do que ela realmente quer e do que não quer, não sabe mais o que é certo e errado para ela, "delira" com perseguições. Ela não aguentou a pressão. Sim, vamos escutar o que os outros têm a dizer sobre nós, mas se não for útil, jogamos fora. No lixo, tudo o que não for para o nosso crescimento. Nada de ficar pensando e pensando no que o outro falou, de tanto pensar vira verdade, desregulando nossa cabeça e nosso coração. Devemos saber e defender o que queremos, agarrar o que nos faz bem, ter consciência que ninguém no mundo possui o direito de dizer o que podemos ou não fazer e, o mais importante, nos amarmos e confiarmos em nós mesmos. A nossa liberdade é a nossa vida. Sem ela, a vida é negra.

domingo, 24 de julho de 2011

A-D-O-R-A-R

Adorar. Adoro. Adoro como me olha, me abraça, me beija. Adoro como me faz suspirar, ofegar e descabelar. Adoro como me corrige, me ensina, me apoia. Adoro os recadinhos, as cartas, os e-mails. Adoro os segundos, os minutos, as horas. Adoro as manhãs, as tardes, as noites. Adoro os passeios, as flores, os presentes. Adoro a pele, os músculos, os ossos. Adoro a cor, o cheiro, o gosto. Adoro o chá, o vinho, o champagne. Adoro o sanduíche, o penne, o risoto. Adoro a camiseta, o moletom, a gravata. Adoro as fotos, os vídeos, os momentos. Adoro a voz que desbanca Cateano, Djavan e Ne-Yo. Adoro como jamais passou pela minha cabeça adorar. Adoro a magia inexplicável do adorar. Suspeito de adorar até os defeitos. Adoro sem esperar nada em troca. Adoro pela alegria que dá adorar. Adoro o arco-íris de te adorar. Eu te adoro.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Morrer de saudade

"Não é fácil, muitas vezes eu me sinto sufocar de saudade, de vontade de estar perto." Caio Fernando Abreu já passou por isso, então não sou a única. Amém. Cheguei a pensar ser possível morrer de saudade. Juro que pensei que eu pudesse morrer de saudade, mesmo. Morrer, literalmente. De saudade. Segundo o Aurélio a saudade é a “lembrança nostálgica e ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia” “pesar pela ausência de alguém que nos é querido”. Perfeito. Saudade é tipo... Saudade. Não tem outro sentimento que seja como a saudade. De manhã, de tarde e de noite. Com chuva, sol, neblina, arco-íris. Ela aparece de qualquer jeito e a qualquer hora. A saudade de tudo o que foi bom é a prova de que nada foi em vão e os momentos especiais ficarão eternos em nossos corações. Mesmo assim, a saudade ainda não é totalmente colorida. Ela é meio desbotada. Sempre será. Ela dá vontade de voltar no tempo e pedir mais um beijo, mais um abraço, mais um carinho, mais alguns minutos daquele paraíso. Sem falar quando a saudade começa antes mesmo do tchau. Às vezes a saudade é tanta que acaba escorrendo pelos olhos. Dá um aperto no peito, uma agonia que parece que se não matarmos a saudade em questão de segundos, não vamos suportar mais viver sem aquilo. Vamos morrer de saudade. Mas os dias passam e a gente vê que aguenta, sim. A gente até sorri com a saudade de vez em quando, olhando para o nada, viajando pelos nossos pensamentos. Eu aguento mais umas semanas, uns dias, umas horas. Mas vamos logo. É melhor não demorar muito. Tenho pressa de dar um fim nela (mesmo acreditando que ela nunca tem realmente um fim). Melhor colorir tudo de uma vez, o quanto antes. Afinal, ainda tenho as minhas dúvidas se é possível morrer de saudade.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

E agora?

