sexta-feira, 14 de julho de 2017

Gente quente


Em dias de inverno, gente quente faz a diferença. Em dias de verão, também. No outono e na primavera, a mesma coisa. Gente quente faz bem em qualquer estação, em qualquer hora, em qualquer lugar. Não é exclusividade de homem, mulher, branco, preto, jovem ou velho. É coisa de alma. Essa mesmo, que não sabemos explicar direito, mas que todo mundo entende o que é. Vez por outra, falamos que "fulano tem uma energia boa". É por aí.

Gente quente vem em forma de um abraço mais demorado, um sorriso verdadeiro, uma companhia naquela hora em que só se quer desabafar, uma fala sem julgamentos ou um olhar amoroso. Gente quente não precisa de roupa de marca muito menos de carro do ano. Precisa mesmo é de humanidade. E só! E tanto! Essa particularidade intrínseca a seres humanos. Não é sobre agilidade, é sobre sensibilidade. Não é sobre a capacidade de armazenamento, mas a capacidade de transbordamento.

Estamos cada vez mais máquinas. E nascemos humanos. Há tanto frio, desde as notícias que estampam manchetes até o olhar fixo na tela ao andar pela calçada, enquanto a vida passa. Às vezes, eu sinto tanto frio... E colocar mais roupa de lã não adianta. O frio vem da carência, da falta de algo. Pode ser apenas o sol ou o afeto de uma vida toda. Estamos carentes, desamparados, perdidos em meio a tanta novidade. Gente quente é quem diz a famosa frase "Vai ficar tudo bem." E emenda com o "Estou contigo." Poucas palavras que são capazes de deixar o coração aquecido.

Vale a pena ser quente. Mesmo que todo o resto esteja abaixo de zero. Se o que temos de mais valioso são os laços que criamos, é sempre hora de aumentar a temperatura nos relacionamentos, conosco mesmo e com os outros. Tem mais a ver com empatia do que com sexo. Uma alma calorosa vive melhor e emana energia. Passa pela vida leve e, ao mesmo tempo, forte. Tem quem seja puro aconchego. É disso que eu gosto. Gente quente. 

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Da arte de observar


Posso estar na praça de alimentação do shopping, na mesa do restaurante, no banco do ônibus, na fila do supermercado, na esquina esperando para atravessar a rua, na janela do meu quarto, em qualquer lugar que tenha o mínimo de pessoas. Ali, eu vou ser apenas uma observadora. Dos olhares, gestos, palavras, suspiros, passos, tropeços e sorrisos dos outros. Vez que outra o objeto da observação me olha de soslaio, como a perguntar quem é a enxerida que quer se meter na conversa - na vida! - alheia. Peço desculpas de antemão, sou apenas uma observadora.

Não lembro quando comecei a gostar dessa prática, nem tão incomum nem tão comum, de ficar atenta ao que os outros estão fazendo. Talvez tenha sido desde sempre, da criança que "não dava trabalho". Por ventura possa ser uma das facetas da minha timidez. Quiçá tenha aflorado com a faculdade de Jornalismo. Talvez tudo isso. A estranhos, pode parecer que sou uma avoada, com os pensamentos na lua. Na verdade, eu estou imaginando como será a vida daquele ser humano. Qual é a idade, a profissão, se já casou, se já descasou, se tem filhos, quantas vezes teve o coração partido, se já chorou naquela semana... Passo a tentar deduzir o que se passa com aquela alma. Perscrutar as histórias de quem nunca vi na vida.

Ambientes diferentes soam mais atrativos ao meu ser. Como se portam os convidados vips no backstage de uma corrida de Fórmula 1? Como olham uns para os outros? Como se comportam os participantes de um velório? Em uma festa de classe baixa, como os homens chegam nas mulheres? E em uma balada da classe alta? Na fila de embarque no aeroporto, quem tem mais pressa e quem está relaxado? A moça que trabalha no caixa do supermercado está de batom vermelho, o homem que escolhe maçã tem uma aliança, a mulher que dirige parece estar aflita e rói as unhas...

Tal exercício, de observar desconhecidos, aguça a minha sensibilidade. Somos seres sensíveis, ora. Aflora a minha empatia. Deveríamos ser seres cada vez mais empáticos, não? Me faz bem. Por quê? Porque me faz ver que eu não sou a única a ter o rosto relaxado ou tenso, os olhos sedutores ou marejados, um sorriso largo ou envergonhado, as mãos calejadas ou macias, a voz firme ou calma. Um semblante de esperança ou de tédio. Devo achar tão curioso observar outras pessoas pelo simples fato de que, nelas, observo a mim mesma.


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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Por que tão insegura, menina?


Muito provavelmente, não é a primeira vez que falo sobre isso aqui. Os dias passam e eu sigo a nutrir um medo de críticas e, portanto, uma insegurança que passa do limite do aceitável. Tudo isso combina com o clássico "sofrer por antecipação". Pode soar ridículo e um tanto quanto absurdo, mas demoro a ler e-mails, mensagens no Facebook e no Whatsapp por conta disso. Sinto um medo de ler algo horrível sobre mim. Parece que, a qualquer momento, alguém virá dizer que tudo o que eu faço é ruim. Ou nem tão bom assim.

Dia desses, estava assistindo ao Canal GNT e, durante um intervalo, passou o depoimento de algumas mulheres "famosas" sobre autoconfiança. Eis que ouço a youtuber Jout Jout confessar: "Quando clico em publicar o vídeo, eu fecho a página e saio correndo." Talvez não foi exatamente com essas palavras, mas foi isso que ela quis dizer. Ufa! Eu não sou a única. Identifiquei-me com e, até então, nunca havia ouvido alguém falar com todas as letras o que eu sempre tive vergonha de admitir. É uma mistura de querer mostrar e não querer mostrar o que achamos que fazemos bem. 

Por quê? Por que tanta insegurança? Não sei o porquê de eu ainda relutar tanto em saber a reação das pessoas a respeito do que faço, escrevo, crio. Acho que eu espero sempre o pior. Mesmo sabendo que ele não virá, eu espero. Na minha vida profissional, houve momentos em que a primeira coisa que vinha à minha cabeça, a cada vez que uma tarefa era dada a mim, era a de que eu não iria conseguir fazer aquilo. Por mais que eu soubesse que, sim, eu era mais do que capaz, esse pensamento era inevitável. Normalmente, meninos não sentem tanto essa falta de autoconfiança. Não vou entrar na discussão disso ser fruto da sociedade machista em que vivemos, mas é verdade.

O maior problema é a possibilidade do medo do que os outros vão dizer atrapalhar as minhas próprias criações. Não é segredo que o medo impede que a criatividade flua, livre, leve e solta. Talvez eu me policiei demais. Talvez eu me explique demais. Talvez eu fique longe demais de mim mesma. Não sei... Não é fácil. Nunca é fácil. Preciso repetir para mim que a minha própria avaliação basta. Se eu gostei, amei, aprovei, está ótimo. Minha parte está feita. Quem sabe, um dia eu chegue lá. Quando esse momento chegar, talvez eu não precise mais escrever textos como esse.

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Pare e respire



Faz cerca de um ano e meio. Era final de tarde ou começo de noite, depende do ponto de vista. Estávamos quatro ou cinco na sala. Não lembro exatamente. O instrutor ditava as orientações de relaxamento. Inspirar profundamente pelo nariz, expirar todo o ar dos pulmões. Estava eu em uma das primeiras e únicas aulas de ioga que eu fiz (infelizmente). Foi naquela ocasião que eu aprendi a respirar. Não foi na hora em que eu nasci, nem quando me resgataram naquela tarde em que eu não vi que a profundidade da piscina era duas vezes a minha altura, nem quando achei que o meu peito não fosse aguentar tamanha dor de amor. 