AI MEU DEUS DO CÉU. E se eu disser que não tenho certeza do que eu quero para a minha vida? Hoje talvez eu queira paz e amor. Amanhã talvez seja sexo, drogas e rock and roll. Depois, paz e amor mais sexo, drogas e rock and roll. Mas isso nem é tão grave assim, cada dia eu resolvo, depende do jeito que eu acordo. Afinal, ser a mesma todo dia é um saco. Agora, o brabo mesmo é saber como que eu vou ganhar dinheiro. Logo. Agora. Pra ontem. E muito. Quero carro, um apê legal, roupas, maquiagem, sapatos, bolsas, almoços, jantares, cinema, viagens, presentinhos e por aí vai. Se eu fico em dúvida até do que comer de almoço, saber o que eu vou querer fazer na minha vida inteira é demais. E pior que eu tenho 20 anos já. Aos 17 isso teria que estar definido. Cá estou eu atrasada, perdendo tempo, perdendo dinheiro, deixando meus concorrentes a milhas de distância a minha frente. Preciso ganhar dinheiro, sobreviver nesse mundo que a cada segundo fica mais caro. Ok, posso me matar de estudar, passar num concurso público e ganhar uns 10 mil reais por mês, viver "tranquila" pelo resto da vida. O problema em si nem é ganhar dinheiro, mas ganhar dinheiro com tesão. Ter tesão e paixão por aquilo que se faz, como me disse um certo alguém. Esse é o X da questão. Ou melhor, esse é o X - 4567 +Y / 9870 + (Z x 645347). Não quero acordar todo dia pensando na hora que vai acabar o expediente, para daí sim começar a sorrir. Isso é perda de vida, perda da minha vida. Às vezes eu estou certa do que quero. Passa uns minutinhos... Já não estou tão certa assim. Ai Jesus Cristo. Estou ferrada. Confesso que tenho até medo de pensar no assunto, sabe, mando meu cérebro adiar os pensamentos. Sem falar nos comentários das pessoas que conseguem me deixar mais confusa ainda. Com tal profissão, vou ganhar bem mais dinheiro. Com essa mesma profissão, vou ganhar pouco e não irá valer todo o esforço durante a faculdade. Eu sei, eu que faço minha carreira, eu que sou responsável pelo meu sucesso. Mas sucesso em quê? Ai meu Deus do Céu, não consigo mais discernir as cores na minha cabeça, estão todas embaralhadas.

sábado, 16 de julho de 2011

Quem tem boca...

Vai a Roma. E a Paris, à Austrália, ao Japão. Quem tem boca grande é que chega a esses lugares. Já eu, com minha pequena e miúda boca vou até a padaria da esquina. Com muito esforço chego ao shopping e a cidade vizinha. Que tristeza. É, um dos meus pontos fracos. Não puxo conversa com quem senta do meu lado no ônibus, nem com a manicure, nem com a depiladora, nem com o cabeleireiro, nem com quase ninguém. Sinceramente, não sei exatamente o porquê de eu ser assim. Talvez genética, misturado com o lugar onde moro, um pouco de medo de me expor mais uma pitada extra de timidez. Deu nisso. Eu sei, nada disso é desculpa para aceitar e deixar como está. É preciso mudar e superar. Eu tento. E melhoro. Ou, muitas vezes, sou obrigada a falar e consequentemente melhorar. Depois vejo que nem era tão difícil assim, tudo minhoca da minha cabeça. O problema são as recaídas. Às vezes me pego com dificuldade até para ligar e marcar uma consulta no dentista. Vê se pode. E lá vem a culpa, a martirização. Quando não há aquelas competições comigo mesma. Exemplo: (20:45) Priscilla, até as 21:00 tu precisa falar tal coisa para tal pessoa. (21:01) Ah, mais 15 minutinhos, não vai fazer diferença. (21:59) Ai meu Deus, eu preciso falar, preciso! Que horror. Ou falo nada ou falo demais (sempre depois de uns bons drinks, obviamente). O jeito é ouvir os conselhos de quem se importa comigo e quer me ajudar e colocá-los em prática. Acreditar que eu posso e devo não ter medo ou vergonha de falar, seja com quem for. Acabo deixando passar oportunidades de falar coisas importantes, até para pessoas mais próximas. Chega de lamentações, preciso transformar esse meu "defeito", deixá-lo mais ameno. Coragem, é só querer mudar. Querer de verdade. Aos poucos, de palavra em palavra, frase em frase, parágrafo a parágrafo, chego à conclusão. Num fim colorido.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Quase Involuntário

Odiava chorar. Não gostava de sentir as lágrimas caindo no rosto, molhando a roupa, lambuzando o travesseiro. Se chorava, é por que o negócio estava feio. Segurava o máximo que aguentava. E descontava tudo nos filmes. Até nos infantis. Novas pessoas, novos sentimentos, novas sensações, novas aventuras e hoje não odeio mais, mas isso não quer dizer que virou rotina. Aprendi a aceitar e respeitar o choro. Um dia desses uma conhecida twittou (do novo verbo twittar) "chorar está sendo tão involuntário quanto respirar". Confesso, fiquei com vergonha de retwittar (sabe o que significa né?). Acabei deixando marcado só no meu pensamento e não na lista dos meus tweets, nem mesmo na lista dos meus tweets favoritos. Mas mais ainda por que na minha versão acrescentaria o "quase". Chorar está sendo quase tão involuntário quanto respirar. Agora sim. Na hora do tchau, eu disfarço e faço força pra não as deixar rolarem, mas é praticamente impossível. Deixo-as virem junto com aquela dorzinha. Elas secam, inclusive a dor. Ah, a saudade. Essa nem precisa de maiores explicações. Por outro lado, nunca me emocionei tanto, nunca deixei cair tantas gotas de alegria e emoção. Músicas, frases, livros e cartas deixam escapar as danadas fácil, fácil. Chorar de deixar os olhos inchados, de ofegar, de quase se esgoelar, não desejo para ninguém. Ok, quase ninguém. É horrível. Às vezes "só" lembranças e pensamentos colocam para funcionar as glândulas lacrimais. A cabeça encostada na janela do ônibus, sinal amarelo para a partida das lágrimas. Tudo tem limite, mas chorar de vez em quando faz bem sim. Mostra que ainda o coração pulsa, ainda corre sentimento nas veias, ainda não viramos máquinas feitas de aço. A maior vantagem de chorar é a limpeza não só dos olhos, mas da alma. A partir dela temos a chance de enxergar uma nova vida. Mais bela, mais agradável, mais colorida.