Respirar todo mundo respira, mas saber respirar de modo a realmente fazer valer a capacidade dos nossos pulmões é para poucos. Infelizmente. Não me lembro de ter ouvido falar sobre respiração nas aulas de Educação Física em todos os anos do ensino fundamental e médio. Regras de vôlei, handebol, basquete... Dessas lições eu me lembro. Por que isso não é ensinado às crianças e aos adolescentes? É (ou deveria ser) tão básico. Foi necessário que eu me matriculasse na aula de ioga, deitar no tatame, fechar os olhos e ouvir: "Primeiro, coloquem a mão em cima do abdômen e o sintam dilatar, depois sintam as costelas se expandirem e, por último, o peito inflar. Para expirar, façam o caminho contrário."

Pimba! Foi como se tivesse acendido uma luz em mim. Depois daquele dia, eu me dei conta que nunca tinha respirado de forma longa. Talvez em raríssimas vezes. É óbvio que não respiro assim toda hora, todo minuto, todo segundo. É impossível e há momentos que exigem uma respiração mais curta. Como a praxe é respirar de maneira rápida, o desafio é fazer o contrário. Cinco minutos por dia é suficiente. Antes de dormir, para relaxar e ter um sono mais profundo. Quando sobrar um tempinho. Aos poucos, o ritmo da respiração vai mudar - para melhor. Parar e respirar naquele momento de muito estresse, ansiedade, raiva, ódio ou desespero pode ajudar bastante. Respiração mais calma gera pensamentos mais claros.

Pode parecer besteira, frescura ou até exagero para alguns - "Eu tenho coisas mais importantes para me preocupar" ou "Sempre respirei normal e estou aqui, vivo" -, mas, se não damos atenção nem para o mais básico dos processos do corpo humano, algo deve estar errado. Viver no automático não é para seres humanos. O corpo está o tempo inteiro se comunicando conosco. E nós nem o damos ouvidos. Muitos possuem uma ótima audição, mas estão surdos perante o próprio corpo. Respirar melhor pode ser um jeito de entrar novamente em contato com essa morada tão especial e única que é o nosso corpo. Se nós viemos para esse mundo com dois pulmões tão poderosos, por que não usá-lo mais? O resultado é mais oxigenação, mais saúde, mais criatividade. Mais vida.

Para quem quiser saber mais, separei dois vídeos que falam sobre o assunto: Você respira bem? | DICAS | Método DeRose Trindade e Ritmos respiratórios | DICAS | DeRose Method Trindade.

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Primeiro, os mestres


Confesso. Não me orgulho. Vivi 26 anos sem ler os grandes clássicos da literatura brasileira. Apesar de gostar de ler, costumava escrever músicas de High School Musical nos livros de literatura do ensino médio em vez de prestar atenção na professora. Ou ler os suspenses do Sidney Sheldon. Para os trabalhos de aula, lia algum resumo do Google. Terminada a faculdade, resolvi tirar o ano de 2017 para ler as obras-primas. Quase como uma redenção. Talvez a mancada possa ser reduzida se eu disser que já li os sete livros da saga O Tempo e O Vento, copiei dezenas de trechos nas notas do meu celular e depois para um arquivo de Word. Isso faz uns três anos e, às vezes, ainda volto para dar uma lida nelas... Erico Verissimo realmente mexe comigo.

Pois bem, vamos aos fatos. Para começar, escolhi Lucíola, do José de Alencar. Que romance! Uma bela história de amor com um final (spoiler!) não tão belo. Até chorei. Depois, aquele livro que todo mundo sabe do que se trata, mesmo sem ter lido uma linha: Dom Casmurro, do Machado de Assis. Que romance! Paixão, traição, tensão. Depois, findo há poucos dias, "degustei" Gabriela, Cravo e Canela. Que romance! Que romance! Que romance! Publicado em 1958, tão atual. E, ainda, feminista! Malvina Tavares que o diga. Ahhhhh, Gabriela... Quem não quer ser Gabriela? Quem consegue não amar Gabriela? Jorge Amado quase emparelhou com o Verissimo na minha lista de escritores preferidos.

Escrevi tudo isso para chegar ao assunto que me motivou a escrever essa crônica: primeiro, conheça os mestres. Por quê? Eu já pensei em escrever um livro. Quem sabe um romance? Ou uma coletânea de contos? Agora, imaginem se eu tivesse publicado uma obra sem ter lido os grandes romancistas? Sem ter chorado, rido, refletido ou ficado pasma com aqueles que não à toa estão imortalizados na Academia Brasileira de Letras? Ficaria contente com o livro em minhas mãos, mas correria o risco de, ao me deparar com a grandeza de um clássico, ficar com vergonha do que produzi. Seria uma sensação horrível. Quase como ter cometido uma falta de respeito à literatura e ao seu valor como instrumento de reflexão e mudança social.

Não digo que todo livro que é publicado precisa ser extraordinário, a ponto de constar na lista de leituras obrigatórias dos vestibulares de universidades públicas. Nem tão bom para ser adaptado na televisão, no cinema ou no teatro. Cada livro tem a sua função e cada autor sabe de si. Conhecer os exímios escritores - ou arquitetos ou médicos ou jornalistas ou advogados ou o ofício que for - é o ponto de partida para fazer bem feito. Ou até melhor. São as referências, as quais chegam a provocar um arrepio na espinha e fazem desnecessárias as palavras, que inspiram a excelência. Nada menos do que a excelência. Pelo menos na maior parte do tempo. Pelo menos para se dormir com a consciência tranquila.  

O próximo clássico está definido: Os Sertões, de Euclides da Cunha.

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Página em Branco


Uma página em branco sempre dá um frio na barriga. Ao menos para mim. Abrir um novo arquivo do Word ou um novo e-mail (mais condizentes com os dias atuais) e se deparar com o cursor piscando (e esperando, quase que impaciente) pode ser uma ação trivial, mas guarda certo ritual. Qual pessoa não espera, nem ao menos um segundo, para começar a escrever? Um momento de hesitação que faz reviver algumas questões. Como eu começo? Será que eu consigo? Vale a pena?

Talvez para quem trabalhe diretamente com as palavras, como os jornalistas, isso soe mais comum. O fato é que a vida é uma sucessão de páginas em branco. Novos amigos, novos relacionamentos, novos empregos, novas escolhas, novos gostos, novos cheiros, novas emoções, novas decepções, novas dores. Principalmente, novos "eu". Algumas novas páginas são adicionadas na marra. A demissão, a morte de alguém, o fim repentino do namoro, a descoberta de uma doença, o fim de uma série (falando de Sense8...), entre tantas. No meu caso, a nova página veio com o final da faculdade. O que vem depois dela? Toda página em branco gera certa expectativa, coloca-nos em suspense.

Ao me permitir uma analogia, digo que todo dia é uma nova página em branco. Soa clichê? Sim. E o que importa? Algumas dessas laudas são mais importantes que as outras. Todas, porém, têm seu papel. Se um ano tem 365 dias, tem-se um livro ao final de cada ano. Escrever um livro é coisa séria - tanto quanto ter um filho e plantar uma árvore, já dizia o ditado. Não nos atenhamos a vocábulos difíceis, mesóclise, frases de efeito, frases longas e confusas... Só lembre-se de ter cuidado com a crase, porque ela merece respeito (e é afrodisíaca quando corretamente usada). Em geral, prefira palavras simples, mas cheias de significado.

Uma piscadela e eis a metade do ano. Estamos praticamente na metade do enredo. O que foi escrito até aqui? É bom de ler ou nem tanto? Ainda restam meses e junto com eles muitas páginas em branco a preencher. Releia o que já foi escrito e, se achar que convém, planeje uma reviravolta na personagem principal. Se já houve grandes emoções, reserve um capítulo para dias mais calmos. Cada um é autor da própria história. Não perca tempo copiando a dos outros. O prazo termina em 31 de dezembro de 2018. Ou amanhã mesmo. De qualquer modo, escreva. Não deixe em branco.