Mulherão

Dia desses cometi a ignorância (olha nossos pré-conceitos aí) de classificar o livro Doidas e Santas, da Martha Medeiros, como um livro de mulherzinha. Nem tinha aberto o livro e a sentença já estava dada. Perdão, retiro o que disse. Ou melhor, troco as minhas palavras: é um livro de mulherão, isso sim. Mulherão. Logo após ler a primeira das 99 crônicas do livro, noto que me equivoquei. Passo mais algumas e elas vão ficando cada vez melhores. Já li inúmeras frases excelentes dessa gaúcha, porém nunca tinha parado para ler uma obra inteira. Demorei muito, aliás. Martha é mais que boa, mais que muito boa, ela é tri boa! Consegue tocar fundo na nossa alma de um jeito leve e divertido sem deixar de lado a importância dos seus temas e alguns merecidos puxões de orelha. Ela prova que modernizar-se não é desmoralizar-se, muito pelo contrário. Tenho o costume de transcrever as melhores frases dos livros que leio para um arquivo de texto no computador. Comecei a fazer isso, sempre receosa de deixar passar outras tantas importantes, mas desisti. Pensei: vou precisar digitar o livro todo! Resolvi que meu próximo investimento vai ser o Doidas e Santas. Quero-o na minha estante, o exemplar da biblioteca já não é suficiente. Leitura obrigatória para todas as pessoas. Pessoas, e não somente mulheres. Pai, filho, namorado, marido, irmão, tio e avô estão convidados a desfrutar desse prazer que é ler Martha Medeiros. Acreditem, vocês não vão se arrepender. E ainda vêm de brinde ótimas dicas de livros e filmes cults para quem nunca está saciado de cultura. Mas já aviso: o livro é para aqueles que não têm medo de ficarem nus, com suas qualidades, defeitos, sentimentos e neuras escancarados no espelho da alma. Lágrimas e risos são possibilidades reais, portanto, prepare-se para contê-los se for ler no ônibus, na praça, por aí. Ou deixe eles virem. Vamos combinar: uma crônica por dia e não se fala mais nisso. Duvido você ler só uma. Virei fã dessa mulher, mãe, jornalista, escritora e poeta. Acima de tudo, ela colore minha vida.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vamos fugir?

Vamos? Agora? Vamos Samuel Rosa. Vamos Gilberto Gil. Compramos as passagens e vamos. De ônibus, de avião, de bicicleta, a pé, topo tudo. Preciso. Desejo. Sim, admito, não sou tão forte assim e quero fugir dos problemas. Problemas esses que crescem mais rápido que a conta no exterior de um político ladrão de Brasília. Pode me chamar de covarde, eu deixo. Ou de insensível, uma vez que como eu posso estar reclamando de barriga cheia? Não tenho casa, comida, roupa lavada? Enquanto outros não tem nem pão e água? Lá vou eu pra cruz, mas que se danem os problemas dos outros, já chegam os meus. Meus tímpanos não aguentam mais gritos e nem as músicas abafam toda a ladainha, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, segundo após segundo. Socorro! Nem assistir a novela das oito dá pra assistir em paz. Não morreu ninguém, mas a cara de funeral é mais comum que arroz e feijão na hora do almoço. Tenho pena até da cachorrinha, pobrezinha. Até ela se pudesse falar mandaria calarem a boca. Quero fugir. Nos últimos tempos, é o que eu mais quero. Nem que seja por algumas horas ou um dia ou um fim de semana. Renova minhas energias, acalma meu coração, distrai meus pensamentos, ilumina meu coração, põe cor na minha vida. Por que viver desse jeito preto e branco (mais preto do que branco) é terrivelmente triste. Aliás, nem viver é.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Multicromática

Há dias que o céu está azul, sem nenhuma nuvem, mas o coração está cinza, cinza... Quase preto. Mas há dias de raios e trovões que o arco íris toma conta dos meus músculos, meus ossos, meu corpo todo, resumindo tudo num sorriso branco e bobo. Tem momentos que desejamos todas as cores do mundo na nossa vida, mas a verdade é que em momentos incolores nenhuma delas aparece. Bom mesmo é a alegria do colorido. No fundo, o importante mesmo é ter e querer e desejar e ansiar as cores e as suas vibrações dentro de si. Ter mais que as 48 cores da caixa de lápis de cor pra pintar a vida!