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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Delação Premiada (ou Pequenos Delitos)


Inspirada pelos delatores da Operação Lava Jato (no bom sentido, se é que há bom sentido) e pela Tati Bernardi, resolvi fazer uma delação premiada por minha conta. Isso mesmo. Tornar público alguns delitos que cometi ao longo da minha longa e curta vida. As vantagens e o que eu ganho em troca? Quem sabe eu me livro de ter que pagar uns pecados? De qualquer forma, durmo com a consciência mais tranquila. Adianto que não matei (visualizar uma morte sangrenta não conta, né?). Na minha "autodelação", só tem coisa light. Eu acho.

Para começar, uma mentirinha básica. Confesso que enganei algumas professoras e colegas no alto dos meus 10 anos, na quarta ou quinta série. Eu era representante da turma e, por isso, era responsável por trancar a porta na ida ao recreio e destrancar na volta. Seria desnecessário esse "procedimento de segurança" em algum país no qual não fosse necessária essa tal delação premiada, ainda mais se tratando de um colégio particular, mas voltemos ao fato. Certo dia, perdi a chave! Não achava a bendita em lugar algum. Não tive escolha: fingi que trancava e fingi que abria a porta por alguns dias. Foi horrível. Até que, para minha felicidade, encontrei a maldita. Rezei até o Sequeri. Funcionou!

Também, quando criança (ok, um pouco mais crescida também), eu não me aguentei e fuxiquei até me apropriar de algumas balas e chicletes da bolsa da minha mãe. Ninguém manda não comer os doces que ganha na hora que ganha. Eu estava com muita vontade e não me arrependo. Quando, por acaso, encontrava algumas moedas perdidas, também as surrupiava. Uma pena que ultimamente ela não deixa mais balas na bolsa... Quando o meu avô deitada na rede, lá na casa dele, eu só ficava esperando a hora que ele ia levantar, para ver se não tinham caído moedas dos bolsos dele. Às vezes, minhas irmãs e eu achávamos algumas.

Vamos à vida profissional. Confesso que me apossei de algumas canetas que ficavam em um armário na sala onde fazia um estágio, ainda na fase que eu tentava ser arquiteta. Uma preta, uma verde e uma vermelha. O salário era tão baixo que ficava difícil até comprar caneta. Foram muito úteis! Não lembro se peguei também grafite, régua, borracha... Talvez. E quem nunca imprimiu arquivos pessoais no trabalho que atire a primeira pedra! Porém, sempre tive bom senso. E agilidade para imprimir naqueles momentos que eu ficava sozinha na sala. Mereço um desconto porque sempre eram coisas importantes, como boletos e trabalhos de aula. Poxa, o xerox sempre foi caro. E tinha fila.

Mais recentemente, houve o episódio do vale-refeição da firma. Em minha defesa, digo que fiz tantas horas extras naquele estágio que eu me achei merecedora daqueles dinheiros a mais. Foram tão tão tão bem gastos. Afinal, comida é sempre bom investimento. Teve também aquela noite em que minha irmã e eu fomos a um restaurante de comida japonesa e veio uma porção de sushi a mais que nós não pedimos - e nem pagamos. Sushi é tão caro, não podíamos desperdiçar... E recusar comida não é de bom tom. Para encerrar o assunto comida, se bem me lembro, devo ter levado docinhos de festas para casa por uma ou duas vezes. Mais por vergonha do que por peso na consciência, que fique claro.

Em relação à área emocional, deixando de lado as infrações materiais, confesso que pratiquei falsos testemunhos. Alguns. Muitos. Enfim, várias e várias vezes. Na maior parte das vezes, havia um bom motivo. Era por amor. Se eu não mentisse para alguns, acabaria tendo que mentir para mim mesma. Seria muito pior. Deu certo até o dia que não deu mais certo, claro. Não me arrependo, mas hoje faria diferente. Também posso ter fingido que não vi mensagens no Whatsapp sobre sair para não precisar dar explicações e dizer com todas as letras que não estava a fim de sair. Só de vez em quando. Ou nem tanto...

Vamos ao que interessa: estou perdoada?

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